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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Catarina Martins na lista das personalidades que estão a agitar a Europa

“A cara da esquerda”. É assim que o site Politico descreve Catarina Martins. A líder do Bloco de Esquerda (BE) foi eleita uma das 28 personalidades que estão a agitar e a mexer com a Europa.

A atriz de 42 anos, que se veste de jeans e camisas vermelhas, veio mudar o jogo político português ao conseguir o terceiro lugar nas eleições de outubro, num meio dominado por homens de fato e gravata, enquadra o artigo.

 

“São todos homens com o mesmo ‘background’ e a mesma forma de pensar”, afirma Catarina Martins sobre a classe política portuguesa. “Os políticos precisam de falar sobre coisas que as pessoas percebam, numa língua que elas entendam”, defendeu a líder do BE.

 

O site especializado em política destaca também o papel relevante que o Bloco desempenhou na formação do novo governo em Portugal. “A única mulher que lidera um partido conseguiu levar a extrema-esquerda para o centro do poder, algo que não acontecia desde a década de 70”, pode ser lido no perfil traçado.

 

Uma mulher que conta com o apoio de outras mulheres no partido é algo que não passa em branco neste artigo, que cita também “a estrela do parlamento” Mariana Mortágua e Marisa Matias, candidata do Bloco às próximas eleições presidenciais.

 

“Sempre lutei pela grande visibilidade das mulheres nos assuntos públicos, pois penso que só assim conseguiremos ter igualdade”, disse ao site Catarina Martins.

 

O artigo termina com três perguntas à líder do BE.

 

Um conselho para a Europa? Nós inventamos o estado social. Nós temos de o reinventar.

 

Qual a figura histórica que mais admira? Amílcar Cabral, o líder da guerrilha contra o domínio colonial português em Cabo Verde e na Guiné-Bissau entre 1960 e 1970 – e que foi assassinado em 1973.

 

Quais as três coisas que leva para todo o lado? Um livro, uns ténis e uma mochila.

 

A lista das 28 personalidades que estão a agitar a Europa inclui ainda o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, a líder do Partido Nacional Escocês, Nicola Sturgeon, o artista belga Stromae, o jornalista grego Alexis Papahelas, entre outras figuras de vários quadrantes sociais e dos 28 estados-membros da União Europeia.

 

publicado às 17:09

Vamos encarar o problema de frente: quem paga a informação?

Por: Paulo Ferreira

 

Esta semana tivemos mais um drama no sector dos jornais. O “Sol” e o “i” vão despedir cerca de dois terços dos seus trabalhadores, mais de uma centena. De acordo com as notícias, ficarão cerca de 60 jornalistas para um novo projecto de informação.

 

É mais um capítulo de uma crise que não é de hoje. Dura há uma década e meia e já antes ceifou títulos como “O Independente”, o “24 horas” ou o “Tal & Qual”. E de então para cá já provocou despedimentos colectivos no “Público” e no grupo do “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias” e TSF. Foram já algumas centenas os jornalistas que perderam o emprego nos últimos anos.

 

 

Em Portugal não somos dados a estatísticas rigorosas para tudo e mais alguma coisa como acontece nos Estados Unidos. Senão, é provável que a fotografia que os números mostram fosse semelhante à que se tira por lá: o número de trabalhadores na indústria americana de jornais caiu 36% desde o final dos anos 80 (passou de quase 57 mil para 37 mil). O mesmo se está a passar na generalidade dos países desenvolvidos.

 

É um facto indesmentível. O mundo dos media mudou com as novas tecnologias e a internet. Mudou para muito melhor para os utilizadores, leitores e consumidores de informação e de conteúdos. E mudou para muito pior para os grupos de comunicação social, para os seus donos, gestores e trabalhadores. Sobretudo para os que são feitos em papel, os jornais e as revistas.

 

É fácil perceber porquê. O leitor está seguramente a ler este artigo no seu computador, tablet ou smartphone. Não pagou nada por ele nem para ler nenhum outro que está aqui, no SAPO24. E o mesmo se passa com a generalidade das notícias que lê por todo o lado em milhares de sites. Duas vantagens para si: não paga pela informação essencial que lê e não tem o incómodo de se deslocar a um quiosque para comprar um jornal.

