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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

O que não vai acontecer

Por: Paulo Ferreira

Que governo vamos ter daqui a um mês? Quem vai ser o primeiro-ministro? Vamos ter Orçamento do Estado aprovado para entrar em vigor no dia 1 de Janeiro? Há alturas em que a imprevisibilidade reina. Este é um desses tempos. No momento em que escrevo não sei o que vai o Presidente da República fazer em relação ao próximo governo. Será António Costa com o apoio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista? Ou será Passos Coelho, com uma espada sobre a cabeça?

Estes são momentos em que não sabemos o que vai acontecer. Mas conseguimos apostar no que não vai acontecer.

 

Não vamos ter um governo estável. Esta é fácil. Só um entendimento sério e comprometido para a legislatura entre PSD/CDS e o PS conseguiria dar ao país uma perspectiva de estabilidade governativa. António Costa optou por outro caminho para ser primeiro-ministro e tentar levar os socialistrs ao poder, única forma de continuar a liderar o partido após a derrota nas eleições que não podia perder. Seja qual for a solução que resulte da charada política que temos pela frente, será sempre uma solução fraca. Se for a coligação a governar, é Pedro Passos Coelho quem tem o seguro de vida do cargo nas mãos de António Costa. Se for António Costa a governar, estará sempre refém do BE e do PCP. Esperar destes dois partidos um apoio firme a um governo que tem de fazer e cumprir orçamentos rigorosos durante toda a legislatura é esperar que eles neguem a sua razão de ser. A governação vai ser feita dia a dia, lei a lei, medida a medida. Sempre com a corda na garganta e eleições à espreita.

 

Não vai haver reformas estruturais. Governos fortes e com apoio maioritário de um só partido não gostam de reformar. Governos fracos não podem reformar. Fazer reformas é incomodar muita gente. É alterar práticas de décadas. É combater interesses instalados à mesa do orçamento. É comprar guerras permanentes, ter protestos na rua e greves frequentes. Nada que passe pela cabeça de um primeiro-ministro que a tem a prémio de forma permanente. De uma forma ou de outra teremos um governo que será pouco mais do que um governo de gestão para tratar do expediente mínimo.

 

A Segurança Social não vai ser reformada. Alcançar a sustentabilidade implica mexer nos benefícios - que têm que ser menores - e nas contribuições - que têm que ser maiores. Medidas duras e impopulares, como se sabe. A urgência demográfica e económica não vai dar tréguas, à espera que os políticos se entendam. Podem aparecer mais alguns remendos, mas que não serão mais do que isso.

 

As condições de competitividade da economia não vão melhorar. Cá dentro temos instabilidade, incerteza, imprevisibilidade e políticas erráticas. O que vai acontecer ao IRC? E às leis laborais? E às taxas de juro? E ao ambiente regulatório? Ninguém sabe. Lá fora temos economias em desaceleração e focos de instabilidade política em vários mercados importantes - Angola, Brasil, China. A Alemanha espirra e a Europa pode constipar-se de novo. Portanto, teremos mercados a definhar e menos capacidade para os atacar. O resultado não pode ser bom.

 

As contas públicas não vão chegar ao equilibrio. A dívida pública só começa a descer de forma sustentada quando deixarmos de fazer défices anuais. Isto não é economia nem política: é aritmética. Governos fracos (ver primeiro ponto) não conseguem equilibrar contas. Se conseguirmos manter o défice abaixo dos 3% do Tratado Orçamental já será um milagre. Défice próximo de zero? Não acreditamos no Pai Natal, pois não?

 

O próximo Presidente da República não vai ter vida fácil. É possível que o próximo Presidente tome posse com uma tarefa importante na agenda: resolver se leva ou não o país para eleições assim que os prazos constitucionais o permitam. Será certamente preciso mais do que a tradicional “magistratura de influência”. Vai ser necessário arregaçar as mangas e meter “as mãos na massa”, decidir, fazer opções em vez de esperar que alguém as faça por ele (ou ela). Ao mesmo tempo, será fundamental que o próximo inquilino de Belém seja uma referência de estabilidade, de seriedade e de traquilidade no ambiente revolto que se antevê à sua volta. Não é coisa pouca.

 

Mudanças (também) lá fora

 

Não confundir estes “liberais” com os do lado de cá do Atlântico. Lá, nas Américas, os liberais são os dos costumes, os de esquerda. Foi nestes que o Canadá votou. Vale a pena conhecer a agenda de Justin Trudeau.

 

Se a Apple avisa é porque alguma coisa vai acontecer. Agora é na indústria automóvel.

publicado às 01:05

Ay, Carmena! Quando quem governa é quem não ganhou

Por: Francisco Sena Santos

 

 Apesar dos azedumes que andam no ar e de algumas cabeças em vendaval que levam ao excesso de mostrar rancores, o que há de estimulante no resultado das eleições de 4 de outubro é a possibilidade de abertura de um tempo político em que quem governa passe a ter em conta um leque mais aberto de opiniões e a escutar mais sectores.

 

Espera-se um sopro de ar fresco que possa trazer propostas audazes e um pouco de atenção política às necessidades de cada pessoa. O cenário político, que se tornou agora mais aberto, exige procurar compromissos. Fica assim mais propício para trazer para cada problema uma porta de saída suficientemente folgada para que quem passe por ela não tenha de se agachar demasiado. O tic-tac para a formação do novo governo já arrancou, a aspiração é a de que possamos ter um gabinete fiável e eficaz, decente e estável, sem sectarismos.

 

A prática dos últimos anos fornece um manual de maus exemplos. A decência obrigaria a que o governo cessante, em maio passado, tivesse consultado as oposições antes de reconduzir o governador do Banco de Portugal. O fim da maioria absoluta favorece que, agora, não se repitam desprezos como este pelas oposições, e foram muitos.

 

Entre apoiantes da coligação de direita passa muito alvoroço com a possibilidade de uma experiência de governo que deixe de fora os que ficaram no primeiro lugar da votação e que abra o arco da governação à experiência, que clamam ser de alta perigosidade, de um pacto entre partidos das esquerdas.

 

É natural que a coligação de direita esteja à cabeça da escolha presidencial para formar o próximo governo. Depois, no parlamento, logo se vê se o programa e o gabinete PSD/PP têm pernas para andar. Obviamente, não faria sentido que António Costa juntasse o PS a essa coligação – repetiu durante a campanha que não o faria e que a fronteira para a escolha política nas eleições marcava uma alternativa entre a direita e o PS.

 

Será que a bancada parlamentar do PS vai, em conformidade, votar coesa? E será que as esquerdas terão conseguido, apesar de muito heterogéneas na cultura política e na tradição ideológica, um compromisso para governar? Se a resposta a estas duas perguntas for “sim”, então a posse deve ser dada a um governo das esquerdas. Terá o mérito de mostrar que o arco da governação não fixa limites ao realmente possível. E espera-se que governe com competência, procurando sarar feridas e superar o possível das cicatrizes sociais abertas.

 

É evidente que, perante um governo das esquerdas - se assim vier a acontecer -, à direita vai haver quem clame que é um governo de perdedores. Já se ouviram exageros como “usurpação do poder” ou até “golpe de Estado”. Obviamente, a nobre arte de governar também passa pela capacidade para formar coligações.

