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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

Agora, é preciso governar

Por: António Costa

 

 A coligação ganhou as eleições, o PS perdeu. É este o ponto de partida que precisa de ser aceite por todos – e pelos vistos nem todos o aceitam – para ser possível a formação de um governo que tem de ter no Parlamento as condições de governabilidade equiparadas àquelas que os portugueses lhe deram nos votos. Para garantir que o novo governo acaba o que o anterior começou.

 

Nesta campanha eleitoral, falou-se muito de promessas – António Costa, então, prometeu tudo a todos – e falou-se pouco ou mesmo nada das reformas estruturais que o país continua por fazer, a começar pela do Estado que ficou na gaveta de Portas.

 

Hoje, com uma vitória clara da coligação - os portugueses, afinal, aprenderam mesmo a lição - é preciso ultrapassar a discussão partidária. A não-demissão de António Costa e as vitórias morais dos que reclamaram uma maioria de esquerda, ao género do golpe de Estado parlamentar, não ajudam a focar o país naquilo que, a partir de agora, é preciso pôr na agenda das prioridades. Ainda ontem, antes do discurso de não-derrota de Costa, os cenários estrambólicos em cima da mesa davam para tudo, e antecipavam o caos.

 

O Governo vai ter de aprender a negociar mais do que aquilo que fez nos últimos quatro anos, Passos vai ter de mostrar a habilidade política que demonstrou a negociar com Portas nas negociações e nos compromissos com a oposição, leia-se, com o PS. Com António Costa, que perdeu uma oportunidade para sair com dignidade e agora vai embrulhar-se em guerras internas imprevisíveis.

 

Da confusão do discurso final de Costa – uma síntese da confusão que foi a sua própria campanha – só se salvou a ideia de que o PS não estará disponível para assaltar o poder a todo o custo, para fazer alianças com aqueles que não querem o regime político e económico e social em que vivemos. Do mal, o menos. Seria o desastre para o PS, a sua ‘pasokização’, mas seria ainda pior para o país. E isso permitiu também olhar para o dia seguinte com uma ideia de maior estabilidade face àquela que se temia. Ou de menor instabilidade. Pelo menos, a coligação tem um prazo de validade até ao orçamento de 2017. Depois, logo se verá.

 

O Governo tem agora de tomar posse, primeiro, levar o seu programa ao Parlamento, depois, e garantir que fecha o ano de 2015 com um défice inferior a 3%. Uma condição essencial para, logo depois, apresentar o primeiro orçamento da nova legislatura. Os mercados, isto é, os investidores, estão aí, estão a olhar para o que o novo Governo, e o novo Parlamento, vai fazer. A olhar para o défice e para a dívida pública, que resistem, para a estabilidade do sistema financeiro, que continua periclitante, para a competitividade, que tarda. E nós continuamos a precisar deles.

 

E hoje é dia 5 de Outubro, dia da República, um dia que não vai contar com o seu máximo representante, o Presidente. Cavaco Silva diz que precisa de pensar, os portugueses também já estão a pensar, mas no próximo inquilino em Belém. Quem pode ser? A sondagem da TVI/TSF e Público dão a vitória esmagadora a Marcelo Rebelo de Sousa. Mas o 5 de Outubro é do povo, e pode ser acompanhado aqui, em 24.sapo.pt.

 

 

publicado às 09:48

As eleições na TV. E o grande vencedor é: a SIC Notícias!

Por: José Couto Nogueira

 

Embora mais de quarenta por cento dos portugueses não tenham dado por isso, ontem foram eleitos os deputados do décimo quarto parlamento da III República.

 

 

 

 

É verdade, no meio de dois jogos de futebol (que eram para ser três, mas o maldito nevoeiro...) novelas, filmes, programas pimba e outras preciosidades, quem ligou as televisões a partir das sete da tarde não teve outro remédio se não assistir ao despique que de quatro em quatro anos (se tudo correr bem) anima os três canais generalistas e seus derivados por cabo.

 

Para os canais, as eleições representam uma grande oportunidade e um enorme desafio.

A oportunidade é uma “casa dos segredos” única, com personagens reais, votações a sério e bué de expulsões. Um programa com audiência garantida de alguns milhões de telespectadores – os sessenta por cento dos portugueses que se interessam por estas coisas.

 

O desafio é ser diferente. Todos os canais recebem a mesma informação, ao mesmo tempo. À medida que saem as sondagens à boca da urna (primeiro) e os resultados das mesas eleitorais (logo a seguir) é preciso manter os espectadores interessados na corrida, fazendo algo de diferente dos outros canais. 34,5% na Freguesia de Apoucada de Baixo são os mesmos 34,5% na Freguesia de Apoucada de Baixo, por mais voltas que se lhe dê. Como, então, fazer com que aquelas pessoas que estão lá em casa, no sofá, a comer couratos e a pensar que têm de acordar às oito na matina no dia seguinte, não mudem de canal ao mínimo momento morto, à mais pequena perda de interesse?

