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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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30 anos de Cavaco Silva, um momento #1: As lições de uma ponte

Por: Pedro Rolo Duarte

 

Falemos como no futebol: uma triangulação. Foi isso que se deu naquela hora de almoço de sexta-feira, 24 de Junho de 1994. Eu estava a almoçar com a minha (então) noiva, Cristina, e a dupla José Eduardo e Florbela Bem, responsáveis da empresa “Casa do Marquês”, a quem entregáramos a produção do nosso casamento, marcado para Setembro desse ano. Como se calcula, para mim aquilo era o mais relevante que podia existir naquele dia, e não havia nada que abalasse a discussão sobre a cor das toalhas das mesas e o menu que faria da cerimónia algo inesquecível.

 

Porém, ao mesmo tempo, havia uns tantos camionistas a bloquear a Ponte 25 de Abril, contestando um aumento de 50% nas portagens, e a tensão aumentava a cada minuto, com policia de intervenção presente e confrontos iminentes. Um visionário do jornalismo, chamado Carlos Cáceres Monteiro, teve a percepção de que aquele momento determinava e marcava o fim de Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro. Ele era director da Visão, revista com escassos anos de vida, e eu era seu editor-geral, espécie de numero dois (em conjunto com um editor-coordenador), e ambos perdíamos dias e dias, em reunião, a tentar fazer uma newsmagazine que Portugal nunca tinha tido.

 

Enquanto debatia tranches de salmão, queijos da serra e vinhos do Douro, o Cáceres telefonava-me desesperado (e sem sucesso…) - queria uma reunião de emergência para avançar para uma edição extra da revista (dado que a edição normal tinha sido publicada na véspera, quinta-feira) sobre o bloqueio da ponte.

 

Falhou a triangulação.

 

O assunto não me incomodou minimamente - com o meu faro politico semelhante ao de um anósmico, entendia que se tratava de um caso de polícia que rapidamente se resolveria. Não foi. Foi o “buzinão” que acabou com Cavaco Silva na governação, para bem de todos nós (ainda que lamentavelmente não tenha acabado com o politico Cavaco Silva, como agora verificamos…).

 

Nessa sexta-feira, à tarde, ainda argumentei que o caso não merecia uma edição especial - mas era evidente que merecia, e que o Cáceres tinha razão. Fizemo-la e eu lá estive, da capa à última página. Sempre a protestar, claro… 

 

Lição primeira: a vantagem de trabalhar com os mais velhos e experientes é aprender todos os dias, e ao mesmo tempo ganhar a humildade que só o tempo nos cola à existência. O Cáceres Monteiro faz falta ao jornalismo cata-vento dos tempos que correm.

 

Lição segunda: em democracia, não há Cavaco deste mundo, com a sua atitude arrogante e prepotente, que vença uma massa de trabalhadores revoltados e furiosos.

 

Lição final: nessa medida, Cavaco Silva foi útil. Com ele aprendemos tudo o que não se pode nem deve fazer em democracia. Espero que esta última lição seja clara para os presidentes que se seguem…

 

Triangulação terminada.

 

 

Este texto faz parte dum conjunto de seis testemunhos pessoais de jornalistas que escolheram um momento definidor do que foi, para eles, o político Cavaco Silva. Leia também:

#2: Era uma vez o Cavaco, por Márcio Candoso

#3: A 'trisneta' do Cavaco, por Diana Ralha

#4: A primeira noite de Cavaco SIlva no ecrã, por Francisco Sena Santos

#5: Cavaco Silva em cinco actos, por Pedro Fonseca

#6: Um caso muito interessante, por José Couto Nogueira

publicado às 18:25

Marcelo Rebelo de Sousa ganhou, António Costa também não

Por: António Costa

 

Marcelo Rebelo de Sousa é o novo Presidente da República, ganhou à primeira volta, ele, sem apoios partidários, sozinho, suportado numa reputação, construída anos a fio no comentário político televisivo, numa carreira académica e na capacidade, única, de falar ao Centro-Esquerda sendo de Direita. António Costa pode estar descansado? Nem por isso.

 

A vitória de Marcelo não é uma revanche de Direita em relação à forma como o PS chegou ao Governo, porque Marcelo não quis, porque foi candidato da Direita apesar de Passos Coelho. O líder do PSD preferia outro nome, Rui Rio à cabeça, mas foi obrigado a apoiar o professor/comentador. Por isso, e por Marcelo ser mesmo um espírito livre, a vitória foi dele, e não dos partidos. O anti-Cavaco, o novo Presidente, fez tudo para ser o candidato de todos os portugueses, prometeu estabilidade política e a defesa da manutenção do Governo de António Costa. Até anunciou a desdramatização da vida política. Mas também a necessidade de garantir a sustentabilidade das contas públicas e da recuperação da economia. Por isso, e porque Costa fugiu destas eleições, parece que o primeiro-ministro e líder do PS é quase um dos vencedores da noite. Não é, é um dos derrotados, por causa do que aconteceu antes, e por causa do que pode acontecer depois.

 

Em primeiro lugar, António Costa ‘inventou’ Nóvoa e criou as condições para que o antigo reitor da Universidade de Lisboa aparecesse como candidato presidencial. Quase tinha o apoio do PS, não fosse a desconfiança que, entretanto, gerou em Costa e o facto de o líder do PS ter outras prioridades, nomeadamente a mais importante de todas, chegar a primeiro-ministro. A iniciativa de Maria de Belém fez o resto.

 

Ainda assim, Costa fez um apelo direto ao voto em Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. A posição oficiosa era clara, o voto deveria ser em Nóvoa, mas a direção dos socialistas tinha de conceder, e por isso surgiu a ideia de ‘primárias de Esquerda’. Ora, no conjunto, os dois apoiados pelo PS tiveram cerca de 26% dos votos, contra 52% de Marcelo, e caíram à primeira volta. É mesmo uma vitória?

 

Além disso, António Costa é também acusado pelos partidos à Esquerda, o BE e o PCP, de ter contribuído para a vitória de Marcelo à primeira volta. E com resultados bem diferentes: Marisa Matias superou as expetativas e consolidou a força do Bloco, Edgar Silva afundou-se e pressiona o PCP a refletir sobre o seu futuro, desde logo no quadro do acordo conjunto que suporta o Governo. A coligação de Esquerda está hoje mais frágil do que estava na sexta-feira.

 

Depois, se é verdade que Marcelo defendeu a estabilidade – em campanha eleitoral, diga-se -, também não é menos verdade que o Governo vai ter um exercício orçamental difícil, para não dizer outra coisa. O esboço de orçamento, pouco prudente, segundo o Conselho de Finanças Públicas, tem objetivos que parecem impossíveis de compatibilizar, a execução vai ser difícil, senão mesmo impossível. Veremos se Marcelo, nessa altura, continuará a ser tão favorável à união e aos consensos.

 

António Costa sabe isso melhor do que ninguém, apesar da amizade pessoal. Por isso, numa iniciativa que revela a sua habilidade política, falou na qualidade de primeiro-ministro e não como líder do PS. Anunciou a disponibilidade para a cooperação institucional e a máxima lealdade institucional. Mas a porta-voz do PS, Ana Catarina Mendes, disse o resto: o Governo espera que Marcelo cumpra o que prometeu em relação à estabilidade política no país.