 

Os eurodeputados portugueses até devem conhecer bem o caso belga onde o primeiro-ministro, Charles Michel, é eleito pelo Movimento Reformador que ficou no quinto lugar (9,6%) em votos. Conduz um pacto com quatro partidos do centro-direita. A necessidade compromisso a isso levou num país que até mostrou saber funcionar até mesmo sem governo (a Bélgica tinha estado 541 dias, a partir de fevereiro de 2011, sem governo) em plenitude de funções.

 

Mais perto de nós e de modo mais retumbante está o caso espanhol. Manuela Carmena é a alcaldesa de Madrid (3,1 milhões de habitantes). Preside ao município da capital espanhola após, nas eleições de 24 de maio deste ano, ter ficado em segundo lugar. Carmena, candidata pelo Ahora Madrid, espécie de franchising política liderada pelo movimento de cidadãos “Podemos”, alcançou 31,8% dos votos. O Partido Popular, com Esperanza Aguirre, era hegemónico em Madrid, capital que dirigia há 24 anos, e resistiu nestas eleições como a força mais votada (34,5%). Mas as esquerdas juntaram-se num pacto Ahora Madrid (31,8%)/PSOE(15,3%) que colocou Carmena como presidente do município da capital espanhola.

 

Reviravoltas como esta marcaram estas eleições autonómicas e municipais de há cinco meses, em Espanha. O PP, embora resistindo em primeiro lugar, perdeu para alianças à esquerda o governo de 14 cidades e autonomias principais que controlava. Para além de Madrid, perdeu Valencia (o alcalde é um ecologista de esquerda, apoiado pelo PSOE e pelo Podemos), Sevilha e Saragoça, entre várias outras capitais. Ou seja: nestas eleições de maio em Espanha o PP foi o mais votado mas as esquerdas, apesar de muito heterogéneas, somaram maiorias absolutas e estão a governar.

 

A conquista de Madrid por Manuela Carmena levou apoiantes inspirados por Ay, Carmela!, canção popular e hino republicano na Guerra Civil espanhola, a adaptar assim a letra da canção.

 

De hoje a dois meses, em 20 de dezembro se verá o que vai acontecer nas eleições gerais espanholas.

 

Em Portugal, ainda estamos na fase de esperar para ver. Seja como for, o cenário será necessariamente mais plural. E se a opção for por um pacto das esquerdas, obviamente não será usurpação de coisa nenhuma, apenas questão de ter capacidade para concertar uma maioria. Que depois fica à prova e é julgada nas eleições gerais seguintes.

 

Também no topo

 

Luís Miguel Cintra anunciou que sai dos palcos como ator. A notícia dói mais por ser motivada pelo combate à doença de Parkinson. Mas Cintra (66 anos), ao anunciar a retirada, no palco da sua Cornucópia, recusou lamúrias e, generoso, celebrou o Teatro pedindo a festa do aplauso para um jovem ator, Guilherme Gomes (22 anos), que ele lançou como Hamlet. Luís Miguel Cintra tem a vida preenchida a semear grande Teatro. São sementes que crescem para sempre. E vamos continuar a tê-lo como encenador. Cintra foi Prémio Pessoa em 2005 e, em 2012, o Expresso pediu-lhe que abrisse a reflexão sobre "Que Portugal teremos daqui a 25 anos?". Vale voltar a ler

 

Luaty Beirão entra no 30º dia em greve da fome. Todo o respeito pela luta que conduz, mas é essencial que possa estar em pleno a argumentar no julgamento marcado para 16 de novembro. É um barómetro sobre a independência da Justiça no regime angolano.

 

O poderoso Canadá de novo voltado para o cuidado com o clima do planeta. É uma provável consequência do triunfo dos Liberais nas eleições de ontem no Canadá. Com um outro Trudeau a liderar chega ao fim uma década muito conservadora num país que é uma potência global.

 

A televisão está a mudar. Uma nova geração de produtores e distribuidores decidiu mudar o modo como se vê televisão.  A Netflix instala-se amanhã em Portugal. Entre o muito para ver, Beasts of No Nation, retrato da sórdida violência em conflitos tribais e raciais de África.

 

No SAPO JORNAIS: uma surpreendente capa de uma clássica revista. O Papa também recebe em casa.

publicado às 08:12

E se as eleições fossem hoje?

Por: António Costa

 

 António Costa está há duas semanas em modo de sobrevivência, põe em causa um sistema que dura há 40 anos e que permite que o partido mais votado forme governo, mesmo em minoria, e negoceia à Direita (!) e à Esquerda como se fosse tudo igual. Perante esta sucessão inaudita de eventos, se as eleições fossem hoje a coligação reforçaria a sua votação para mais de 41%, no limiar da maioria absoluta, de acordo com uma sondagem da Intercampus para a TVI. E se Costa formar um governo dos derrotados?

 

Costa é mestre dos bastidores, sim. Já foi no PS, está agora a liderar um processo e a deixar Pedro Passos Coelho e Paulo Portas para trás. Surpreendentemente. Foram ultrapassados nas negociações, não impuseram uma agenda política e, agora, quase parece que são eles, a coligação, a rejeitar um Bloco Central alargado. Não são, mas isso não é evidente, mérito de Costa. Já justificou não ter apresentado a sua demissão no dia da derrota eleitoral perante aqueles que tinham a vitória socialista como garantida, já ganhou mais umas semanas de vida política, até já se livrou de António Sampaio da Nóvoa.

 

A troca de correspondência entre a coligação e o PS dizem-nos o suficiente para percebermos o que quer Costa. De outra forma, seria difícil perceber qualquer entendimento, mesmo mínimo, do PS com dois partidos que têm uma montanha a separá-los, o Tratado Orçamental e o euro – e as reuniões ‘interessantes’ que mantiveram. Ao invés dos encontro inconclusivos e vazios com a coligação. Claro que ninguém quer ficar com o ónus do divórcio depois do romance epistolar.

 

Portugal vai ter um novo governo esta semana, sim. Cavaco Silva vai dar posse ao líder do partido mais votado, Passos Coelho, e vai passar para Costa a responsabilidade de deitá-lo abaixo no debate sobre o programa de Governo.

 

As cartas estão lançadas e, quase, marcadas. Se António Costa já deitou fora um entendimento com a coligação, por vontade própria, está muito longe de poder assegurar um governo estável de Esquerda. Pela natureza das coisas. Basta avaliar as condições impostas pelo BE e pelo PCP para percebermos a impossibilidade de um acordo consistente. Um acordo que permite reequilibrar as contas públicas. Ponto. Pelo contrário, essas condições serviriam a passagem de regresso da ‘troika’ a Portugal.

 

O secretário-geral do PS poderia, e deveria, ter seguido uma terceira via. Não precisava de entrar no Governo, não precisava de aliar-se a uma Esquerda que não deixou de ser radical. Poderia e deveria ser a oposição exigente que o país precisa. Mas para ser ‘só isso’, teria de ter saído depois de falhar todos os objetivos? Pois, está aqui a explicação para esta estratégia.