 

Só há dois elementos diferenciadores: o cenário e os comentadores.

Quanto as cenários, há anos, desde que os israelitas trouxeram um software inovador que permite projectar quaisquer fundos atrás e por baixo dos apresentadores (é o que se diz...), há anos, dizíamos, que nos habituámos a ver a Judite de Sousa a flutuar em Marte, a Clara de Sousa a navegar por um espaço que parece sopa de aletria, ou os participantes no “Eixo do Mal” instalados no que parecem ser as ruínas de Mikonos refeitas pelo Souto Moura encharcado em alucinogénios. Os únicos objectos que ainda têm alguma semelhança com a realidade são as mesas, que não podem ser projectadas, mas aí as economias fazem com que a mesma mesa sirva, por exemplo, ao “Expresso da Meia Noite” e aos “Negócios da Semana”. Ficamos a imaginar os intervenientes de um programa a sair à pressa da mesa para entrarem os seguintes, enquanto a régie muda as nuvens de Juno para as rochas das Hades. Adiante.

Então, ontem, o espaço virtual da RTP era muito deslavado, com uma espécie de passadeiras num salão sem decoração, onde os apresentadores deslizavam como os marcianos de “Marte ataca” (o filme do Tim Burton). Na TVI, o fundo de faixas sempre em movimento dava a sensação de sermos Jonas dentro da baleia, enquanto víamos, perplexos, Miguel Relvas renascer da morte mediática para discutir pacatamente com Constança Cunha e Sá o Governo do Futuro. Demasiadas informações desconexas para uma mente normal.

As melhores cores, os fundos mais calorosos e os comentadores mais familiares estavam todos na SIC Notícias. Houve uma altura, por exemplo, em que os dois minions habituais, Marques Mendes e António Vitorino, trocavam impressões com o vozeirão e ego indestrutível de Miguel Sousa Tavares, o que até teve algum interesse.

Houve um momento “Guerra das Estrelas”, quando Rodrigo Guedes de Carvalho, suspenso numa nave espacial, disse: “E o vencedor é... Pedro Passos Coelho!” e a figura de Passos Coelho apareceu ao lado dele, projectada por um lazer, com volume e tamanho reais. O futuro!

 

Portanto, e para resumir uma longa noite, o vencedor foi a SIC Notícias. Quanto aos outros, fiquem-se com o mantra habitual: em Democracia, há uns que ganham e outros e perdem. E daqui a pouco – parece que já daqui a oito meses – haverá outra oportunidade.

 

 

publicado às 01:41

Gilberto, o homem que não pensa mas existe

Por: Márcio Alves Candoso

 

É taxista há quase 40 anos, e viveu a democracia quase toda agarrado ao volante de uma vida que não escolheu. É boa pessoa, acho. Não sabe onde vota. Perdeu o cartão, mesmo que já não haja, e ele não saiba que já não é preciso. Se não votar, não saberá nunca o que perdeu por isso. Se é que perdeu. Ninguém lhe passa cartão e ele responde mudo, do mesmo modo.

 

Gilberto mudou de concelho. Era o três mil e tal de Oeiras, agora não sabe que número lhe ferraram em Sintra. Sabe a matrícula do carro, e que tem de mudar o óleo aos 800 mil quilómetros, que aquilo já não é novo. Uma vez foi a Espanha, levou-o um tio. Viveu na raia, na serra, antes de vir para Lisboa, aos 14 anos. É um bocado gordo e corado. Tem cerca de meio século, e nunca foi a Lisboa, sítio onde vive há quase quarenta anos. Nunca viu, nem percebeu, onde estava. Se lhe doeu, já não se lembra.

 

Nem sequer emigrou. Não sabia a que horas era o comboio. Não sabia que havia um comboio que atravessa a fronteira, que, na que ele sempre conheceu - e que um dia o levou a Espanha -, não passa nenhum comboio, só um ribeiro que é 'Tajo' de um lado, sendo Tejo na leira que o escolheu para criança.

 

Gilberto não pensa, mas existe. E é casado com a Luzia, embora passe mais tempo com o taxímetro. O mesmo não se pode dizer de Catarina. Ou de António, Pedro e Paulo. Ou de Jerónimo. Estes pensam. Mas é difícil dizer se existem.

 

O povo saiu à rua e a rua ficou vazia. É quase sempre assim quando se vota. Não se nota a diferença entre o antes e o depois. Como é normal em democracia, aconteça o que acontecer amanhã, os transportes vão rodar, os bancos vão penhorar, o Chico da Mouraria vai continuar a cantar, e até a Rosa Maria, da Rua do Capelão, parece que tem virtude. Pelo menos relativa, quando cotejada com um sujeito que é lingrinhas, sentado à secretária da casa da Mariquinhas.