 

António Costa também perdeu, menos do que outros – uma derrota suavizada pela estratégia eleitoral do novo Presidente, que tudo fez para alargar influência para além do seu espaço político natural. O número absoluto de votos – cerca de 2,4 milhões – ganhos por Marcelo é claramente inferior ao de Cavaco, por exemplo, e idêntico ao da coligação em 2011, o que nos indica que não terá alargado assim tanto, mas foi suficiente para vencer à primeira. E para ter o papel que quiser ter nos próximos cinco anos a partir de Belém.

 

AS ESCOLHAS

 

E porque estamos em dia de ressaca eleitoral, pode ver aqui, em 24.sapo.pt, duas abordagens diferentes às presidenciais. Por um lado, as fotografias da noite eleitoral que, na verdade, acabou cedo e sem surpresas. Depois, um perfil do novo Presidente indigitado feito pela Rádio Renascença. Resumir o currículo de Marcelo ao comentário político televisivo, qual espetáculo de reality show, não é justo com o próprio e empobrece as presidenciais. Marcelo é, e foi, muito mais do que isso, foi aluno brilhante, professor catedrático em Direito e também político em exercício, quando assumiu a liderança do PSD.

 

Boas leituras e até para a semana.

publicado às 11:00

A última piada que ouvi? Que o nosso problema era (só) com os políticos

Por: Rute Sousa Vasco

 

Das eleições presidenciais cuja campanha para a primeira ou única volta hoje termina, já se ouviu dizer muita coisa. Que são maçadoras, que são favas contadas, que são pitorescas, que não interessam para nada, que põem fim ao cavaquismo, que são plurais, que puxam pelas mulheres, que são uma fantochada. Os comentários estão naturalmente centrados nos candidatos e nas suas performances e pouco no eleitorado – todos nós, que os elegemos. Aliás, como o tema das subvenções vitalícias aos políticos bem nos recordou, o único problema de Portugal são políticos imprestáveis e pouco dignos do povo que têm. Porque, naturalmente, a maioria dos portugueses não hesitaria perante a promessa de uma renda vitalícia depois de 12 anos de trabalho – diria imediata e naturalmente que não.

 

Perdoem a ironia. Mas a política somos todos nós e não apenas os políticos, e só assumindo essa responsabilidade partilhada nós, os governados, poderemos exigir mais a quem nos governa. E a democracia é tanto melhor, mais robusta, participada e suportada em valores que nos possam orgulhar, quanto melhor for a vida das pessoas, a educação, a saúde, as casas onde vivem, o mundo que podem conhecer. A ideia romântica da democracia de barriga vazia mas coração cheio apenas serve para perpetuar o mito do bom povo que tanto convém aos efectivos maus politicos e não a todos os políticos. Porque, tal como no povo, não são, não somos, todos iguais.

 

Olhemos para nós próprios e olhemos para o lado. Para aqueles com quem trabalhamos. Para os vizinhos do bairro. Para os pais que encontramos nas reuniões da escola. Quantas atitudes de demonstração de pequenos poderes, apenas porque sim? Quantos comentários discriminatórios ou preconceituosos, apenas porque não se aceita a diferença? Quanta raiva escondida perante os outros que vivem melhor ou simplesmente sorriem mais (essa mania irritante de algumas pessoas de andarem de bem com a vida!)?

 

É mais simples generalizar, e quem não adora uma boa generalização. Os políticos maus, o povo bom, mais uma moeda no carrossel eleitoral para que nos possamos todos voltar a queixar do mesmo. É por nos perceber como povo que Marcelo concorda com tudo e com o seu inverso. É por acreditar que o povo é aquilo que vê à sua volta que Marisa faz piadas com o Sporting.

 

Na realidade, o que quer afinal a maioria dos portugueses? Com alguma probabilidade quer – mesmo – que não se toquem nas vacas sagradas da nação. Que se respeite a igreja, os bons costumes, o Benfica, o Sporting e o FC Porto. Que se digam coisas simpáticas sobre as mulheres – que força da natureza são, que bonitas, que falta nos fazem – mas que não se leve isso longe demais, que o histerismo está logo ali, ao virar da esquina. Que o humor tenha graça mas que não pise o risco, que toda a música seja boa e tenha honras de Estado.

 

Desanimados? Não estejam.

 

Não é um problema só nosso. Parece que é assim em quase toda a parte, a começar pela maior democracia do mundo. A BBC olhou com atenção para o carnaval das presidenciais americanas e mostra como nenhum outro país consegue rivalizar com este sucesso de bilheteiras. Lá como cá, os Donald Trump e as Sarah Palin são grandes animadores de audiências, mas não estão sozinhos – pelo contrário, são acompanhados, em casa, ou nos jantares, comícios e festas pelos milhões de americanos que, afinal das contas, representam.

 

 

OUTRAS COISAS A ACONTECER POR ESSE MUNDO FORA

 

O tema racial regressou em força à 7ª arte. Há menos de duas semanas, Tarantino foi acusado de racista, porque usou a expressão ‘gueto’ na cerimónia dos Globos de Ouro. Agora são alguns actores negros de Hollywood a protagonizar um movimento de protesto contra a não nomeação, pelo segundo ano consecutivo, de qualquer actor negro para os Óscares. Oscars so white, é a hashtag do protesto.

 

Há olhares que nunca vimos e que de repente nos conquistam. O de Leila Alaoui é um deles. Era fotógrafa, tinha 33 anos e foi uma das vítimas do atentado ao hotel Splendid no Burkina Faso que matou 29 pessoas. Deixa fotografias maravilhosas, deixa de certeza mais do que isso.

 

E agora, porque precisamos de notícias que nos façam sorrir, convido-vos a conhecerem o major Peak, o astronauta britânico que tem brindado o mundo com o seu humor visto do espaço. Há flores a nascer fora da Terra, sabem?

 

E mesmo a fechar, uma sugestão de fim de semana. Montalegre é uma vila que vale a visita em qualquer época do ano. Nas sextas-feiras 13, faz uma festa que já se tornou mítica. Mas este fim-de-semana o chamariz é mesmo a feira do fumeiro que em 2016 faz 25 anos. Um belíssimo conforto em dia de eleições, antes ou depois do voto.

 

 

Tenham um bom fim de semana!

 

publicado às 10:55

Marcelo, a TV e o voto

Por: Pedro Rolo Duarte

 

Tornou-se um dos temas mais debatidos nesta campanha morna: Marcelo Rebelo de Sousa levaria vantagem porque foi, ao longo dos últimos anos, comentador politico na TV e na rádio. Ou seja, tornou-se popular. Que eu saiba, não há estudos que comprovem essa relação directa - e a minha intuição diz-me que a popularidade que a presença nos media deu a Marcelo pode, no limite, prejudicá-lo, em vez de o eleger. Não tenho a certeza de que o eleitor comum queira ver na Presidência da República um homem que comentou na TV, que nos divertiu, que soube levar a política até ao lado mais lúdico que pode ter. Como ele, muitos outros fizeram o mesmo - de Marques Mendes a Jorge Coelho - e nunca essa circunstância os tornou presidenciáveis.