 

Costa alarmou o país, denunciou esqueletos no armário sem os identificar. Lançou a confusão, disse que eram graves. Só não disse se, pela sua gravidade, permitiriam aplicar o seu programa, mais ainda somado aos programas do BE e do PCP. Em que ficamos? A situação económica e financeira do país está longe ainda de estar estabilizada, sim. O gelo está fino, E por isso é que esta deriva frentista é um risco enorme. Para o país, para o PS e para Costa. Por esta ordem.

 

Até onde António Costa vai levar a sua estratégia? Jogará tudo na estratégia de vir a ser primeiro-ministro por admitir que, com eleições a curto prazo, terá mais condições para ganhar, mesmo ou sobretudo se vierem a realizar-se a curto prazo. Engana-se, se seguir este caminho.

 

Se António Costa formar um governo dos derrotados, legítimo do ponto de vista constitucional, mas moralmente ilegal e politicamente inconsistente, as próximas eleições serão um passeio para Pedro Passos Coelho.

 

O que deve ler?

 

Os refugiados saíram dos principais noticiários, sim, mas não abandonaram aquelas viagens para fugirem ao inferno. E, agora, com o Inverno à porta, e os muros erguidos em alguns dos países por onde os refugiados precisam de passar, a crise humanitária tem tudo para se agravar. Agora, como relata o jornal Público, a Eslovénia impõe limites à entrada diária de migrantes, enquanto à mesa dos políticos se tenta uma resposta global que continua a não chegar.

 

E por falar em histórias que dão filmes, saiba que o cineasta Martin Scorcese está a trabalhar num outro filme, o nono, com Robert De Niro. Como pode ler aqui, no Sapo24, o novo filme chama-se The Irishman e tem uma concorrência de peso, em projetos com Taxi Driver e Tudo Bons Rapazes.

 

publicado às 10:30

Haka da Nova Zelândia ... silêncio por favor

 

Por: Miguel Morgado

 

Para os amantes de rugby, ver a Nova Zelândia e o “haka” é o sonho de uma vida. Foi a pensar nisso mesmo que, em novembro de 2014, comprei três bilhetes para o jogo da fase de grupos entre os All Blacks e a Geórgia, disputado no passado dia 2 de outubro, em Cardiff, no País de Gales. E foi aí também que vi um ensaio para a vida.

 

 

Gosto de rugby. De ver. Do que representa. Do que nos oferece e do que aprendemos. Cresci com o Torneio das “5 Nações”, nos idos anos 80. Nessa altura, andar vestido com as camisolas das seleções da Escócia ou da África do Sul era sinal de “sucesso” noutros campos. Não escapei a essa moda. Nem tão pouco de ter jogado (por pouco tempo). Fui e sou adepto. E espectador. E mais, sou pai de um jogador sub-12. Ele, a quem foi detetada epilepsia, dislexia e outras “ias”, após o “empurrão” do médico, entrou no maravilhoso e diferente mundo do rugby. Um universo de valores, entreajuda, respeito, de amizades e ensinamentos para a vida.  

 

Atualmente disputa-se o Campeonato do Mundo de Rugby em Inglaterra, evento que está a colocar a modalidade no epicentro das conversas sobre o mundo da bola (oval, no caso), seja pela espetacularidade do ambiente, pelo vídeo-árbitro ou pelo fair play que se vê a cada jogada deste jogo bruto disputado por cavalheiros. E eis que chegou a altura de usar os três bilhetes para o jogo da fase de grupos entre os All Blacks e a Geórgia, que comprei ... em novembro de 2014. Para o grande dia: 2 de outubro, em Cardiff, no País de Gales

 

De manhã, bem cedo, partimos. Feita a aterragem em Londres, seguiu-se uma verdadeira romaria até Cardiff, Estádio Millennium, o palco do encontro. Uma viagem de três gerações de uma família, do meu pai ao meu filho. Ele que ambiciona jogar pelos “Lobos”, é adepto do País de Gales e que tem no seu imaginário, desde que joga (já lá vão 4 anos), ver ao vivo e a cores os homens de preto a dançarem o “haka”, aquela dança tribal com que os All Blacks presenteiam os seus adversários e adeptos antes dos jogos.

 

No Estádio Millennium estavam 69109 pessoas. Leram bem. 69109 galeses, ingleses, georgianos, portugueses (denunciados por cachecóis do seu clube...de futebol) e, claro, uma enorme massa humana, que veste cor preta, a legião de adeptos da Nova Zelândia. Bancadas repletas de jovens universitários e de reformados, reformados de pernas pesadas....mas que bebem e cantam como adolescentes, homens e mulheres, pais e filhos, famílias inteiras que ali se deslocaram para presenciar, ao vivo e a cores, aquele momento. Os de preto ainda acrescentaram um adereço identificativo: o feto, planta transformada ícone cultural do país das ovelhas, estava estampado em caras, braços e tornozelos.  

 

Os anti-pop stars

 

Os olhos de quem lá estava e quem vê em televisões, tablets e outras plataformas, concentram-se no jogo. No campo e fora dele, este é especial. Os jogadores não são pop-stars desportivos, mas uns correm como o Bolt, outros têm os braços do Mike Tyson e ainda a “beldade” do Herrera (jogador de futebol do FC Porto). Não recebem salários de milhões, embora sejam seguidos por outros “ões” nos quatro cantos do mundo. Uns enrolam fitas à volta da cabeça, outros têm as orelhas que mais parecem pedaços de carne picada, tantas vezes a cabeça andou a roçar em pernas, troncos e membros. O sangue (ou lama) na cara faz parte da imagem de marca de qualquer fotografia. Ou selfie.

 

A humildade caracteriza-os a todos. É normal ver jogadores transportarem água para dentro de campo, entregando-a aos colegas que se contorcem com dores após uma placagem mais forte ou disputada uma bola na molhada (ruck).

 

"Uns enrolam fitas à volta da cabeça, outros têm as orelhas que mais parecem pedaços de carne picada, tantas vezes a cabeça andou a roçar em pernas, troncos e membros. O sangue (ou lama) na cara faz parte da imagem de marca de qualquer fotografia. Ou selfie."

 

Uma organização de pontapé para a frente e tudo ao molho

 

O jogo pauta-se por uma estratégia muito bem definida, embora aos olhos de quem pouco ou nada perceba mais pareça um jogo do pontapé para a frente, todos ao molho e fé em Deus numa espécie de bullying. Mas não é. Quem aqui joga são os bons, embora muitos tenham cara de maus. Cada qual desempenha um papel: o A depende do B, que por sua vez depende do C. Numa verdadeira coligação de forças, em formação ordenada, fazem parte todos do mesmo partido. Não deixam cair ninguém. Mesmo. Não há divisões nem cisões. Viram à esquerda e à direita, recuam e avançam com um objetivo: chegar lá à frente. Para marcar o ensaio. Sem individualismos, egoísmos ou excessos de protagonismos. Nem mesmo do árbitro que, com as câmaras ao peito mais parece um “robot cop”. Estranhamente, ou não, todos o respeitam. A ele e ao vídeo-árbitro, aquela pequena câmara que permite tirar dúvidas nos lances polémicos. Sem perdas de tempo, para que siga a bola e haja verdade desportiva. E no final, em corredor, vencedores e vencidos, todos se cumprimentam e batem palmas à vista de todos.   