 

Será que chega? A fome, dizia um reitor da Universidade do meu tempo, enquanto palitava os dentes e sorria com as obturações e as pontes, depende da vontade de comer. E não é que o homem tinha razão? Os insaciados têm sempre duas faces, dois modos de ser advérbio. Normalmente são esfomeados. Mas aparentemente são gulosos. Depende de quem arrota por perto. É normal em democracia. É a abóbora da vida.

 

Portanto, e salvo erro ou omissão de Belém, amanhã temos o País estrugido num molho de bróculos. É quase normal em democracia, sendo que é pior se for ditadura. Raio de gente originalmente pecadora que, em mais de quatro mil anos de história humana, ainda não inventou alternativa de cima!

 

O resto, é o do costume. No PS afiam-se as facas longas, no CDS é-se do PSD e no PSD estabelecem-se primazias. No PCP celebra-se a vitória, mais uma das tantas que já conheci, mas quase nunca senti, em quarenta anos de democracia. E a Catarina tem olhos verdes, e basta ela.

 

Os filhos do Gilberto e da Luzia vivem à beira da porta das 'Partidas', num terminal de aeroporto que fica ao Norte de Lisboa. Sem saídas. Vão na fila do meio milhão que não esperou por eles. E os quase meio milhão de bandidos que, de forma corajosa, irresponsável - e tão lúcida que mete medo -, não têm deputado, e que esperam um dia sentar-se à mesa do fim da fome representativa, lá onde há um método de Hondt que faz de conta que eles não amam.

 

E os abstencionistas de Bragança, de Vila Real, de Viana, de Beja ou do ó da Guarda, e de todos os distritos que não há forma de serem nada. Ou são por um ou pelo outro, que é o mesmo de antes com outros contornos, mas calçado nos mesmos coturnos. Condenados à igualdade, são os inferiores do reino.

 

E os desempregados que duram para lá do subsídio, e que estagiam no pão duro de uma entrevista sem forma, a três euros e mais não digo. São tão estafermos, tão indignos, que até são menos do que realmente são.

 

Lá vamos. Rindo com o PS de esquerda, de costas para qualquer margem. Cantando com a social-democracia, de passos que já não voltam. Dançando com a agri-mentira deportados de reforma. Escutando os amanhãs que não sobram, de Jerónimo e os seus apaches. E ainda assim Catarina, menos caviar e champanhe, mas mais 'presunta' e mais 'tinta', teatralmente conseguida.

 

Quando chega ao fim da rua, um dia de fim de vida, o Gilberto desliga o taxímetro. São nove euros e mais uma corrida. Sobram-lhe uns trocos.

 

Valentes e imortais.

  

publicado às 00:28

Millenials: geração o quê mesmo?

Por: Helena Oliveira

 

 

São narcisistas, egoístas, otimistas, preguiçosos, ativistas, desligados, ligados, geniais, limitados, uma bênção e um problema paraas empresas. E também a geração mais estereotipada e escrutinada de sempre. Mas afinal o que distingue estes jovens e por quemotivo se gasta tanto latim e tinta a falar deles?

 

Se fizer uma pesquisa simples no Google utilizando a palavra “millenials”, o motor de busca devolve 14 milhões e 400 resultados; se substituir o termo por “generation Y”, os resultados sobem para os 196 milhões e, se optar por “estudos sobre os millenials”, o Google oferece-lhe 781 mil à escolha.

Em 2016, Jennifer J. Deal, uma investigadora do Center for Creative Leadership irá publicar (mais) um livro intitulado “What Millenials Want from Work: How to Maximize Engagement in Today’s Workforce”. A autora, que estuda esta (e as outras) geração há cerca de 17 anos, tem uma certeza absoluta: o que mais distingue este grupo de jovens, cujas idades variam (dependendo a quem se pergunte) entre os 18/19 e os 34/35 são… as tatuagens. “WTF?” – diria, decerto, um membro desta faixa etária. Só podem estar a gozar. Com tantos estudos, relatórios, capas de revistas, artigos, livros, especialistas culturais, sociólogos, psicólogos, profissionais de marketing, visionários de tendências, antropólogos organizacionais, consultores - entre uma enorme panóplia de outros tantos - a gastarem tempo e recursos para compreender, psicoanalisar, traduzir ou adivinhar os seus padrões de consumo, a forma como se comportam nos locais de trabalho, a melhor maneira de as empresas os atraírem e reterem, entre mil e um outro tipo de “questões muito importantes”, e esta senhora diz que o que mais distingue a também denominada geração Y é o número de tatuagens face às gerações que os precederam?

“Então e a história de sermos nós os ‘nativos digitais’, a net generation, que trata a tecnologia por tu, a primeira geração da história a saber mais que os progenitores, a mais bem preparada academicamente, a que está a alterar a forma como se trabalha nas empresas, a que prefere salvar o mundo do que salvar-se a si mesma com um bom salário, que não vai em tretas de trabalhar muitas horas porque há que ter tempo para os demais prazeres da vida, etc., etc., etc.,?” – perguntará outro espécimen desta tribo.