 

Sendo um homem académico, culto, com carreira, com perfil - razões que me levam a não esconder que votarei nele -, Marcelo é também o “malandrão” deste universo, o homem com sentido de humor (que falta à maioria dos eleitores, e faltou ao PR em exercício…), e acima de tudo uma figura que não gosta, como Cavaco gostou, de ser paizinho da Nação. Bem sabemos como este país ama quem tome conta dele, mas Marcelo não assumirá esse papel. Ele será, acredito, efectivamente Presidente da Republica, com a marca de uma personalidade que cativa e convoca aqueles de nós que não levam a vida demasiado a sério, cinzenta, sem graça…

 

Assim sendo, a vitória não são favas contadas, e a ideia de que ganha à partida só o prejudica. A popularidade é uma faca de dois gumes: foi ela que levou Carlos Cruz à prisão, como foi ela que levou Lourdes Pintasilgo a tentar (e falhar) ser Presidente; foi a popularidade que fez de Cristina Ferreira um fenómeno - mas terá sido também essa mesma popularidade que acabou, politicamente, com Manuel Maria Carrilho. Dar como adquirido esse conhecimento público é um pouco como aceitar que os ataques terroristas nos tolhem os movimentos. Nuns casos, pode ser verdade. Noutros, terão o efeito contrário.

 

Nesse sentido, as eleições de domingo constituem uma incógnita. Não tenho qualquer palpite para este dia 24 de Janeiro. Só gostava, sinceramente, que os eleitores não dessem razão ao Rodrigo Moita de Deus, que num programa de TV recente, onde participo, me deixou a pensar nesta ideia, porventura certa, mas obviamente triste: os portugueses estão tão desiludidos, e sentem-se tão enganados que, se pudessem, evitavam esta “coisa” do voto, porque lhes é indiferente a ideia de democracia. Temo que o Rodrigo tenha razão. E tenho medo. Talvez a TV, afinal, possa ajudar…

 

 

COISAS QUE ME DEIXARAM A PENSAR ESTA SEMANA

 

Há ironias que nos deixam de boca à banda: Fernando Ávila, o realizador de TV que nos deixou, aos 61 anos, no sábado passado, é um dos dois ou três responsáveis por termos, hoje, nos diversos canais de TV, programas de ficção, espectáculos, humor, magazines, talk-shows, ao nível do que se produz em qualquer país do mundo. Nem que fosse pela qualidade do seu trabalho, pelo que trouxe de novo e de bom ao mundo do audiovisual, pelo empenho que colocou em cada trabalho (e ele realizou espectáculos de bailado com a mesma dedicação e paixão com que fez “enlatados” e humor…), merecia do seu meio uma homenagem, um reconhecimento e uma palavra mais afectiva e justa do que os escassos minutos que lhe foram dedicados.

Não teve. O DN talvez tenha sido quem tenha tratado menos mal o seu desaparecimento.

  

“Eu não escrevo para as crianças, escrevo antes com um ideal de brevidade, de clareza e de proximidade ao concreto” - assim se definia Michel Tournier, que também nos deixou esta semana, já com provecta idade. Estas ocasiões são boas para reencontrar estes pensadores. A entrevista que o jornal Liberation “republicou” é imperdível. Fica o link.

 

A Wikipédia, “a enciclopédia livre composta por 906 196 artigos que todos podem editar” (e estes 900 mil são apenas os que estão em língua portuguesa) está a festejar os seus 15 anos. Foi - e é -, apesar dos erros e omissões, uma das mais democráticas e livres formas de acesso ao conhecimento. Todos os seus defeitos não superam as inúmeras vantagens. Merece o nosso aplauso, e que participemos na sua festa - tão simples quanto isto: ir a este link dizer o que pensamos dela e quão importante é para nós. Até na comemoração do seu aniversário, a Wikipédia é humilde e aberta a todos.

 

 

 

 

publicado às 08:02

Carinhos vendem-se - e não, não é o que está a pensar

Por: Helena Oliveira

 

O negócio dos mimos – sem cariz sexual – vai bem e recomenda-se. São já várias as empresas que apresentam um portefólio de serviços que incluem a oferta de carinho, abraços, aconchegos e outras emoções similares aos que vivem demasiado sozinhos para os terem de borla. Bizarro? À primeira vista, talvez. Mas se tivermos em linha de conta que a solidão faz, comprovadamente, mal à saúde, talvez seja mais fácil aceitar o que estes profissionais do amor platónico têm para oferecer

 

 

E se de repente um desconhecido lhe cobrasse um dólar por minuto para o abraçar? E, mais inimaginável ainda, se você aceitasse cobrar por esse serviço. Serviço? Sim, leu bem, o negócio da venda de mimos, afagos e aconchegos não vai mal e o que é verdadeiramente uma estratégia inovadora e, quiçá, competitiva, é o facto de não incluir, de todo, no seu modelo de negócio, qualquer conotação sexual.

 

“O toque tem o poder de nos confortar quando estamos tristes, de nos curar quando estamos doentes, de nos encorajar quando nos sentimos perdidos e acima de tudo o resto, de nos fazer aceitar que não estamos sozinhos”. 

Samantha Hess, fundadora da CuddleUpToMe

 

 Samantha Hess, da Cuddle Up To Me.

 

Para que tal premissa seja cumprida, o cliente assina, como em qualquer acto comercial, um contrato no qual se compromete a respeitar as regras da actividade prestada. Para “venda” existe uma variedade de produtos emocionais oferecidos por prestadores profissionais de mimos e carinhos. Ora leia.

 

“Oferecemos ‘sessões de mimos’ completamente platónicas, integralmente vestidos, com a duração mínima de 15 minutos e máxima de 5 horas. O objectivo de uma sessão é ajudá-lo nos momentos da vida em que ou precisa de doses extras de meiguice, ou quando não consegue ‘extrair’ mais carinho das pessoas que ama. Queremos que saiba que você importa e que aqui pode ser amado sem culpa, vergonha ou julgamento próprios da nossa cultura (…). O custo deste serviço afectuoso é de um dólar por minuto; e os resultados não têm preço”.

 

Esta é a resposta, em tradução livre do inglês, de uma das faqs no site da Cuddle Up To Me, uma empresa fundada por Samantha Hess, “dadora profissional de mimos” [cuddler de cuddles], em finais de 2012, em Portland, no estado de Oregon. A ainda jovem empresa – mas não uma start (me) up - de Hess tem como missão servir como “uma plataforma para se ser amado, compreendido e apreciado”. O mesmo acontece com uma empresa sua concorrente, a Snuggle Buddies, sedeada em New Jersey e que se auto-intitula de “fornecedora de mestres em amor platónico” ou de um novo tipo de terapia que promete “remover” a solidão e os seus sintomas – depressão, ansiedade e stress – através do toque terapêutico. De acordo com o seu fundador, Evan Carp, a empresa conta agora com 125 “mimadores” profissionais e com receitas mensais na ordem dos 16 mil dólares.