 

Um ensaio para a vida

 

Adiante. O jogo a que assisti estava marcado para as 20h00. Vou confessar-vos: foram mais de 6 horas de viagem para chegar ao Estádio Millennium, num trajeto que se faz em 2h30m. Quando atrás escrevi “romaria” não foi ao acaso...

Dez minutos antes do grande acontecimento conseguimos estacionar o carro a “15 minutos a pé ou 10 a correr”, conforme informação dada à saída do parque de estacionamento. Ouvir, sentir e ver o “haka” estava à distância de uma corrida.

Em passo acelerado, com os meus 44 anos “puxei” pelo meu filho (11) e este pelo meu pai (a caminho dos 70). À entrada do mítico estádio ouvi um desabafo de alguém ao nosso lado que há 30 anos esperava viver o “momento”, mas que falhou devido ao trânsito. Também nós tínhamos perdido a dança. A tristeza de segundos foi ultrapassada por umas palavras, entre risos. “Não faz mal pai, não podíamos deixar o avô para trás”. Pois não. Esse não seria o espírito do rugby. E nem aquilo que nos ensina. Fomos uma equipa. Somos uma família. Daqui a uns quantos anos não sei se teremos hipótese de, juntos, concretizar o tal sonho. Sei somente que uma criança de 11 anos marcou, para mim, um ensaio para a vida.  

 

Ontem, 17 de outubro, começaram os quartos de final. Uma luta entre os planisférios Norte e Sul. Escócia-Austrália; Irlanda-Argentina; França e País de Gales-África do Sul e Nova Zelândia-França. Este último com a particularidade de juntar os finalistas da edição de 2011 na mesma cidade (Cardiff) onde os gauleses já bateram o seu adversário (nos quartos de final em 2007). Gostava de estar lá. Mas resta sentar-me à frente da televisão, para à hora marcada, ver, ouvir e sentir o “Ka mate! Ka mate! Ka ora! Ka ora!”. 

publicado às 10:31

Comer, comer, comer, e fugir - as regras do jogo

Por: Pedro Fonseca

 

 

O videojogo Pac-Man comemora este mês de Outubro os 35 anos da sua chegada ao mundo ocidental, após o lançamento original em Maio de 1980, no Japão. Conheça os segredos do videojogo de arcada de maior sucesso.

 

Comer, comer, comer, e fugir - as regras do jogo

 

O jogo é, aparentemente, muito simples. Os primeiros 21 níveis são os mais complicados mas, a partir daí, são sempre iguais.

 

 Cada ecrã tem 240 pontos para serem "comidos" e quatro pontos "energizantes", além das frutas que surgem no centro do ecrã, por baixo da "casa" dos fantasmas. No nível inicial, a primeira fruta surge quando já foram comidos 70 pontos e a segunda após 170. Há dois túneis de cada lado do ecrã, por onde se pode passar para o outro lado.

 

Poucos jogadores conseguiram terminar o jogo, obtendo a máxima pontuação possível de 3,333.360 pontos, sendo o primeiro o norte-americano Billy Mitchell a 3 de Julho de 1999, tendo demorado 5h30m. O mais rápido foi o também norte-americano Chris Ayra, em 3h42m, no ano seguinte.

 

O livro do Guinness regista, pelo menos, uns oito recordes relacionados com o jogo, nomeadamente sobre os resultados "perfeitos" ou como se tornou na mais bem sucedida máquina operada a moedas das casas de jogos. Só nos primeiros sete anos após o seu lançamento, foram instaladas quase 300 mil máquinas do jogo em todo o mundo.

 

O resultado "perfeito" é obtido quando se terminam os 256 níveis sem perder uma vida e se apanham todos os quatro fantasmas (Blinky, Pinky, Inky e Clyde) e todos os bónus. As vidas adicionais acumuladas são necessárias para um último nível, dividido ao meio entre o jogo tradicional e um conjunto de "lixo" do lado direito do ecrã mas onde há nove pontos escondidos.

 

Da presa ao caçador: Pac-Man e os seus quatro fantasmas

 

Concebido pelo japonês Toru Iwatani para a empresa Namco, o jogo demorou 17 meses a ser terminado por uma equipa de cinco pessoas. A versão original usava 16K de memória ROM e 2K de RAM, numa plataforma proprietária da Namco. O jogo era visualizado num ecrã a 16 cores, com uma resolução de 224 por 288 pixéis, e era jogado por um ou dois utilizadores com um joystick que se movia em quatro direcções, na horizontal e na vertical.

 

Teve mais de 60 variações, para diferentes plataformas, incluindo uma Ms. Pac-Man em logo 1981, e como "doodle" da Google há cinco anos.

 

Também foi imitado na vida real. Em 2004, estudantes da New York University criaram o Pac-Manhattan, uma perseguição nas ruas da cidade com pessoas vestidas de Pac-Man e os quatro fantasmas. Já este ano, a 21 de Maio e para promover o filme "Pixels", a Sony Pictures Entertainment Japan criou a maior imagem do Pac-Man usando 351 pessoas, em Tóquio.

 

Iwatani explicou em 1986, numa rara entrevista ao Programmers At Work, como não tinha qualquer formação em informática, artes visuais ou gráficas, quando entrou aos 22 anos para a Namco, em 1977. Nem sequer tinha interesse nos computadores mas sim em "criar imagens que comuniquem com as pessoas".

 

O Pac-Man, como ideia, surgiu com a palavra “taberu” que, em kanji, significa comer. Iwatani salienta que o mito da personagem principal ter aparecido de uma refeição de pizza é apenas "meia verdade". Mas o título está realmente relacionado com comida, do termo para mastigar "paku paku". Assim, foi denominado no Japão como Puck-Man mas, devido à potencial confusão com a palavra "f***" nos Estados Unidos, foi ali alterado para Pac-Man.

 

Cada um dos fantasmas tem a sua própria cor: azul (Inky, também apresentado como Bashful), amarelo/laranja (Clyde ou Pokey), rosa (Pinky ou Speedy) e vermelho (Blinky ou Shadow) -, "principalmente para agradar às mulheres que jogavam - pensei que elas gostariam de cores bonitas", disse o criador. "Todos os videojogos de então eram do tipo violento", pouco apelativos para mulheres ou "cómicos", lembra.

 

Iwatani concede ainda que ter quatro "monstros" continuamente a perseguir o Pac-Man seria muito "estressante para um humano", estar sempre "cercado e a ser caçado", pelo que os ataques surgem em vagas. Eles "re-agrupam-se, atacam e dispersam", o que "é mais natural do que ter um ataque constante".

 

Além disso, o Pac-Man pode retaliar quando come um dos pontos "energizantes" nos quatro cantos do ecrã, em que os inimigos fogem e podem ser "comidos" num curto espaço de tempo, antes de regressarem à sua obsessiva tarefa de perseguirem o Pac-Man. "É a oportunidade de ser o caçador", e não apenas caça.

 

Fantasmas com personalidade própria

 

O algoritmo de gestão dos fantasmas foi o mais complicado de desenvolver, assumiu o criador, tanto mais que queria que cada um dos fantasmas tivesse movimentos autónomos e uma personalidade própria.