Ao que um representante informado da geração que a precedeu – aquela que ficou conhecida como X devido ao fotógrafo Robert Capa da famosa Agência Magnum, que retratou, num ensaio fotográfico, os que nasceram fruto da alegria do final da Segunda Guerra Mundial e da vontade incontrolável dos seus pais de fazerem filhos, sim, os tais Baby Boomers – poderá contrapor afirmando: “esses preguiçosos, narcisistas, egoístas, superficiais, mimados, habituados à gratificação instantânea, que só grunhem, não ouvem ninguém porque têm sempre aquelas coisas penduradas nos ouvidos, que teclam em vez de falarem, que não têm respeito pelas chefias, que não usam gravata nas reuniões, que acham que tudo deve ser feito em colaboração porque preferem não ser responsabilizados por nada, que vivem em casa dos pais porque gastam o dinheiro em viagens e que ainda mostram os seus narizes empinados ou as suas duck faces em selfies?”

O diálogo intergeracional que acabou de ler, apesar de ficcionado, espelha bem as variadas e opostas generalizações que, bem veiculadas pelos media apaixonados por estereótipos, perseguem a denominada geração millenial ou Y.

“Toda e qualquer geração imagina-se a si mesma como mais inteligente do que a precedeu e mais sábia do que a que a irá substituir”, afirmou, e com aparente razão, George Orwell. Mas, afinal, que motivos explicam a predileção exacerbada em escrutinar estes jovens que, indisputavelmente, cresceram com a presença ubíqua da tecnologia (para além do seu gosto por tatuagens)?

Em 2025, 75% da força laboral mundial será composta por millenials (se tiverem a sorte de ter trabalho)

Estatisticamente, existem vários fatores que conferem a este grupo uma merecida singularidade comparativamente às gerações que o precederam e, na medida em que o que é diferente angaria sempre atenção, faz algum sentido que sejam muitos os que desejam falar sobre os millenials.

Nos Estados Unidos, de onde é proveniente a maioria de estudos e relatórios sobre os mesmos, os millenials constituem a maior geração da sua história, com cerca de 75 milhões de representantes, sendo estimado que, em 2025, 75% da força laboral global seja por eles constituída. O que efetivamente os distingue é o facto de terem crescido rodeados de progressos tecnológicos constantes e de terem acompanhado a ascensão dos media sociais, para além de terem no currículo os níveis de educação mais elevados de sempre. Todavia e ironicamente, e porque cresceram também ao longo da grande recessão, num ambiente de turbulência económica, os seus elevados níveis académicos não impediram, pelo menos até agora, de ganharem muito menos dinheiro e de sofrerem elevados níveis de desemprego comparativamente aos seus pais com a mesma idade.

Apesar de cada país ter os millenials que merece, graças à globalização, aos media sociais e à exportação da cultura ocidental em tempo real, esta denominada geração Y acaba por ser mais homogénea em diferentes países do que o que acontecia, por exemplo, com os Xers ou os Baby Boomers, mais condicionados pelas fronteiras culturais e físicas que, entretanto, deixaram de existir.

Mas o que realmente parece importar para explicar toda esta atenção desmesurada prende-se com o facto de, também pela primeira vez na história, ser comum encontrar-se, no local de trabalho, quatro gerações diferentes a trabalhar lado a lado. Ora, uma força laboral multigeracional encerra algumas tensões que, de acordo com os gurus organizacionais, têm de ser antecipadas e solucionadas, não vá o diabo tecê-las e colocar em causa a tão necessária produtividade empresarial.

Com os estudos sobre estas supostas “aves raras” a multiplicarem-se, fomos igualmente assistindo a um conjunto de informações que, apesar de contraditórias, tinham como objetivo comum ajudar as empresas a compreender, apaparicar e lidar com esta geração que, aos olhos dos que os “investigam”, parecia fazer sombra às demais.

Os millenials podem ser descritos como jovens que privilegiam o bem-estar, desafiam os padrões convencionais de trabalho (considerados rígidos ou muito pouco flexíveis) em prol da flexibilidade e mobilidade, dispensam os horários laborais fixos e encaram a vida como um todo, aproveitando cada momento e não fazendo distinção entre trabalho, família e diversão e que se regem pela máxima “work hard, play hard”. Mas também há quem os considere preguiçosos. Na medida em que os seus cérebros não estão preparados para armazenar informação, pelo simples motivo de nunca terem tido necessidade de fazer esse exercício, apesar de mais aptos a desempenhar diversas tarefas em simultâneo e a mudar de registo (ou de chip) de forma quase imediata, o que agrada aos empregadores adeptos da necessidade do multitasking, são também acusados de serem demasiado impacientes e de não compreenderem, nem aceitarem, o modelo tradicional da gestão que pressupõe que a totalidade da informação esteja apenas acessível aos órgãos superiores das empresas e vedada aos restantes trabalhadores.