 

Se esta é a versão dos tempos modernos do papel das damas de companhia de outrora ou uma contorção da ideia das damas (e cavalheiros) acompanhantes da actualidade, não se sabe ainda. Primeiro há que digerir o pasmo da coisa e manter a mente aberta, que isto de viver no século XXI não é, de todo, fácil.

 

Na verdade, o que o negócio de Hess oferece é a possibilidade de se contratar pessoas que dêem mimo, afectos, carinhos e meiguices por determinado valor por minuto. E se o que à primeira se estranha ou se desdenha ou se condena, pode transformar-se num bom exercício de reflexão. Numa mistura de empreendedorismo – sim, já cá faltava -, sociologia, saúde, neurociência e um pouco de imaginação, o negócio dos carinhos oferece doses extra de oxicotocina – uma molécula extremamente poderosa e benéfica - a clientes solitários que muito provavelmente não sabem que a solidão faz mal à saúde, numa sociedade meio alienada e indiferente, movida a conexões humano-digitais e que conta com um número crescente de solitários. A ideia não é nova, mas tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos à medida que do preconceito se passa para um novo conceito que assegura que é possível oferecer “calor humano” sem qualquer cariz sexual. Tal não impede, como seria de esperar, que os fundadores destes novos empreendimentos recebam, de forma recorrente, mensagens de ódio, e até de morte, pela prestação de tais supostamente estranhos serviços.

 

A este propósito, em Julho de 2014, a revista "The Atlantic" publicou um artigo sobre uma “festa de mimos” que juntou cerca de 20 pessoas em Dallas, na sua maioria de meia-idade, e que em conjunto se divertiram com guerra de almofadas, carícias, abraços, risadas em volta de snacks e conversas soltas e honestas sobre uma das mais básicas necessidades do ser humano: a de receber carinhos. Como se pode ler no artigo, os dados “oficiais” indicam que este tipo de festas teve início há mais de uma década e que de uma primeira experiência bem-sucedida, em Fevereiro de 2004, em Manhattan, surgiu a organização Cuddle Party, a qual dá formação a “facilitadores” deste tipo de eventos (ou workshops, como se pode ler no seu website) em 17 países do mundo. As regras de convivência são simples, mas de cumprimento obrigatório, sendo que estímulos ou possíveis ideias de “manifestações sexuais” são estritamente proibidos.

 

Mais impessoal e com um cariz diferente, mas muito bem-sucedido também, é um outro negócio que também oferece companhia, denominado RentaFriend, que conta com cerca de 530 mil pessoas que, em regime de freelance, podem ser contratadas para acompanhar homens e mulheres que viajam com frequência por motivos profissionais e que optam por ter a companhia de um estranho que a eles se junte para partilhar uma refeição, uma ida ao teatro ou ao futebol, num ambiente de simples camaradagem. O serviço prestado por esta empresa é igualmente procurado por pessoas que chegam a uma cidade pela primeira vez e que, em vez de contratarem um guia turístico, optam por escolher um “local” para fazer de cicerone. Mas, na verdade, o serviço de “aluguer de amigos” serve múltiplos propósitos, seja o de se ter uma companhia agradável quando se é convidado para um casamento ou para uma festa, seja ainda o de alguém que sirva de “incentivo” para que não se falhem as idas ao ginásio. Como seria de esperar, as fotografias e os perfis dos prestadores de companhia estão disponíveis no site em causa, que opera em vários locais do mundo. Mas o serviço de “aluguer de amigos” pouco tem a ver com o que promete o negócio dos mimos.

 

 

Já não mais vale só do que mal acompanhado

 

Por muito “modernos” que nos sintamos, a ideia de se pagar a alguém para oferecer companhia e carinho é passível de causar incredulidade, umas boas risadas ou meros sentimentos de repulsa. Principalmente a quem nunca sentiu o vazio da solidão e os males – físicos e psicológicos - que a mesma encerra.

 

E se este fenómeno da solidão tem sido, até agora, mais associado a idosos, a verdade é que um pouco por todo o mundo são cada vez mais as pessoas que afirmam sentir-se sós, independentemente da faixa etária a que pertencem. Sendo o Japão o recordista no que respeita ao isolamento, nomeadamente ao que é auto-imposto e que deu origem à síndrome conhecida como “hikikomori” – a qual “ataca” principalmente jovens entre 20 e 30 anos, a residir em casa dos pais e que se afastam voluntariamente da sociedade, vivendo entre as quatro paredes dos seus quartos e apenas ligados à Internet –, são também inúmeros os estudos que apontam para um aumento da solidão na generalidade dos países ocidentais. Partindo sempre da dualidade inerente ao uso das tecnologias - os que defendem que as mesmas provocam alienação versus os que afirmam que, pelo contrário, diminuem a solidão – a verdade é que, face às duas últimas décadas do século passado, estar só, mesmo que acompanhado, assemelha-se a uma espécie de vírus em progressão no mundo em que vivemos.

 

A título de exemplo, num estudo publicado em 2006 pela American Psychological Association, um quarto dos americanos auscultados (em 2004) afirmava não ter ninguém com quem discutir questões importantes, o dobro do número dos que confessavam o mesmo em 1984. Dados mais recentes recolhidos pela Pew Internet, em Novembro de 2009, davam conta de que as redes de discussão dos americanos apresentavam um decréscimo em cerca de um terço face a 1985. E, em 2013, por intermédio de uma pesquisa efectuada pelo Barna Group, 20% dos entrevistados admitiam sentir-se sozinhos contra apenas 12% uma década antes. Dois outros estudos, mais recentes e citados num outro artigo que a "The Atlantic" publicou em Dezembro último, reportam que, nos Estados Unidos, são já cerca de 40% os adultos (e não apenas os seniores) que se sentem socialmente isolados.

 

Se este número crescente de isolamento representa um fenómeno sociológico próprio das sociedades modernas, existirão motivos para que se critique empresas como a Cuddle Up To Me ou a Snuggle Budies – e outras que vão aparecendo entretanto – que no seu portefólio de serviços tentam, por determinado preço, é certo, amenizar os males da solidão?

 

A resposta será variável, decerto, de acordo com os preconceitos de cada um, mas talvez ajude na aceitação desta venda de amor platónico o facto de, comprovadamente, a solidão fazer mal à saúde. Se pagamos a um psicólogo para simplesmente nos ouvir, que mal tão grande advirá de contratarmos alguém para nos abraçar e dar mimos, principalmente se tivermos em mente os efeitos negativos que o isolamento provoca no ser humano?

 

Em Fevereiro de 2014, John Cacciopo, em conjunto com a equipa de psicólogos que lidera na Universidade de Chicago, apresentou um estudo que afirmava que a solidão extrema pode aumentar as probabilidades de morte prematura em 14%. O estudo, que teve uma duração de seis anos, acompanhou mais de duas mil pessoas com 50 ou mais anos, e concluiu que o isolamento está directamente relacionado como problemas de saúde tão díspares como a pressão arterial elevada, mutações de alguns genes e alterações significativas nos padrões de sono. Esta investigação veio apenas confirmar o que outros estudos têm vindo a alertar, como é o caso de a taxa de mortalidade das pessoas solitárias ser comparável à dos fumadores ou duas vezes superior à que advém da obesidade.