 

Por isso, como é explicado no The Pac-Man Dossier, o feito de Billy Mitchell é "impressionante" porque ele não usou "rotinas memorizadas" mas "confiou na sua familiaridade com o comportamento de cada um dos fantasmas enquanto se moviam" no jogo, usando esse conhecimento para triunfar.

 

As referidas rotinas permitem ao jogador efectuar sempre a mesma rota no jogo, acabando por ganhar de forma repetitiva. Ora é precisamente a personalidade e a autonomia dos fantasmas que é interessante, do ponto de vista técnico e de interacção.

 

Cada fantasma tem uma "personalidade individual", um "algoritmo diferente" usado para se mover no ecrã, segundo uma análise aos seus comportamentos pela GameInternals. Assim, "perceber como cada fantasma se comporta é muito importante para ser capaz de efectivamente os evitar".

 

Os fantasmas agem apenas em três tipos de movimento: chase, scatter ou frightened, em inglês. O primeiro (chase ou perseguição) é o mais generalizado, tendo a posição do Pac-Man como alvo. No modo scatter, eles separam-se e afastam-se para pontos diferentes do ecrã. No último, quando o Pac-Man come um dos pontos "energizantes", os fantasmas são perseguidos e fogem de forma aleatória. A duração temporal neste modo de "assustados" é reduzida ao longo do jogo e eliminada após o nível 19.

 

As alterações entre os modos chase e scatter têm um "relógio" definido, que é retomado no início de cada nível ou quando é perdida uma vida do Pac-Man. Esse "relógio" é parado no modo frightened, para ser retomado após estar terminado (quando os fantasmas passam de azul, em que podem ser "comidos", para as suas cores originais).

 

Como exemplo, no primeiro nível, a duração das quatro vagas iniciais é de scatter durantes sete segundos, depois chase em 20 segundos, seguindo-se uma segunda vaga idêntica.

 

A terceira tem o modo scatter por cinco segundos e depois chase durante 20 segundos.

 

A última adopta o scatter durante cinco segundos, após o que é mudado para chase permanentemente. A duração destes modos é alterada nos níveis seguintes, refere a GameInternals.

 

Quanto à personalidade dos fantasmas, os seus movimentos básicos são igualmente optimizados. "A [inteligência artificial] dos fantasmas é muito simples", pelo que o seu comportamento acaba por ser "impressionante".

 

Uma regra simples é a de que nunca podem voltar atrás, excepto quando passam do modo chase para os outros. É este tipo de comportamento que ajuda os jogadores a não precisarem das jogadas repetitivas, além de os ajudar a perceber quando os fantasmas mudam de comportamento.

 

A sua "personalidade" individual é igualmente interessante.

 

O vermelho Blinky é um "perseguidor ou caçador" e vai "directamente atrás do Pac-Man", com a "idiossincrasia" de que a sua velocidade aumenta 5% em dois momentos de cada nível e tendo em conta o número de pontos "comidos" pelo Pac-Man.

 

A Pinky rosa é a "acelerada", antecipando onde o Pac-Man vai estar mas, estando a quatro pontos dele, tende a fugir e a evitar o confronto directo. Isto ocorre sempre que o Pac-Man se move para baixo, esquerda ou direita, mas nem sempre para cima - um "erro no código do jogo", segundo o GameInternals. (Há um outro "bug" no jogo: quando o Pac-Man e um fantasma se posicionam num dado momento na mesma posição, o Pac-Man passa e não é "comido" por esse fantasma).

 

O azul Inky só sai da casa dos fantasmas quando o Pac-Man já comeu 30 pontos. Tem o comportamento mais difícil de prever, dado que usa a posição ou orientação do Pac-Man mas também a do Blinky para se posicionar. Ou seja, se este estiver a perseguir o Pac-Man, o Inky anda por perto.

 

Finalmente, o amarelo Clyde parece andar por ali a circular sem destino. Excepto quando tem o Pac-Man "em vista", e vai directamente atrás dele, mantém-se no seu "canto" e ali permanece se o Pac-Man não se aproximar dele.

 

Em resumo, 35 anos depois e com regras tão "simples" como estas, o Pac-Man mantém-se um jogo de enorme dificuldade. Veja aqui uma galeria com várias imagens do jogo.

 

publicado às 16:00

A luta pela vida: fotografia de duas raposas vence Wildlife Photographer of the Year 2015

A imagem é sangrenta e bela: duas raposas na sua luta pela vida, na região subártica de Cape Churchill, no Canadá. "Conto de Duas Raposas" foi a vencedora escolhida pelo júri internacional, que distinguiu o fotógrafo Don Gutoski como Wildlife Photographer of the Year 2015.

Conto de duas raposas, Don Gutoski

Conto de duas raposas, de Don Gutoski - vencedor do concurso Wildlife Photographer 2015

 

A imagem de Gutoski foi escolhida entre mais de 42 mil enviadas de 96 países e vai estar no centro da exposição que abre hoje ao público no Museu de História Natural de Londres. Esta exposição comemora a extraordinária riqueza da vida no nosso planeta, com o objectivo de inspirar pessoas do mundo inteiro a valorizar e conservar o mundo natural. Depois de Londres, a exposição segue para outras cidades britânicas e internacionais; a agenda e os locais não estão ainda disponíveis no site oficial. Enquanto esperamos para saber se virá até Portugal, conheça a história das imagens vencedoras e veja, mais abaixo, a galeria dos vencedores.

 

Conto de duas raposas: uma fábula do aquecimento global

Cape Churchill, no Canadá, é uma região onde se encontram os territórios da raposa vermelha e da raposa do Ártico, mais ao norte. "Os guias de Churchill tinham ouvido dizer que de vez em quando as duas espécies lutavam, mas nenhuma das pessoas com quem falámos tinha alguma vez presenciado esse comportamento.", diz Don, o fotógrafo. "Primeiro vi a raposa vermelha, que estava a caçar e a interagir com uma presa, e quando me aproximei percebi que a presa era uma raposa do Ártico. Quando cheguei suficientemente perto para captar o acontecimento, a luta já tinha terminado e o vencedor estava a comer. Tirei uma série de fotografias, até a raposa vermelha se ter saciado e ter recolhido os restos para esconder até à próxima refeição."

 

Kathy Moran, editora da National Geographic e membro do júri do prémio, acrescenta: "Num impacto imediato, esta fotografia parece mostrar a raposa vermelha a despir o seu casaco de inverno. O que podia ser uma interacção simples entre predador e presa foi visto pelo júri como um exemplo flagrante das alterações climáticas, com as raposas vermelhas a entrar no território das raposas do Ártico. No fundo, a imagem funciona a vários níveis. É visualmente violenta, capta um comportamento e, no que toca à capacidade de contar uma história, é a fotografia mais poderosa que já vi."