O problema - se é que existe - é que, à medida que o tempo passa, uma considerável quantidade de millenials começa agora a chegar a posições de liderança no interior das empresas e, depois de vários anos a serem escrutinados e adjetivados simpática ou antipaticamente, as organizações parecem estar crescentemente preocupadas com formas que assegurem o seu sucesso (enquanto líderes, é claro).

Se essa preocupação explica, em particular nos últimos dois anos, a profusão de novos relatórios que constatam a existência de mitos, preconceitos e falsas verdades que colocam em causa tudo o que já se escreveu e debateu sobre esta geração - que tanto é considerada narcisista e preguiçosa, como otimista, ativista e cheia de energia – não se sabe ainda. Mas a verdade é que se voltarmos a fazer uma pesquisa no Google, desta feita com a expressão “(quase) tudo o que sabemos sobre os millenials está errado”, os resultados começam também a ser abundantes.

Uma outra curiosidade face a toda a pesquisa que já se efetuou sobre esta geração é o facto de, por cada novo relatório apresentado por entidades reconhecidas, sejam as grandes consultoras, as mais famosas universidades e outros especialistas insuspeitos, nos é garantido, e às empresas, que o estudo em causa é “o mais representativo e abrangente” feito até então, o que confere sempre um “valor acrescentado” às supostamente novas descobertas.

Assim, e se quase tudo o que sabemos sobre esta geração está errado, em que devemos acreditar?

Me, myselfie and I

Quando, em 2013, a revista Time escolheu para tema de capa esta “Me, me, me generation”, a questão do seu narcisismo exacerbado foi pormenorizadamente analisada. Munida de complexos estudos psicológicos e de estatísticas provenientes de um sem número de fontes académicas insuspeitas, o artigo principal da revista centrava-se, exatamente, na incidência de uma desordem narcísica que marcava esta geração. “De acordo com o National Institutes of Health, esta desordem de personalidade narcisista afeta três vezes mais os jovens na casa dos 20 anos comparativamente aos que têm 65 ou mais anos”, podia ler-se. Adicionalmente, a revista norte-americana citava um estudo recente que assegurava que 40% dos millenials auscultados acreditavam que deveriam ser promovidos, independentemente da sua performance; a obsessão com a fama foi outra das características que a Time “estudou” e comprovou estatisticamente, em conjunto com um “atraso” no seu desenvolvimento, comprovado pelo facto de existirem mais jovens entre os 18 e os 29 anos que viviam com os pais e não com um(a) companheiro(a). E, por fim, a cereja no topo do bolo: a organização sem fins lucrativos Families and Work Institute reportara, em 1992, que 80% dos menores de 23 anos desejavam ter, um dia, uma posição de elevada responsabilidade. Dez anos depois, o mesmo instituto assegurava que este número tinha descido para apenas 60%. A preguiça estava “cientificamente” comprovada.

Mas o cenário quase apocalíptico da revista sobre estes estranhos jovens não se ficava por aqui. Sublinhando a ideia comummente aceite de que os millenials interagem entre si o dia inteiro apenas através de um (ou vários) ecrã, sentando-se uns ao lado dos outros sem conversarem mas em permanente ‘estado de texting’, a Time explicava que estes estranhos jovens “podem parecer calmos, mas sofrem uma profunda ansiedade por poderem estar a perder algo melhor”, nos seus vários universos virtuais. “Setenta por cento consultam os seus telemóveis em cada hora que passa e muitos sofrem do ‘síndrome da vibração fantasma no bolso’”, assegurava o artigo, citando ainda uma reputada professora de psicologia da Universidade da Califórnia, autora do livro “iDisorder” que afirmava que “este comportamento serve para reduzir os seus níveis de ansiedade” e que a sua busca constante por uma dose de dopamina [o neurotransmissor do prazer e da recompensa], protagonizada por um mero like na atualização do seu estado no Facebook, contribuía para a redução da sua criatividade. A propósito deste último item, a revista recorreu igualmente aos Torrance Tests of Creative Thinking, os quais, em meados dos anos de 1980, comprovavam um aumento da criatividade nas crianças de então, a qual descia a pique em 1998, o mesmo acontecendo com a avaliação da empatia, em 2000, queda esta explicada pela ausência de comunicação face a face e dos graus elevados de narcisismo de que padece (?) esta geração.

A revista assegurava, assim, que os millenials não só careciam da empatia necessária para se preocuparem com os outros, como também demonstravam problemas, a nível intelectual, que os impedia de compreender os pontos de vista alheios.

Feito este retrato arrepiante, para os próprios, para os Boomers e Xers, seus progenitores, e para as desgraçadas empresas que não sabem como lidar com esta geração tão “fora” dos parâmetros da normalidade que a todos sossega, o que mais sugerem os estudos nos últimos dois anos?