 

O isolamento social prejudica ainda o sistema imunitário, aumentando as probabilidades de inflamações, as quais podem conduzir à artrite, à diabetes tipo II e a doenças coronárias. Adicionalmente, o estigma que acompanha a solidão e o facto de esta ser “socialmente incompreendida” contribui para que o ciclo do isolamento se perpetue e que seja crescentemente difícil sair dele.

 

 

A oxitocina e o poder do toque humano

 

 

Para além dos estudos que comprovam, cientificamente, que a solidão faz mal à saúde, são muitos os investigadores, em particular nos últimos anos e graças aos progressos efectuados nas neurociências, que afirmam que o toque tem poderes “curativos”. Na verdade, vários clientes da Cuddle Up To Me e da Snuggle Budies procuram os serviços destas empresas por os considerarem terapêuticos, ajudando-os a lidar com situações passadas de abusos físicos ou de negligência, ou com algum tipo de distúrbio de stress pós-traumático. No entanto, a emergência deste novo tipo de negócios está a servir um conjunto de outras necessidades “modernas”, as quais não entram necessariamente na categoria dos exemplos acima referidos.

Madame Vigée-Lebrun et sa fille, por Louise Élisabeth Vigée Le Brun, 1789 

 

Na Cuddle Up To Me, durante uma sessão um-para-um de “cuddling” – que custa entre 60 a 80 dólares por hora – pode-se abraçar, cantar, ler, fazer jogos, conversar “bem pertinho”, praticar a posição de “colher” – ou mais 50 outras diferentes – devidamente explicadas no livro escrito por Samantha Hess e intitulado Touch: The Power of Human Connection, ou simplesmente receber a atenção de que tanto se precisa. As sessões podem ainda ser customizadas de acordo com as formas que melhores sensações de relaxamento produzem no cliente, como por exemplo “o tipo de amor que uma mãe oferece a um filho”.

 

E, dado que este último é um dos serviços devidamente sublinhados na oferta da empresa, é impossível não nos assaltarem, de novo, as dúvidas face à sua credibilidade. O que nos leva de regresso ao tema da neurociência e da influência que estes “actos emocionais” têm no nosso cérebro e, consequentemente, na nossa saúde.

 

Quando experimentamos o bem que sabe uma boa dose de mimos, o nosso cérebro liberta, no geral, endorfinas (a hormona do bem-estar) e dopamina (que ajuda, entre outras funções, a controlar o humor). Mas quando recebemos carinho através do toque humano, em particular, os níveis de oxitocina, a denominada molécula do amor, da generosidade ou da confiança, são libertados em pequenas doses que não só produzem um sentimento de “aconchego” na altura, como perduram ainda durante algum tempo “pós-toque”. Na verdade, a oxitocina é uma hormona produzida pelo hipotálamo que tem como principais funções promover as contracções musculares uterinas, reduzir o sangramento durante o parto, estimular a libertação do leito materno - e os laços criados entre mãe e filho -, desenvolver apego e empatia entre as pessoas e, paradoxalmente, produzir parte do prazer do orgasmo e do medo do desconhecido. Mas os seus efeitos vão tão mais além de todos estes que muitos cientistas a elegem como “a mais extraordinária molécula do mundo” ou ainda como a “rainha das moléculas”.

 

De acordo com experiências recentes, a oxitocina reduz o stress e a tensão arterial, melhora a comunicação entre os casais, aumenta os níveis de felicidade e bem-estar, bem como os sentimentos de confiança, contribuindo igualmente para reforçar as nossas relações sociais e impedir vários problemas psicológicos e fisiológicos (tendo também efeitos negativos, como o aumentar da inveja e da soberba, os quais não se manifestam, contudo, quando recebemos “mimo”). Ou, de forma mais conceptual, a oxitocina, enquanto químico cerebral, é crescentemente considerada como um dos ingredientes principais que faz de nós os humanos que somos.

 

Paul Zak, um cientista e economista citado num dos artigos da "The Atlantic", autor do livro The Moral Molecule: The Source of Love and Prosperity, afirma também que a quantidade de oxitocina que libertamos depende de quão afeiçoados nos sentimos relativamente à pessoa que nos está a dar carinho ou a tocar. “Se o carinho que recebemos dos nossos familiares pode aumentar a libertação da oxicitocina entre 50 a 100%, os níveis libertados quando o mesmo acontece com um estranho não são tão elevados”, afirma também. Todavia, serão suficientes q.b. para aqueles que não tem qualquer hipótese de sentir o toque humano e os benefícios que dele emanam.

 

Numa sociedade em que é difícil admitir a falta de carinho e a solidão, estas novas empresas que se comprometem a satisfazer uma necessidade humana tão básica como o toque podem vir a ter um lugar cativo. E, a acreditar nos relatos que se podem encontrar nos sites das empresas citadas, pagar por um pouco de amor e compreensão não é assim tão bizarro. Afinal, o all you need is love é também uma questão de saúde.

publicado às 16:58

Os outros donos disto tudo

Por: Paulo Ferreira

Houvesse um Ali Babá na história e o título desta crónica era outro. Mas não há. Os 30 deputados que pediram ao Tribunal Constitucional para verificar a constitucionalidade da redução das subvenções vitalícias optaram por fazê-lo pela calada. Entende-se porquê. O despudor é tão grande que até eles o perceberam.

 

Quem recorre ao Tribunal Constitucional para contestar a validade de uma qualquer lei ou norma à luz da Constituição costuma fazê-lo com prévio e bem audível anúncio público e como prova de empenho numa luta por uma causa que considera justa.

 

Tivemos muito disso nos últimos quatro anos, como sabemos, com ameaças consequentes de pedidos de verificação de muitos diplomas que sairam da maioria PSD/CDS.

 

Mas desta vez foi diferente. Os 30 deputados que pediram ao Tribunal Constitucional para verificar a constitucionalidade da redução das subvenções vitalícias para titulares de cargos políticos optaram por fazê-lo pela calada, em silêncio e na esperança de que nunca se soubesse quem eram os autores de tal iniciativa. Entende-se porquê. O despudor é tão grande que até eles o perceberam.

 

O TC analisou e decidiu. Depois, os jornalistas fizeram o seu trabalho e hoje sabemos quem são. A lista está aqui, no final deste artigo. Devemos conhecê-la e guardá-la.

 

Há ali gente dos dois principais partidos, PS e PSD. E haverá ali de tudo em termos de seriedade, competência, entrega à causa pública, honestidade financeira e intelectual e o mais que quisermos. Uma lista de 30 é suficientemente abrangente para lá ter de tudo.

 

Mas uma coisa, pelo menos, os une a todos: a ideia de que têm o direito a receber de forma vitalicia uma renda mensal paga pelos contribuintes equivalente a 80% do seu último ordenado só pelo facto de terem desempenhado cargos políticos durante pelo menos 12 anos. Isto independentemente de terem outras fontes de rendimento, pensões de reforma, ordenados, o que quer que seja. E é uma ideia tão forte, esta de que o privilégio desproporcionado é um direito, que até estiveram dispostos a lutar juridicamente por ele, dando-se ao trabalho de o contestar junto do TC.