 

Os combatentes do Ártico

A exibição dos combatentes, Ondrej Pelánek

A exibição dos combatentes, de Ondrej Pelánek, vencedor na categoria Jovem Fotógrafo 2015

 

Ondrej Pelánek, de 14 anos, originário da República Checa, ganhou o prémio de Jovem Fotógrafo 2015 com a sua "Luta de combatentes". Os combatentes são aves limícolas conhecidas pelo seu comportamento agressivo quando estão a cortejar. A fotografia foi tirada na tundra de Varanger, Noruega. "Ao longe, para lá do círculo polar ártico, vimos combatentes a lutar", diz Ondrej. "Tirei esta fotografia à meia-noite, quando o meu pai estava a dormir. Estava demasiado excitado, portanto tinha ficado acordado." Kathy Moran acrescenta: "Esta é uma fotografia complexa, com várias camadas que criam um belo efeito, um olhar surpreendente e sofisticado que chamou rapidamente a atenção do júri. Há muitas fotografias boas de combatentes a prepararem-se para se exibir, mas poucas que captem o seu comportamento com tanta intensidade e graciosidade. O fotógrafo conseguiu apanhar um momento que regista uma acção poderosa, mas mostra-a como uma dança delicada. Há quem passe anos de carreira a tentar fazer uma imagem assim. O facto de ter vindo de um concorrente tão jovem é entusiasmante."

 

Estas duas imagens foram escolhidas entre os 18 vencedores de categorias individuais, que mostram aspectos excepcionais da natureza - de exemplos de comportamentos extraordinários de animais, a paisagens sublimes. O concurso é organizado pelo Museu de História Natural de Londres e o júri é constituído por um painel de profissionais da indústria. As imagens são propostas por fotógrafos amadores e profissionais e escolhidas com base na sua criatividade, valor artístico e complexidade técnica. A partir de dezembro de 2015 já vai ser possível submeter propostas de imagens para o concurso de 2016, no site do museu.

 

As imagens vencedoras

 

 

 

publicado às 14:11

O Regresso do Capitão Jack, ou Como Despedir Pessoas no Mundo Encantado das Empresas Tecnológicas

Por: Rute Sousa Vasco

 

Esta foi, sem dúvida, uma semana em que o Twitter e o seu co-fundador, Jack Dorsey, estiveram nas bocas do mundo. É o terceiro regresso de Dorsey à companhia que fundou e ao serviço que inventou, e volta na mesma semana em que lança em Bolsa a sua segunda empresa, a Square, uma startup de pagamentos móveis. E acontece poucos dias depois de o Twitter ter lançado um novo produto – “Moments” – encarado por muitos analistas como a reinvenção dos jornais.

 

É a semana em que tudo isto aconteceu, mas a razão pela qual trago Dorsey até estas linhas, é outra. O Twitter é, desde a sua fundação, uma marca querida de influenciadores. Numa visão mais cáustica, é também uma marca querida da carneirada que não quer fazer parte da carneirada, usando uma expressão da eterna Mafalda criada pelo Quino. O Twitter cresceu significativamente desde o seu lançamento e entrou em Bolsa há dois anos em clima de grande excitação. Clima esse que durou pouco, porque nem os utilizadores cresceram ao ritmo que os investidores esperavam, nem o Twitter mostrou ter pernas para a sua concorrência mais tradicional, aka Facebook, ou mais modernaça, aka Snapchat. Os investidores, como se sabe, são uma mulher caprichosa e volátil e deram sinais de desinteressse, o que, no mercado tecnológico, onde sempre há um new kid on the block, pode ser fatal.

 

O regresso do fundador ao Twitter foi bem recebido. A Bolsa, as Mecas da tecnologia e os seus arautos gostam de comebacks. Ainda por cima, Dorsey é jovem, tem estilo e há qualquer coisa nele que leva as pessoas a pensar em Steve Jobs (provavelmente a coisa mais parecida é mesmo os dois terem sido despedidos das empresas que fundaram). Se a vida empresarial correr tão bem a Dorsey como a Jobs, é altura de colocar trocos a valer no Twitter.

 

Dorsey regressou com um new look – a indústria tecnológica partilha também alguns tiques da indústria de celebridades. O culto de imagem é um deles e, acreditem, aquela coisa da imagem aparentemente descuidada dá bastante trabalho. O de novo CEO do Twitter apareceu sem barba, cabelo aparado, um homem crescido nos seus 38 anos anos de maturidade. A imprensa reparou – e a twittosfera também, claro.

 

Dorsey regressou ao mesmo tempo que o Twitter lança um novo produto, “Moments”, uma proposta de agregação das histórias que marcam o dia concebida para conquistar novos utilizadores, nomeadamente aqueles que acham o Twitter pouco ou nada útil ou que simplesmente não percebem como funciona (alerta à navegação: se o “Moments” funcionar e se com isso o Twitter se tornar mais mainstream, vai perder alguns fanboys e vai possivelmente ter mais publicidade, de que precisa para poder continuar a pagar contas e a crescer; nada disto significa que ficará um pior serviço, mas, mais uma vez, como na música ou no cinema, se muitos gostarem pode significar que uns poucos terão de se desinteressar e ir à procura de qualquer outra coisa que os faça sentir especiais e únicos).

 

Aconteceram todas estas coisas em poucos dias e ainda mais uma. Jack Dorsey não perdeu muito tempo a reorganizar a empresa que ajudou a fundar. Na terça-feira, dia 13 de outubro, enviou um email a todos os trabalhadores da empresa informando que iriam ser despedidas cerca de 300 pessoas. 336, para ser mais exacta, 8% de toda a equipa. “Tomámos uma decisão extremanente difícil: planeamos abrir mão de 336 pessoas que estão na empresa. Fazemo-lo com o maior respeito por cada uma delas. O Twitter fará tudo ao seu alcance para apoiar cada uma destas pessoas, propondo-lhes pacotes de saída generosos e ajudando-as a encontrar um novo emprego”.

 

Este é um email que merece vários comentários. Pela forma e pelo conteúdo. Pela forma, o site Quartz fez provavelmente o comentário mais assertivo que podia ser feito. Dorsey começa a sua comunicação por dizer: “emails como este estão geralmente encriptados no discurso corporativo e por isso vou dizer-vos directamente o que há para dizer”. É um bom princípio, não apenas para o patrão do Twitter, mas para todos os que gerem pessoas. Imaginam o quão fartas estão da conversa corportativa e das palavras que não querem dizer coisa nenhuma ou que apenas dissimulam o que querem realmente dizer?! Cortem com isso.

 

Mas a verdade é que não é fácil dizer, assim do pé para a mão, que se vão mandar embora 336 pessoas, algumas delas provavelmente em lugares chave da engenharia e da gestão. Dorsey tentou, mas não se pode dizer que tenha conseguido em toda a linha. O Quartz deu-lhe uma ajuda e editou o email para o tornar ainda mais directo e claro. “Tomámos uma decisão extremanente difícil: vamos despedir 336 pessoas em toda a empresa (…) Essas pessoas não têm culpa de nada. Nós é que as contratámos e não devíamos ter feito. O Twitter vai dar-lhes indemnizações decentes e ajudá-las a encontrar um novo emprego”.