Surpresa: afinal a tecnologia não criou monstros autistas

Mitos, exageros e verdades desconfortáveis: a história real dos millenials no local de trabalho” é o título de um relatório publicado, em 2015, pelo IBM Institute for Business Values, o qual levou a cabo um estudo intergeracional de empregados em 12 países. Em termos muitos sintéticos, o estudo conclui que os representantes da geração Y – enquanto nativos digitais – oferecem um valor vital ao ambiente laboral que sofre mutações constantes próprias da revolução digital, mas que, por outro lado, e em vários patamares, os que estes jovens pretendem, em conjunto com os seus padrões de comportamento, é muito similar ao que os seus pares mais velhos desejam.

Afinal e pasme-se, as suas expectativas e objetivos de carreira não são diferentes das gerações que os precedem: a segurança financeira e a senioridade surgem, tal como nos Xers e nos Baby Boomers, como objetivos primordiais a atingir; a sua vontade constante de serem reconhecidos é exatamente a mesma da dos seus pares de trabalho; a ideia de que, sendo eles “viciados digitais” que tudo fazem e partilham online, sem respeito pelas fronteiras pessoais e profissionais, é também errada, na medida em que, por exemplo, preferem o contacto face a face quando estão a aprender novas competências no trabalho (na verdade, os millenials são, de acordo com este estudo, mais “capazes” de traçar linhas divisórias entre as suas vidas pessoais e profissionais no que respeita aos media sociais do que os próprios Xers ou Boomers); a história, tantas vezes repetida, de que, ao contrário dos colegas mais velhos, não conseguem tomar uma decisão sem primeiro ouvirem a opinião de vários é, agora também, desconstruída: apesar da sua reputação e tendência para o crowdsourcing e de ser legítimo afirmar que tomam melhores decisões quando pedem conselhos a várias pessoas, o mesmo acontece com dois terços dos Xers entrevistados; e, por último, a crítica que lhes é normalmente feita no que respeita a serem “saltimbancos de emprego” quando a função que exercem ou a empresa em que trabalham deixa de lhes despertar paixão pode igualmente ser atribuída tanto aos Xers como aos Baby Boomers: mais de 40% de todos os entrevistados admitiram mudar de emprego por mais dinheiro e por um ambiente de trabalho mais inovador.

Regressando a Jennifer J. Deal e à sua longa pesquisa no que às diferentes gerações diz respeito, é possível concluir que, afinal, todas as gerações que compõem as fileiras laborais da atualidade são, em maior ou menor escala, significativamente estereotipadas. A investigadora oferece, num seu livro anterior, a visão generalizada que se tem das várias gerações – a Geração Silenciosa (nascida antes de 1946), que valorizava o trabalho árduo, os Baby Boomers (1946-1964) que enaltecem a lealdade, os Xers (1965-1980) que desejam a conciliação entre vida profissional e familiar e os millenials que anseiam, acima de tudo, por inovação e mudança. Ou, como escreve, em termos de estereótipos negativos, “os Silenciosos estão fossilizados, os Boomers são narcisistas, os Xers são acomodados e os Millenials são ainda mais narcisistas do que os Boomers”. “O que não é verdade”, garante. Para esta investigadora, as gerações que se encontram em idade ativa valorizam, simples e essencialmente, as mesmas coisas, apesar de terem diferenças entre si e ainda bem.

Sendo assim, talvez seja a altura certa para se contradizer a retórica que predomina nos 781 mil estudos (e mais alguns que tenham parecido entretanto). Mais do que se espartilhar este grupo e encerrá-lo num compartimento estanque preenchido por verdades absolutas, talvez seja mais sensato e inteligente pensar que a vida é feita de estádios e que, tal como os Xers, por exemplo, cresceram e adaptaram-se, enquanto imigrantes digitais, a um ambiente laboral inovador, com novos valores e desafios, o mesmo irá acontecer a estes jovens. As atitudes e os comportamentos não são inalteráveis. Nem as culturas organizacionais e as receitas para a liderança.

Encarar os millenials como um “desafio” – para colocar a questão em linguagem de negócios – em nada contribui para a saudável convivência intergeracional nas empresas. Mas conferir um peso igual às inegáveis novas competências que esta geração traz para a força de trabalho - e sim, é prodigiosa a sua capacidade para colher e interpretar várias fontes de informação, bem como a sua competência para trabalhar em rede e aproveitar todas as vantagens do mundo digital – só trará benefícios não apenas aos seus pares mais velhos, como à empresa e, é claro, ao que mais interessa: a produtividade.

Por último, um apontamento pessoal à grande diferença (para além da mestria tecnológica) encontrada pela senhora Deal que caracteriza esta geração: uma viagem aos areais portugueses iria, decerto, baralhar a sua investigação. Tatuagens? Dos Baby Boomers aos Xers, elas andam aí.