 

Esta é uma verdade que todos conhecemos não há cinco anos, não há dez anos, mas pelo menos há duas décadas, quando a internet se instalou para ficar e a chamada economia real começou a transitar para o mundo digital. E de então para cá, com mais ou menos determinação e sucesso, o mundo da imprensa anda a tentar encontrar fórmulas para recuperar receitas da publicidade que perdeu abruptamente. Mais um número: entre 2005 e 2014 a perda de receitas de publicidade nos jornais americanos caiu 65%. Sim, não é engano. São mesmo 65%. Passaram de 47,4 para 16,4 mil milhões de dólares. Obviamente: se os leitores foram embora o que é que os anunciantes lá ficavam a fazer? No mesmo período, as receitas da publicidade digital, nos sites dos jornais, subiram de dois mil milhões para 3,5 mil milhões. É fácil perceber que a subida destas não compensa a queda daquelas.

 

Quando acontece uma nova desgraça nos jornais portugueses tendemos a disparar em várias direcções. Claro que é difícil aceitar estas decisões. São as vidas das pessoas despedidas que estão em jogo. E não é fácil para estes profissionais, muitos deles competentes, encontrarem alternativas num mercado que está a passar por uma profunda reestruturação na base do seu negócio. Tenho vários amigos e muitos conhecidos em todas essas redacções e o assunto é-me muito próximo.

 

Tendemos também a diabolizar os patrões e accionistas ou os gestores dos jornais. Há-os competentes e incompetentes. Bem e mal intencionados. Como, aliás, sempre houve. Nos jornais ou em qualquer outro sector.

 

Mas o que está em causa nesta crise é diferente, como facilmente se percebe. E abordar este terramoto dessa maneira, apontando aos suspeitos do costume de forma pontual e isolada, só nos desvia do centro do problema e desfoca-nos do que é essencial. E o essencial é que o mundo dos jornais mudou radicalmente nas últimas décadas, o da televisão está a mudar e o da rádio também vai mudar. Porque a tecnologia a isso levou, como há mais de um século o aparecimento do automóvel estragou a vida dos empresários e trabalhadores das carruagens puxadas por cavalos.

 

O problema que se coloca ao jornalismo é simples de enunciar e difícil de resolver: quem o vai pagar no futuro? Como se vai financiar o sector? De onde virão as receitas, pagas por quem e de que forma?

 

A questão não é corporativa. Esqueça lá essa do “cá está mais um jornalista a defender a classe, a zelar pelo emprego e pelas empresas que lhe pagam o ordenado”.

 

É uma questão de qualidade da democracia e da sociedade onde vivemos e que queremos deixar aos nossos filhos e netos. O jornalismo e a informação independente são um bem público absolutamente essencial para uma democracia saudável e plural. Isto nem é nada de novo. Já Thomas Jefferson, um dos “founding fathers” dos Estados Unidos, dizia há mais de 200 anos: “Se pudesse decidir se devemos ter um governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último”.

 

O financiamento do jornalismo e da informação é, então, o tema. E mais uma vez, não podemos continuar na nossa habitual esquizofrenia.

 

Se chegam angolanos e compram jornais, investindo dinheiro que vão perder, são mal vistos e só podem estar ali por motivações insondáveis. Se desinvestem e vão embora, como agora está a acontecer na Newshold, são uns malandros porque provocam despedimentos.

 

A Sonae e Belmiro de Azevedo mantêm o “Público”, colocando lá milhões de euros todos os anos? É o capitalismo a controlar os media.

 

Pinto Balsemão, o “Expresso”, a SIC, a “Visão”? Claro, é para fazer o jeito a alguns amigos políticos.

 

António Carrapatoso e alguns empresários investem e criam o “Observador”? Pois, é um projecto político de direita que está ali só para servir fins ideológicos.

 

É claro que pode haver mil e uma motivações para investir num projecto de comunicação social, nem todas boas. Mas tenho para mim que a independência dos jornais e dos jornalistas se faz essencialmente nas redacções, muitas vezes contra vontades externas e algumas vezes até contrariando accionistas. O poder de uma direcção editorial e de uma redacção na defesa das linhas editoriais é maior do que se pensa. Assim o queiram e saibam utilizar.