 

A outra parte tem a ver com o conteúdo da decisão. Não é fácil despedir pessoas. É ainda menos fácil quando algumas dessas pessoas foram contratadas por quem as despede e algumas, naturalmente, se tornaram mais que colegas. Mas é muito mais difícil – e errado – deixar que um conjunto maior de pessoas perca o rumo e, no limite, possa perder o emprego porque quem decide não foi capaz de tomar decisões. Não há formas fáceis de fazer mudanças, sobretudo quando visam corrigir uma rota de perdas. Geralmente implicam cortes e menores níveis de conforto, pessoal e no negócio. O facto de quem decide assumir os erros passados não torna o momento menos penoso. O Twitter falhou em vários momentos – na gestão dos produtos, nas pessoas que escolheu, na estratégia que adoptou. Reconhecer isso não torna a vida mais fácil a quem se vai embora (e nem a quem fica). Mas tornar a vida corporativa mais honesta – mais humana – pode ser um passo pequeno para um homem ou uma empresa, mas é sem dúvida um passo necessário para todos os humanos que trabalham, têm colegas, chefes, patrões, clientes e cada vez mais procuram na sua profissão, também, um sentido para a vida.

 

Mas nada como fechar com humor. Através de um tweet, claro:

 

 

Tenham um bom fim de semana.

 

 

Leituras sugeridas sobre coisas estranhas, ou nem por isso.

 

Em menos de 12 horas, uma iniciativa de crowdfunding conseguiu juntar 1000 dólares. Para quê? Para pagar a multa de 500 dólares de uma mulher aborígene acusada de ter roubado uma caixa de tampões.

 

Noutro ponto do planeta, bem longe da Austrália, os tampões também são um tema do momento. Na Suécia, transformaram-se em personagem de um programa de televisão para crianças. E cantam.

 

E porque o tema de hoje é o Twitter, deixo-vos com esta curiosidade do reino humano, animal, tecnológico e do marketing. Tudo numa só notícia: a do restaurante australiano que decidiu colocar uma galinha a gerir a sua conta de twitter.

 

 

publicado às 10:43

A traição do tempo

Por: Pedro Rolo Duarte

Se fosse vivo, o meu pai faria amanhã 85 anos. Além da memória emocional de um filho que perdeu o pai cedo demais, mesmo nunca sendo demasiado cedo, persiste uma memória cada vez mais doce (passaram quase 30 anos sobre a sua morte), a que recorro sempre que a vida me pede. E pede, felizmente, muitas vezes.

 

No mundo da comunicação, nunca deixo de pensar nele nestes momentos mais vibrantes da política, do jornalismo, da vida em rede, porque me lembro dos seus ensinamentos e das suas ideias. O lamentável episódio José Rodrigues dos Santos da semana passada, que o crucificou injustamente em escassos minutos, e cujas ondas de choque ainda não acabaram (nem os aproveitamentos tolos que dele se fizeram), voltaram a sentar-me à mesa imaginária do meticuloso António Rolo Duarte.

 

Bom… Acho que o meu pai não seria sinceramente feliz no tempo actual. O rigor com que praticava o jornalismo (era obsessivo com datas, idades, factos concretos), o tempo que achava essencial para confirmar um rumor ou o que poderia constituir noticia, não seriam facilmente compatíveis com esta voragem em que vivemos, e que condena na praça publica, com a maior das veleidades, qualquer erro: o humano, o propositado, o negligente, o indigente. Errar já não é humano - é sempre pretexto para apedrejamento na praça publica. Tentar perceber os factos não faz parte do processo do raciocínio - mais vale julgar de imediato. Parar para pensar deixou de ser um acto de sensatez - passou a ser um atraso de vida. É lamentável.

 

Nunca me esquecerei disto: o meu pai disse-me, quando tirei a carta de condução, que o pedal do travão servia para abrandar e parar, e não para travar. Ou seja, prevenia. Não era, em si, a solução - mas a possibilidade de antecipar o possível problema. Aplicado à vida, e ao jornalismo, era como dizer que o cérebro serve para cozinhar a informação, jamais para ferver sentimentos imediatos. Não me fica mal dizer que o meu pai era sábio.

 

E fica muito menos mal no momento em que assisto, sem forma nem jeito de reagir, ao episódio Rodrigues dos Santos, no mesmo momento em que verifico que os nosso líderes políticos - os que ganharam e os que perderam, na verdade nem sei agora quem foram uns ou outros… - dão o dito por não dito em jogos de poder onde as palavras de honra deixaram de ter honra e ficaram apenas palavras.

 

Volto ao meu pai: amanhã faria 85 anos e, se estivesse entre nós, talvez não quisesse andar pela net. Pacientemente, mesmo na sua silenciosa ansiedade, esperava pela verdade dos factos. E depois do café, diria o que pensava. Por causa desse seu feitio, tinha quase sempre razão. Faz falta quem a tenha, mesmo que demore mais um bocadinho.

 

COISAS QUE ME DEIXARAM A PENSAR ESTA SEMANA…

 

José Alberto de Carvalho chamou-lhe “momento pouco ortodoxo” - eu chamar-lhe-ía momento notável em que um meio, a televisão, se junta a um facto, a saída de Marcelo, para criar uma emoção sincera, verdadeira e honesta. Num tempo em que tudo se fabrica, inventa, dramatiza e interpreta, como se vivêssemos numa telenovela permanente, a despedida de Marcelo Rebelo de Sousa dos comentários dominicais da TVI fica, para já, como o momento televisivo do ano.

 

Na semana que vem chega a Portugal o serviço Netflix. Num mundo globalizado, já tardava esta “aterragem”, que vem trazer ao universo audiovisual uma nova abordagem: a da ficção televisiva produzida e emitida fora das clássicas cadeias, com tudo o que isso implica (e explica…). Há receios infundados e entusiasmos exagerados, como sempre sucede com o que é novo e diferente. Mas, uma vez mais, estamos a viver ao vivo passos em frente num universo de comunicação que parece diariamente mais caótico - e também por isso, fascinante.

 

"Quebrámos a peça mais importante dos nossos automóveis: a sua confiança”. Este é o titulo do anúncio que a Volkswagen fez publicar na imprensa portuguesa e que apela aos donos de automóveis da marca para verificarem se os seus carros fizeram parte da aldrabice - a que a marca chama “erro”… - que resultou no maior escândalo da industria automóvel das ultimas décadas. Independentemente do que se possa dizer ou pensar sobre o tema, a forma como a VW abordou, entre nós, os seus clientes, é de uma coragem e humildade que só lhe fica bem.

 

 

publicado às 10:28

Como os genes dos elefantes nos podem ajudar a vencer o cancro

Cientistas encontraram um aliado de peso na luta contra o cancro. O maior mamífero terrestre ainda guarda muitos mistérios, mas um deles começa agora a ser desvendado: apesar de terem mais células do que os humanos, os elefantes raramente têm cancro devido aos seus genes.

 

 

Os elefantes combatem as células danificadas mesmo antes de estas se transformarem em células cancerígenas. Esta é uma das conclusões de um estudo publicado na revista Journal of the American Medical Association.

 

Cientistas de vários centros de investigação norte-americanos quiseram perceber o motivo de apenas 5% dos elefantes morrerem de cancro, número que sobe para entre 11 e 25% nos humanos.

 

Se estes animais têm cem vezes mais células do que os humanos, seria de esperar terem cem vezes mais hipóteses de desenvolver células cancerígenas. Errado: tal como têm mais células, os elefantes têm também 40 cópias de um gene que ajuda a combater o cancro, enquanto os humanos só têm duas cópias.