 

Helena Oliveira é editora do Portal VER, tradutora e autora de “Palavras de Steve Jobs” e coordenadora de várias publicações na esfera económica. Gosta de fazer incursões noutros territórios editoriais e, desta curiosidade resultou já o conto infantil “O verdadeiro Pai Natal”. Gosta de ler, e de ler, e de ler, que são basicamente os seus hobbies favoritos. Antropóloga de formação, interessa-se pelo comportamento humano em geral, e pela sua interceção com as tecnologias em particular. O estranho e culturalmente fértil mundo das empresas é, igualmente, uma das suas áreas de preferência.

 

 

 

publicado às 18:29

Não peçam votos, peçam likes. Não queiram eleitores, arranjem fãs

Por: Rute Sousa Vasco

 

Votar é tão século XX. O mais importante hoje é ser popular e o resgate da democracia é bem capaz de precisar de uma ajuda dos famosos. As celebridades, afinal, sabem bem quão importante é manter os fãs satisfeitos. A nossa vida é um grande concurso de talentos.

 

Foi descrita como ‘assustadora’ e ‘aterradora’ mas, estando ainda em fase de testes, já tem 5000 membros registados e recebe todos os dias 100 pedidos de acesso. Chama-se Peeple e é uma app para avaliar, pontuar, votar em seres humanos. Todo e qualquer ser humano, um ex-namorado, o chefe, o colega de escola ou a vizinha que encontramos no supermercado. Exactamente da mesma forma como se avaliam livros, músicas, carros. Um permanente escrutínio público dos nossos pontos fortes e fracos, como qualquer produto de consumo.

 

Apesar das críticas que choveram sobre o negócio que Julia Cordray e Nicole McCullough vão lançar em meados de Novembro, as duas empreendedoras descrevem o seu produto, simplesmente, como uma ‘app de positivismo para pessoas positivas’. Num vídeo promocional, em que Julia Cordray aparece a explicar a um potencial utilizador o que a Peeple irá fazer, a fundadora diz, positivamente, “nunca disseste às pessoas o quão extraordinário és”.

 

No dia em que estamos à beira das eleições de todas as incertezas em Portugal, apenas um dado parece consensual. É provável que a abstenção continue a aumentar. É provável que o novo governo consiga um mandato suportado por menos votos efectivos. É possível que haja mais pessoas no Facebook e no Twitter a discutir o governo, a oposição, a insuportável política do que pessoas a expressar votos em partidos. É quase inevitável que sejamos liderados por uma minoria de votos expressos, sejam quais forem os cenários de governabilidade. Isto é igualmente assustador e aterrador.

 

Estamos na era dos narcisos. Todos nós, uns (claramente) mais que outros. A popularidade é uma obsessão. Ter likes, ter fãs, ter comentários, ter shares é muito mais importante na vida de cada um do que ir votar – anonimamente – num determinado partido – de pessoas que não se conhece – e … sem nenhuma gratidão. Nem um comentário público – ‘obrigadinha Zé, pelo teu apoio, foi importante para mim, pá!’, nada.

 

Estamos fascinados com rankings, votos, quem sobe e quem desce, com números que traduzem a nossa popularidade, sociabilidade, escalabilidade. A tecnologia materializa, às vezes bem, às vezes menos bem, tão somente isso. As pulsões humanas, aquilo que nos faz correr. Foi por isso que os investidores adoraram a Peeple. Quanto adoraram? Adoraram em 7,6 milhões de dólares. É quanto merece de crédito uma ideia que, basicamente, põe pessoas a dar pontos a outras pessoas e a dizer coisas sobre outras pessoas. Publicamente. Sem que possa ser removido (ainda que possa ser questionado no prazo de 48 horas pós-publicação. Ena!).

 

Este é o novo palco da opinião pública. Estas são as suas ferramentas. Estes são os seus interesses. ‘Facebookizamos’ a nossa existência. Agora ‘Amazonazamos’ as nossas relações com os outros também.

 

Talvez por isso tenha sido tão mais importante fazer tracking polls diárias do que campanhas pró-voto. Tenho muitas dúvidas sobre o contributo para a cidadania de ter umas eleições transformadas num jogo de futebol (quem está a ganhar, quantos há? quantos há?). Tenho bastantes certezas sobre a dificuldade, cada vez maior, de fazer ouvir um discurso sério sobre democracia, eleições, o valor do voto. E é por isso que, ironias à parte, devíamos todos aprender alguma coisa com a tecnologia. Afinal ela só nos mostra o que as pessoas andam – realmente – a pensar e a querer fazer.

E é isso que, com inteligência e sentido de cidadania, talvez ainda possa salvar a democracia.

 

Power to the people.

 

Tenham um bom fim-de-semana!