 

É uma falta de vergonha sem nome. Sobretudo porque o contexto em que aconteceu é o que sabemos. Nos últimos anos, foram milhões os portugueses que viram cortados direitos que davam como adquiridos: salários, reformas, subsídios de subsistência, indemnizações em caso de despedimento e tudo o que sabemos. Mas também porque a norma que constava do Orçamento do Estado de 2015 e que o TC agora declarou inconstitucional salvaguardava a eventual necessidade dos beneficiários da subvenção vitalícia: só era cortada a quem não tivesse rendimentos superiores a 2.000 euros por mês. Apesar disso eles avançaram. Chocante, não é? Mas aconteceu.

 

Não diabolizo o TC, que tem que fazer aplicar a Constituição que existe, de acordo com o entendimento do seu colectivo, e não outra qualquer que não temos. Mas não deixa de ser curioso que muitos dos que aplaudiram as decisões do TC que reverteram muitas medidas de austeridade nos últimos anos e acusaram o governo anterior de estar a governar contra a Constituição sejam agora os mesmos que criticam esta decisão dos juízes. Incluo aqui o PCP e o BE que estão contra a existência da subvenção vitalícia, posição que subscrevo na íntegra. Mas temos que apelar aos deputados destes dois partidos que sejam consequentes com essa sua posição: apresentem no Parlamento uma lei que acabe com ela de vez para todos e, se necessário for, avancem com uma proposta de revisão da Constituição que o permita. Passem das palavras aos actos que a causa bem o merece.

 

Em 2005, o Governo de José Sócrates deu um enorme contributo para se acabar com este absurdo privilégio ao legislar que ele terminaria daí para a frente. Resta agora completar o serviço e terminar com as sinecuras antigas que ainda sobrevivem e que tão bem simbolizam o chamado Bloco Central dos interesses. Um país que obriga os contribuintes a um pagamento vitalício a Armando Vara e Dias Loureiro pelos bons serviços prestados ao Estado - só para citar dois casos que beneficiavam dele em 2013 - não é um país decente. É um sítio que teima em manter-se mal frequentado.

 

 

OUTRAS LEITURAS

 

publicado às 00:59

Como nos chegam as notícias

Por: Francisco Sena Santos

Ryszard Kapuscinski, mestre essencial para jornalistas de sucessivas gerações, analisou, no começo deste século que “antes, a notícia era a verdade, agora tornou-se mercadoria”. Ele foi a África pela primeira vez em 1957 e voltou vezes sem conta ao longo de meio século. Testemunhou, sem lugares comuns nos seus relatos, a vida das pessoas em África na época das lutas pela independência e da descolonização, e, depois, no começo do tempo da globalização.

Lembro-me de como Kapuscinski, repórter e cronista, também sempre humanista, algures pela entrada deste século, seduziu os alunos da UAB, na Catalunha, numa conferência com auditório a abarrotar, ao refletir em voz alta sobre os deveres do jornalista. Disse que “o dever do jornalista é informar, informar com rigor sobre o que é relevante para a vida das pessoas e para que as pessoas, estando esclarecidas, fiquem pessoas melhores”. Acrescentou, uma ideia que gerou uma discussão que acabou em consenso: “Deve informar de modo a aumentar o conhecimento do outro e o respeito pelo outro e para isso deve ter o cuidado de evitar fomentar o ódio e a arrogância”. O modo como as notícias agora vão desfilando faz pensar muitas vezes nesta lição magistral de Kapuscinski. Acontece a propósito de tantas absurdas querelas em volta do futebol, de intrigas da política ou do quotidiano, ou de conflitos pelo mundo.

Passámos o fim de semana com as televisões a bombardearem-nos com imagens sobre mais um ataque terrorista, desta vez a matança em Ouagadougou. Vimos repetidamente as imagens dos circuitos internacionais, parecem excertos de um antigo mau filme violento de Hollywood, vimos o sangue, a destruição, as chamas, os polícias atónitos, mas não vimos nada de Ouagadougou.  Faltou-nos – falta-nos quase sempre – quem nos leve a ver o essencial: quem nos mostre que cidade é esta? Como se vive lá? E o que leva a ter sido o palco escolhido pelos jiadistas para mais um massacre que levou a vida de 29 pessoas de várias nacionalidades?

Não é que não haja novos Kapuscinskis. O problema não será de escassez de grandes repórteres. A grande falta é de patrões de imprensa que cultivem o jornalismo não apenas como um negócio como os outros, mas como um serviço ao público, uma fonte de conhecimento, uma base para uma comunidade de pensamento.

Faltou-nos quem nos contasse que esta capital desconhecida para a maior parte de nós e de nome tão complicado que quem é de lá lhe chama simplesmente “Ouaga” é uma cidade cosmopolita, diferente da maioria das cidades da África Central, com mais de milhão e meio de pessoas num modelo de sociedade que gente experimentada da ONU considera um exemplo de boa convivência entre cristãos e muçulmanos, ricos e pobres, homens e mulheres. Ouagadougou é uma cidade que se internacionalizou, que tem relevância cultural e que atrai empresários e turistas. É a capital de um país, o Burkina Faso, que soube livrar-se de golpismos e de antigas ligações perigosas com mafias regionais e se tem tornado, no imenso continente africano, uma ilha de paz, onde há eleições reconhecidas como livres, com um presidente recém- eleito com 53% dos votos, e onde a cultura e a religião escapam aos fundamentalismos. Talvez seja por isso que a fúria jiadista escolheu agora Ouaga.

As imagens do inferno no Splendid International e no Cappuccino Café de Ouaga são uma réplica das que vimos há dois meses no ataque ao Radisson Blu de Bamako. Os métodos são semelhantes, mas as origens parecem diferentes: na capital do Mali, tinha sido a organização que se apresenta como estado islâmico; agora, no Burkina Faso, parece ser um reaparecimento da al-Qaeda. Estaremos perante uma competição entre as duas principais organizações terroristas islâmicas surgidas nos últimos 20 anos. Uma concorrência que ameaça exacerbar ainda mais a violência com ações terroristas cujas imagens, sem amplo contexto interpretativo, de facto, também servem a estratégia de marketing dos jiadistas e a propagação da especulação sobre risco de ataques idênticos.

Como dizia Kapuscinski, o ofício de jornalista requer descobrir, observar, ouvir e entender o outro. Entenda-se: os outros. O repórter tem de ser um buscador de contextos para poder traduzir a realidade.

 

TAMBÉM A TER EM CONTA:

 

Uma boa notícia: o Irão passa a ser tratado pelo Ocidente como um país normal. Um entendimento conquistado com tenacidade e paciência de todas as partes. Teerão livra-se do embargo e abre-se aos negócios.

 

Uma previsão inquietante: o risco de crash financeiro internacional. Alertas aqui e aqui.

 

O fosso agrava-se. A Oxfam foi a Davos mostrar como o património do 1% mais rico no mundo supera o dos 99% restantes habitantes da terra. Afinando ainda mais os cálculos: um autocarro com os 62 mais multimilionários no planeta leva tanta riqueza quanto a possuída por metade da terra.