 

É este gene que codifica a proteína p53 que permite a estes mamíferos viverem entre 50 a 70 anos afastados da doença que, hoje em dia, mais mata no mundo: 8 milhões de mortes por ano, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

Para testar a resistência do elefante ao cancro, os cientistas extraíram células de glóbulos brancos do sangue, sujeito a substâncias que lesionam o ADN. As células danificadas do sistema imunitário reagiram, "suicidando-se" sob a ação da proteína p53.

 

“Se a célula danificada é morta, logo não se pode transformar em cancerígena. Isso pode ser mais eficaz na prevenção do cancro do que tentar impedir a divisão de uma célula já danificada”, refere o estudo.

 

Os elefantes estão naturalmente equipados com um mecanismo mais agressivo contra lesões nas células que podem tornar-se cancerígenas. Os autores do estudo constataram que células extraídas de elefantes se autodestruíam duas vezes mais (14,6%) do que as de pessoas saudáveis (7,2%).

 

"Nas células de elefantes, esta atividade está duplicada, comparativamente a células humanas saudáveis", assinala o estudo, conduzido por investigadores do Huntsman Cancer Institute da Universidade de Utah, da Universidade Estatal de Arizona e do Centro Ringling Bros para a Conservação de Elefantes.

 

As reações anticancerígenas de células imunitárias de elefantes foram comparadas com as de humanos, incluindo de pessoas com síndrome de Li-Fraumeni, uma doença hereditária rara caraterizada pela presença de vários tumores no organismo. Nestes casos, a hipótese de desenvolver cancro é de 90%, uma vez que estas pessoas têm apenas uma cópia ativa do gene que codifica a proteína p53.

 

O próximo passo é realizar um estudo com jovens em risco de cancro. Os investigadores esperam que a descoberta possa conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos contra o cancro nos humanos.

publicado às 08:30

Já não se espreita a vizinha?

 Por: Márcio Alves Candoso (jornalista)

 

 Quando Hugh Heffner largou o emprego na prestigiada 'Esquire', e decidiu lançar uma revista que fosse só sua, fê-lo com uma certa diletância aventureira, com um espírito muito 'pós-guerra', de ver o que aconteceria e decidir depois o que fazer com isso. Nem pôs data no primeiro número, acreditando, segundo ele, que não haveria um segundo.

 

A revista tinha mulheres, as miúdas giras que eram suas vizinhas, e que ele entendia que eram as mesmas vizinhas, com outros olhos e boca e pernas, que eram vizinhas de todo o mundo. Mas também a fotografia, depois famosa, de uma actriz em ascensão, comprada por uma boa maquia ao fotógrafo que tinha convencido Norma Jean Mortensen a tentar ser Marilyn Monroe.

 

Mas a 'Playboy', que esteve no centro da revolução sexual dos anos da brasa e do 'flower power', já não diz nada ao jovem da 'geração Y', o mais perseguido pela publicidade actual, e que se habituou que não é preciso muita conversa para levar à certa a vizinha do lado. Playboy? Quem quer ser igual ao pai?

 

Num golpe de asa já não desnuda, os editores da 'Playboy' decidiram o óbvio – acabaram-se as mulheres nuas. Já ninguém espreita a vizinha, e se ainda os há de olhos focados no proibido, são hoje mais os de olhos em bico, já que a China, por estes dias, faz na empresa 40% do 'cash-flow' liberto ano após ano. Eles e os da Europa Oriental, sítios onde Carrie Bradshaw, por um lado, e Pamela Anderson, por outro, ainda não comandam.

 

Aos 63 anos, a revista mais famosa do mundo tornou-se 'conservativa', mudando. Aos do meu tempo, já não fará companhia, já não nos alimentará o sonho e a virtude moderna quando fizermos 64. Será que ela vai trancar a porta se eu chegar depois das quatro? Talvez nem McCartney tenha pensado nisso...

 

A decisão de tornar a 'Playboy' cativa de outros olhos foi tomada em Conselho de Administração, perante uma plêiade de representantes de grupos-alvo, e com quadros de 'excel' bastante sisudos passados no écrã gigante da sala de reuniões da sede. Factos: vendiam-se 5,6 milhões de revistas em 1975, não mais que 800 mil em 2015. A edição norte-americana dá prejuízos sólidos e líquidos de 3 milhões USD por ano.

 

Tudo isto existe, tudo isto é triste, porque o paradigma mudou. A internet tem, à distância de um 'clic', todas as posições e desnortes que a fantasia quiser. Roubaram o nicho à 'Playboy' e sucedâneas. E esta vai tentar a verdade suprema do capitalismo – sobreviver. Cory Jones, o editor-chefe da revista, diz que lamenta que 'o rapaz de 12 anos que há dentro de mim já não possa usufruir deste prazer'. 'Mas o mundo mudou', acrescenta.

 

A 'Playboy' vai desvendando o que o futuro lhe reserva. Colunistas femininas, focadas numa 'sexualidade mais positiva', artigos sobre arte e bebidas, que chamem o homem de 30 anos e que não ponham de parte as mulheres que já provaram na vida e que da vida já provaram bastante. Os publicitários aplaudem. É esse o 'target' urbano, emergente. Os rústicos que comprem a 'Gina', os miúdos que vejam as 'amateurs' e as 'teens', as 'milf' ou os 'threesome' dos sites.

 

É um regresso à verdade. A 'Playboy' quer passar nos círculos para 'maiores de 13 anos', publicitar a sua 'mensagem' no FaceBook, no Instagram, sem ter medo da censura. Se não podes convencê-los, vende-te a eles. É uma hipótese de provérbio, não mais do que isso.

 

'Sexo, jazz, Picasso e Nietzshe', diz uma nota interna citada nos 'mainstream' dos Estados Unidos, a propósito da novidade explícita da reserva implícita no olhar que muda. Se a vizinha for parva, apesar de gira, não vai ter nada que ver com a nova revista americana. Terá de arranjar outros que a espreitem.

 

Mas a 'Payboy' sabe do que fala, porque sempre foi mais que uma 'centerfold' nua, mais ou menos com cara de cama. Quem entrevistou Jimmy Carter – que confessou 'pecar', olhando a revista -, quem deu à estampa as opiniões mais recônditas de Fidel Castro ou pôs a falar de sexo Bob Dylan e Martin Luther King, quem publicou o próprio Jack Kerouac em tempo de vacas gordas, não terá grandes dificuldades em percorrer esta estrada. Até porque, na internet, ela já está tentada – desde Agosto de 2014 que o 'website' da revista não tem mulheres despidas. E as 'page views' aumentaram 400%! É outra malta, esta. 

 

Mas calma! Só da edição dos EUA é que vão desaparecer as vizinhas giras. Na publicação internacional vão estar lá todas, todos os meses. O rabo escondido com o gato de fora diz muito da actualidade americana. Não está fácil ser homem no Tio Sam (e aqui devia ir um 'emoticon' com sorriso malandro, para a descongestão da textualidade).

 

No princípio dos anos 80, na Rua Direita de Coimbra, uma velha trabalhadora das casas com luz vermelha queixava-se das 'estudantas'. Que as 'grandes p.' lhes tiravam o negócio, já não eram meninas como antigamente. Eu, que nunca fui ao 'antigamente', acredito que a 'Playboy' vai ter um futuro risonho. Mas mais bem vestida...

 

 

publicado às 17:25

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