 

O que não faz sentido é diabolizar quem investe em jornais e, depois, arrasar os mesmos quando desinvestem para não perder mais dinheiro. Ou fazer discursos bonitos em defesa da diversidade e pluralismo de opiniões e depois atacar o pluralismo e a diversidade quando eles acontecem e se materializam. Cada um só lê o que quer e por que quer. Mas é bom poder escolher entre o “Correio da Manhã” e o “DN”. Ou entre o “Público” e o “Observador”. E entre a “Sábado” e a “Visão”.

 

As democracias terão, rapidamente, que encontrar modelos de financiamento sustentados para a informação.

 

Pode ser através da filantropia e de fundações privadas. Já repararam na quantidade de apoios que a arte e a cultura têm de entidades privadas? Ou nos projectos de inovação e intervenção social que são financiados com lucros de empresas? Ou de causas ambientais? Ainda bem que assim é. As empresas começam a aprender a devolver à sociedade uma parte daquilo que esta lhes dá.

 

O “branded content” também começa a ser utilizado por vários media, como o “New York Times”, para atrair anunciantes e financiar o jornalismo.

 

Por todas as razões e mais algumas, o Estado deve ser mantido fora da equação do financiamento. Mas pode regulá-lo. Um exemplo? Lá mais acima escrevi uma meia verdade, quando disse que o leitor não está a pagar nada para ler este artigo. Na verdade, está. Está a pagar ao seu operador de telecomunicações pela ligação à internet do seu computador, tablet ou smartphone. Paga o acesso, mas não paga o conteúdo. E o operador lucra com um conteúdo onde não investe um cêntimo. Quem pagaria o que paga pelo acesso à rede só para mandar e receber emails e sem conteúdos na rede para ler e ver? Tal como os operadores de televisão por cabo pagam para ter os canais nos seus pacotes, por que não colocar também os fornecedores de acesso à internet a pagar pelos conteúdos?

 

 

Há, certamente, várias fórmulas. Nenhuma é fácil e não há “balas de prata”. Mas o modelo de financiamento da informação independente tem que mudar. Porque ninguém estará disposto a perdê-la depois de a ter experimentado.

 

OUTRAS LEITURAS

publicado às 00:58

Governar bem também pede utopia

Por: Francisco Sena Santos

 

A tarefa dos políticos consiste em resolver os problemas. Marcelo Rebelo de Sousa, intuitivo a entender o essencial, logo que o governo de António Costa foi empossado tratou de murchar o ímpeto de quem andava pela direita encrespado em guerrilhas, ao comentar que “a crise passou, o passado terminou, entrou-se numa nova fase, que é uma fase de futuro”. Marcelo também avisou que “não interessa prolongar o clima de crise política, os portugueses querem é ver resolvidos os seus problemas concretos”. Passou o tempo de Cavaco e dos azedumes. Nem mais.

 

António Costa já nos tinha mostrado, por exemplo na Câmara de Lisboa, como é um político focado e robusto, realista e que realiza. Os últimos meses revelaram-no desastrado na comunicação política de campanha – defeito a que até se acrescenta desleixo na oralização de algumas das palavras. Mas Costa tem uma visão política de bem comum e sabe criar equipas para a concretizar. Consegue meter dentro do pragmatismo uma certa dose de utopia. Todos sabemos como o pensamento utópico costuma ser empurrado para a prateleira do que não é realista. Mas bem nos explica Zygmunt Bauman como a utopia é essencial ao progresso.

 

Este sociólogo britânico de origem polaca, professor emérito na Universidade de Leeds, autor deste inspirador texto Living in Utopia, argumenta que a existência de utopia é determinante para reformar o mundo. Requer a perceção de que as coisas não estão a funcionar adequadamente e que devem por isso ter os seus fundamentos revistos para que sejam ajustadas. Outra condição para concretizar a utopia é, ainda segundo Bauman, a confiança no potencial humano e ter força e coragem para superar os obstáculos. Estamos em tempos que requerem dos políticos capacidade para atuar sobre o que os rodeia e conseguir pilotar a mudança.