 

As primeiras páginas escolhidas hoje no SAPO JORNAIS remetem-nos para as suspeitas de manipulação de resultados que agora ameaçam o topo do ténis mundial: ver no L’Équipe, no Libération e no Público.

 

O debate presidencial logo à noite na RTP vai mudar alguma coisa?

publicado às 07:25

Vamos já almoçar?

Por: António Costa

 Manuel Caldeira Cabral é um crente. Em quê? Crente nas promessas dos empresários e gestores da restauração, nas juras de redução dos preços junto dos consumidores e na contratação se o Governo descer o IVA do setor de 23% para 13%. E se tal não suceder? “Ficava preocupado”, diz o ministro da Economia. Pode começar já.

 

A decisão de aumentar o IVA da restauração da taxa intermédia para a taxa máxima resultou, sabemos, de uma imposição da troika e da necessidade de garantir receita fiscal, sobretudo num setor onde a fuga ao fisco era enorme. Era - é hoje menor por causa dos novo mecanismos de controlo e fiscalização como o E-fatura. Mas resultou também num incentivo, à força, para mudança de investimento dos não transacionáveis para os bens transacionáveis, isto é, para a exportação. Porque deixou de existir um benefício artificial, pago por todos nós, os contribuintes. O auto-emprego, o empreendedorismo, foi feito durante anos à custa da abertura de cafés e restaurantes em cada canto. Em 2016, teremos em Lisboa o WebSummit e não é por mero acaso.

 

A receita, claro, aumentou muito, o emprego diminuiu, sim, mas também surgiram nos últimos quatro anos alguns dos projetos e iniciativas mais criativas e inovadoras do setor. Novas cadeias de restauração, que concorrem com marcas internacionais, como o H3 ou a Padaria Portuguesa, e restaurantes de nível internacional, como os do chef Avillez. O setor é hoje mais cumpridor das suas obrigações fiscais, é sobretudo mais sofisticado, com novos modelos de negócio.

 

Portanto, a promessa do PS e que o ministro da Economia diz agora querer cumprir – sim, já sei, este governo cumpre – serve apenas para satisfazer uma corporação que deu muitos votos, a da restauração. Mas a promessa do Governo, na verdade, vai mais longe, e convém sublinhá-la. O governo vai descer o IVA na restauração e a restauração vai descer os preços e vai contratar.

 

Um ponto prévio. Caldeira Cabral mostrou, nesta entrevista ao jornal Público de domingo, que é mesmo um ministro independente. Construtivo em relação ao que o anterior governo fez, sem a preocupação de reverter, nem que seja na linguagem. E com uma visão acertada da função. Dito isto, é ministro, tem compromissos, ou melhor, tem de cumprir os compromissos do partido ao qual aceitou juntar-se. É o preço a pagar, mesmo que não concorde com eles. E será provavelmente o caso.

 

Caldeira Cabral acredita que o setor vai baixar os preços, e é por isso que vai descer o IVA. Sabe, o ministro, que nunca isso sucedeu quando o IVA baixou? Sabe, claro, que as descidas do IVA são sempre, nos setores de bens não transacionáveis, uma transferência de riqueza entre contribuintes e servem basicamente para aumentar as margens dos empresários do setor.

 

Depois, surge sempre o emprego, a outra razão para descer o IVA. Como o setor perdeu milhares nos últimos anos, só pode ter sido por causa do IVA, certo? Errado. Os preços não aumentaram, como mostram os dados da inflação, por isso, a quebra do consumo deveu-se à quebra de rendimento dos portugueses em geral. Agora, com o IVA à taxa intermédia, os preços não vão baixar, talvez aumente o consumo por causa da aumento do rendimento dos portugueses, via salários da função pública e redução da sobretaxa. Como não resultam da produtividade, veremos os resultados a prazo, nomeadamente na frente externa, mas, no curto prazo, poderá ter até efeitos positivos.

 

Agora, o que quer o Governo? Com todo o respeito pelos empregados da restauração, não é aí que Portugal precisa de mais emprego, não é nas profissões menos qualificadas, como é o caso. Os que caíram no desemprego têm de ter formação profissional, muita, para uma integração profissional, sim, mas noutros setores, mais necessários e com outro valor acrescentado para a economia.

 

É melhor deixar as declarações de ‘preocupação’ para trás, sobretudo porque, depois, não faz sentido deixar cair ameaças ao setor porque tem a tutela do consumidor e da concorrência. É melhor começar já a preocupar-se com as explicações que terá de dar, depois, aos portugueses por falhar uma promessa.

 

 

ESCOLHAS

 

Finalmente, entramos na última semana das presidenciais e, se os votos ajudarem, na próxima segunda-feira, estará escolhido o sucessor de Cavaco Silva. Como se antecipava, o que não foi esclarecido na pré-campanha e nos debates não seria clarificado nas arruadas e comícios, que servem mais para mobilizar votantes do que para informar eleitores. Os dados estão lançados, Marcelo Rebelo de Sousa, aposto, ganhará à primeira volta. Não pelo que fez no último mês, pelo que construiu nos últimos 20 anos. E também pode agradecer a António Costa que, ao permitir que o PS não apoiasse ninguém à primeira volta, está a criar um caldo interno difícil de gerir. Veremos se as divisões violentas dos últimos dias, entre apoiantes de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, até entre ministros, não vão para além das presidenciais. Qualquer que seja a sua decisão, vote.

 

E, para terminar, sabe quantos turistas usaram a plataforma Airbnb em 2015 para se instalarem em Portugal? Cerca de um milhão, o dobro de 2014. A Airbnb é uma plataforma digital que só em Portugal tem registadas mais de 34 mil casas de todos os tipos. Os números são dados pelo diretor-geral ibérico da empresa, Arnaldo Muñoz, em entrevista ao jornal Público, que pode ler aqui.

publicado às 10:57

Não se consegue controlar estas pessoas. Ou um filme que já todos vimos.

O telefone tocou, a taxista activou a opção "alta voz" e eu, no banco de trás, fui espectadora do que se seguiu. “Muito bom dia, tenho o prazer de estar a falar com a senhora fulana de tal?”. A taxista confirma, enquanto continua a driblar o trânsito de Lisboa. “Senhora fulana de tal, fala do Banco X e estou a ligar-lhe para lhe oferecer um novo cartão de crédito que estamos a disponibilizar a clientes seleccionados por nós. O cartão permite …”.

 

A frase é interrompida pela minha condutora, que atalha imediatamente caminho: “Não estou interessada”. Do outro lado da linha, não se desarma. “Senhora fulana de tal, mas não tem vontade de fazer aquela viagem com que tanto sonhou ou mesmo apenas ter mais alguma liberdade nas compras deste Natal?”. A taxista começa a ficar francamente irritada. “Só faço viagens quando tenho dinheiro para as pagar e não faço uso de dinheiro que não é meu”. A voz do outro lado acusa um ligeiríssimo requebro, mas recupera. “Mas o que estamos a propor é apenas que tenha mais folga com o seu dinheiro, afinal de contas dá sempre jeito”.