 

Leituras sugeridas

 

 

E porque falamos de democracia e abstenção, fica a recomendação de leitura do artigo da Marina Costa Lobo, no Público. Diz assim: “A verdade é que no século XXI em Portugal, houve apenas uma eleição em que a abstenção diminuiu: tratou-se da eleição de 2005 – ano da primeira e única maioria absoluta do PS, em que “apenas” 35,7% dos portugueses não votaram, enquanto na eleição anterior, em 2002, esse valor tinha sido 38,5%. Fora 2005, a abstenção tem vindo sempre a subir neste novo século. Em 2009, atingiu 40,32% e em 2011 chegou ainda um pouco mais alto, ficando nos 41,97%.”

 

“É dos teus olhos”, dizemos condescendentes, mas de ego cheio quando alguém nos elogia a beleza. É mesmo dos olhos de quem vê, confirma a ciência. A avaliação da beleza é individual e intransmissível, depende da história de cada um de nós, das suas experências, e não da sua genética. É o resultado do estudo dos psicólogos Laura Germine e Jeremy Wilmer que o El País nos dá a conhecer.

publicado às 09:21

O mail de um eleitor

Por: Pedro Rolo Duarte

 

 Façam de conta que recebi este mail:

“Caro Pedro,

Não nos conhecemos e, talvez por isso, achei que podia desabafar consigo. É como na psicoterapia: terminada a sessão, esqueço-me do terapeuta e ele esquece-se de mim e passa ao seguinte. Tome o meu desabafo assim, apenas como o testemunho de um eleitor comum, cidadão comum, perante um jornalista.

Para vos dizer, e tomo o Pedro como mensageiro para a sua classe, que vocês, jornalistas, não têm feito um bom trabalho. Falo por mim. Quando a pré-campanha começou eu não sabia em quem votar, nem tinha a certeza de ir votar. O voto em branco era o mais provável. Passei as passas do Algarve nos últimos quatro anos, mas ainda não me esqueci do PS nos anos anteriores. Esta memória bastaria para o tal voto em branco.

 

Mas é pior. Não me revejo nos grandes partidos, que sistematicamente me enganam desde 1975. Não me revejo nos pequenos, por não lhes dar crédito ou não terem tempo de antena suficiente para me convencer. O sistema está montado para funcionar neste vácuo… Nunca os pequenos serão grandes, nunca os grandes deixarão de o ser. Vocês, jornalistas, contribuem para que este estado se perpetue… Uma vez mais, nesta campanha, seguiram a lógica do grande espectáculo e do pequeno soundbyte.

 

Porém, acrescentaram-lhe um pequeno/grande elemento, que fez toda a diferença: as sondagens diárias, em várias frentes, e com resultados nem sempre semelhantes. Esta inovação da “corrida diária” ía dando comigo em doido: por ver a coligação governamental subir, ponderava um voto útil; por ver o PS subir, ponderava o voto em branco; por ver os pequenos partidos ganharem alguma dimensão, ponderava escolher um deles. Os meus dias transformaram-se num inferno de duvidas, num mar de interrogações, acima de tudo numa insanável certeza de que qualquer voto é, na verdade, um voto no escuro.

 

E é assim que chego a esta quinta-feira. No escuro. Sem saber de quem desconfio menos, sem saber quem me vai enganar melhor, sem saber que raio de valor tem o meu voto (até podem mais votos e menos deputados dar um governo diferente…).

 

Caro Pedro: eu sei que é mais fácil e tentador matar o mensageiro do que procurar a origem da mensagem. Há séculos que assim é. Mas sem querer ser injusto, deixe-me que lhe diga: na próxima segunda-feira, além dos berbicachos que o Prof. Cavaco Silva vai ter de resolver, talvez vocês, jornalistas, devessem obrigar-se a um trabalho de casa. Olhar para o trabalho feito e pensar um pouco sobre ele. Perceber até que ponto se deixam enredar nestas teias que os partidos tecem para se manterem à tona da água.

 

Só para acabar: eu até acho que o nosso jornalismo é livre e tem um razoável módico de independência. Mas não deixo de sentir que, por falta de dinheiro ou vontade, alinha mais vezes do que devia na tal “espuma dos dias” que nos deixa assim, às escuras, nos momentos cruciais."

 

Pronto. Imaginem que recebi um mail assim.

 

Coisas que me deixaram a pensar esta semana…

 

As eleições na Catalunha: gosto de ler as reportagens e análises da revista The Atlantic.

 

Ainda que seja um leitor da original norte-americana, não deixo de sugerir que leiam a Esquire espanhola - um bom exemplo de uma revista que não cede à tentação dos modismos actuais. De qualquer forma, a chegada ao numero 1000 da revista mãe merece a nossa atenção. E uma saúde!

 

Os jornais espanhóis não param de experimentar mudanças, tentar conquistar leitores, não desistir da “guerra” do papel. Agora foi a vez do El Mundo, que desde há poucas semanas renovou a sua oferta editorial de domingo com dois novos suplementos (“Zen”, cujo nome diz tudo; e “Papel”, dedicado à reportagem), e a renovação de mais um (A economia no “Mercados”). Resultados a ver nos próximos meses…

 

publicado às 10:52

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