 

Costa escolheu para a cerimónia de posse como chefe do governo um discurso claro, atraente, confiante. Fez o retrato sem hipocrisias dos estragos sociais causados pelos últimos anos em deriva com a austeridade, mas logo a seguir afastou o tempo lúgubre e prometeu “de uma vez por todas o reencontro das prioridades da governação com os projetos de vida dos portugueses que têm direito a ser felizes aqui”. Ao reconhecer centralidade às políticas de Ciência, Cultura e Educação confirmou que escolhe um tempo novo.

 

O novo governo tem promissora gente nova no protagonismo político. Manuel Heitor, ministro da Ciência, vem do topo da equipa de quem considero o político que nas últimas décadas mais fez avançar Portugal, Mariano Gago. Tudo faz crer que, outra vez com alguém que cultiva pensar e fazer, vai voltar o investimento nas pessoas para a investigação e a inovação. João Soares tem o instinto político e a curiosidade culta que o recomendam como o ministro da Cultura que tem faltado – o que fez na Câmara de Lisboa atesta o mérito. Não tenho dados para construir desde já opinião sobre Tiago Brandão Rodrigues na Educação, mas espero boa Saúde em Portugal com o ministro Adalberto Campos Fernandes, há muito a preparar-se com competência para a função. O elogio a Francisca Van Dunen na Justiça é generalizado. Azeredo Lopes na Defesa é outra das boas notícias – poderia ser o escolhido para os Negócios Estrangeiros e também seria um promissor ministro acrescentando a visão de “o outro” nas perspetivas da política externa portuguesa. Também muito boa confiança na condução da Modernização Administrativa com a reconhecida Maria Manuel Leitão Marques. Poderíamos acrescentar o Planeamento, o Mar, o Ambiente e outras pastas com expectativa positiva. Deixemos o tempo mostrar. Obviamente, a tarefa é muito, muito complexa. Pedro Nuno Santos tem boa pinta para conduzir a coordenação entre as esquerdas.

 

Para as cruciais pastas económicas e financeiras temos aqui no SAPO quem tenha o melhor saber para analisar. Por mim, um lamento, o de que este governo não tenha um ministro com grande peso político e sabedoria técnica para os assuntos europeus – estou a pensar em alguém como Elisa Ferreira ou Seixas da Costa.

 

Muito da confiança em bons resultados da governação portuguesa passa pelo rumo da Europa. É preciso europeizar a Europa, voltar a valorizá-la com a sua alma solidária, culta e tolerante. Neste momento, quatro dos países do sul da Europa (França, Itália, Grécia e Portugal) têm governo com matriz de esquerda e todos preconizam maior flexibilidade nas regras orçamentais de modo a acrescentar fôlego à Europa. Pode ser um impulso para uma Europa mais solidária depois da opção por uma Europa financeira e utilitária imposta pela realidade da economia e dos mercados. Não é só Portugal que precisa de sair da crise, é a Europa.

 

TAMBÉM A TER EM CONTA: 

 

Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e outros 25 gigantes da high-tech com Bill Gates como porta-voz foram à COP-21 em Paris anunciar uma aliança, que inclui líderes da China e da Índia, para acelerar o desenvolvimento de energias limpas. A parceria junta países e empresas. Esta conferência de Paris, com as vontades políticas já anunciadas na cimeira, vai ser o ponto de viragem para o planeta?

 

Os espanhóis votam daqui a três semanas em eleições que vão mudar a paisagem política do reino. Única certeza: o PP de Rajoy vai perder a maioria absoluta. Mas é improvável que saia do governo na coligação que vem a seguir. A campanha entrou na reta final com este debate que tem a novidade de ter sido organizado pelo El País para (muito eficaz) difusão digital.

 

Cada pessoa é uma pessoa. É uma das mensagens essenciais do Papa ao atravessar, ao longo de cinco dias, a consciência do continente africano.

 

Os refugiados são a maior crise deste nosso tempo. Aqui está um excelente incentivo e teste aos valores e à generosidade de todos.

 

Os jornalistas do “i” criaram, em seis anos, um jornal diário que, apesar das sucessivas trocas de propriedade e de direção, tem identidade e acrescenta. Nada se faz sem recursos. Nada se consolida em sucessivas derivas. O esvaziamento anunciado da redação é uma lástima que anuncia o fim do “i” tal como tem sido. O “Sol” está apanhado pela mesma turbulência que vem de Angola.

 

Duas primeiras páginas escolhidas hoje: esta, e também esta.

publicado às 09:55

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