 

Silêncio. “Ouça, não estou interessada. Eu sei como vocês funcionam. Por causa das vossas ofertas, o meu filho meteu-se em grandes problemas e foi uma trabalheira para se livrar deles. Já lhe disse que não quero dinheiro que não tenho e não vale a pena continuarmos com esta conversa”. Pensei que tudo terminaria aqui. Enganei-me. Nova investida: “Mas acha que os bancos é que foram a causa dos problemas do seu filho? Ou não terá sido ele que não soube gerir o seu dinheiro e por isso teve problemas?”. A este ponto, acreditei que a mãe taxista iria meter travão a fundo e partir para a ignorância. Não o fez. Apenas respondeu, em voz firme: “É porque os problemas são nossos e não vossos que não estou interessada. E agora tenho de desligar porque estou a trabalhar”.

 

Este episódio ocorreu antes do Natal de 2015, nos dias que se seguiram ao que agora denominamos “caso Banif”. O banco que se estima ir custar mais uns valentes milhões a todos nós, contribuintes e accionistas do Estado. Alguém escreve os guiões para estes raids dos call centers. Mas isso não é o que realmente importa. O mais relevante é que alguém autoriza, nas administrações dos bancos, que sejam feitas propostas desta natureza suportadas em diálogos como aquele a que assisti. Nas mesmas administrações que em almoços, conferências, ou sempre que os bancos são convocados para participar em iniciativas que possam ajudar a sociedade e a economia, se lamentam do garrote com que vivem nos últimos anos. Do quão difícil é, hoje em dia, ser banqueiro e gerir um banco.

 

São as mesmas pessoas. Podem até ter outros nomes, mas são as mesmíssimas pessoas que lá estavam há oito anos quando a bolha estourou do outro lado do Atlântico e arrastou tudo e todos. Uma mesma classe, com os mesmos vícios e tiques, em que as excepções – que existem – não conseguem domar a regra. Não conseguem mudar a regra.

 

Até Outubro de 2015, o crédito à habitação tinha disparado cerca de 70%. Até Junho do ano passado, o crédito ao consumo tinha também crescido 21,5%. No mesmo ano, em que a economia portuguesa cresce 1,5% e o desemprego, apesar de ter diminuído, ainda é de 12,4% (dados de novembro 2015).

 

Ontem estreou o filme The Big Short – A queda de Wall Street, baseado no livro do jornalista americano Michael Lewis, autor reincidente nos relatos sobre a tribo financeira. Em entrevista ao Expresso, em Outubro de 2014, Lewis dizia, “Coletivamente, comportaram-se como idiotas totais. O problema é que não se consegue controlar as pessoas: esta gente de Wall Street não é leal ao sistema e à empresa, eles são leais a si próprios e ao próprio lucro".

 

Ainda não vi The Big Short no cinema. Mas tenho a certeza de que já todos vimos este filme.

 

 

OUTRAS LEITURAS E DEBATES

 

O ano de 2016 começa sob a égide das mulheres na política portuguesa. Duas candidatas à Presidência da República, Maria de Belém e Marisa Matias, e uma candidata à liderança do CDS-PP, Assunção Cristas. Inevitavelmente, regressaram também as discussões sobre o género na política. Um tema a acompanhar, fazendo desde já votos para que este não se transforme, como também costuma acontecer, num debate das quotas.

 

E porque foi uma semana triste no mundo do espectáculo, apesar de balizada por dois grandes eventos/momentos, os Globos de Ouro e as nomeações para os Óscares, deixo-vos com uma polémica à Tarantino: usar a palavra ghetto é ou não um acto racista?

 

E para nos deixar com os olhos nas estrelas, aqui fica uma descoberta chamada ASASSN15lh. A supernova mais brilhante da história.

 

Tenham um bom fim de semana!

publicado às 10:49

Quem fica na História?

Por: Pedro Rolo Duarte

A semana foi tão marcada pela figura e pela obra de David Bowie que é difícil escapar-lhe. Já tudo foi dito, as canções recordadas, as múltiplas imagens do camaleão devidamente assinaladas. Há primeiras páginas de jornais notáveis, como a do francês Liberation e do britânico The Guardian; há textos que nos enchem o coração, como os de Miguel Esteves Cardoso no Público (online e em papel).

 

Há memórias que nos remetem para o tempo que cada um tem de Bowie. Ele começou a sua carreira no ano em que nasci - por isso o meu tempo de Bowie é mais de Absolute Beginners ou de Let’s Dance do que Space Oddity. Mas todos nós - um pouco como o Tintin, dos 7 aos 77 anos - temos qualquer memória, qualquer marca daquele homem.

 

E esse é o sonho de um artista, de um criador: deixar uma marca que fique para lá dele próprio, que seja perene e que tenha espaço na História que o futuro fizer sobre este presente. Bowie tem esse espaço assegurado e garantido.

 

Durante muitos séculos, foi também esse um desígnio, mesmo que não assumido ou deliberado, dos governantes. Olhar para a História - não é preciso sair da Europa… - é encontrar um generoso conjunto de grandes figuras cuja presença na política de cada país justifica os nomes de ruas, praças, as estátuas, e cuja marca indelével garante o lugar na galeria de que é feita a nossa História. Porque inovaram, porque souberam dar um passo em frente ou reconhecer um erro, porque ousaram, porque nos trouxeram ideias, regimes, anteciparam futuros.

 

Penso muito nessa vasta galeria quando olho o momento que vivemos. Tanto penso em Churchill quanto em Vasco da Gama, em Humberto Delgado como em Miterrand, em Helmut Kohl como em Kennedy, em Martin Luther King como em Lech Walesa. E pergunto-me: a História falará de Cavaco Silva? De Durão Barroso? De António Costa? De Santana Lopes? De Pedro Passos Coelho?

 

Tudo bem, deixemos Portugal de fora. Imaginam referências relevantes a Hollande ou à Sra. Merkel? Acham que as ideias de David Cameron serão estudadas daqui a cem anos? Imaginam Alexis Tsipras a servir de exemplo para uma qualquer teoria? Jean-Claude Juncker existirá nos compêndios?

 

Vivemos o tempo da governação sem ideias. Um tapa-buracos que abre novos buracos, reformas que anulam e substituem reformas, mudanças que pouco ou nada mudam. Sou sincero: nas últimas dezenas de anos, a única área que vi tornar-se eficaz, assertiva e útil (para saciar a fome do Estado, claro), foi mesmo a dos Impostos. Tudo o resto navegou entre o mais do mesmo ou o remendo que abre outra brecha ao lado. Não imaginava, quando estudei os grandes líderes que fizeram a História do Mundo, viver num tempo de burocratas e gestores, sem políticos e sem ideias.

 

Talvez por isso me tenha virado mais para os lados da cultura, da criação - onde, apesar de tudo, continua a haver quem nos surpreenda, comova, deixe a pensar. E por aí volto ao começo: David Bowie foi e vai ser a figura destes dias não apenas porque a sua popularidade seja um argumento de venda - mas porque ele nos diz respeito e mexe connosco. Acrescentou algo ao que já existia. E só assim a vida faz sentido.

 

COISAS QUE ME DEIXARAM A PENSAR ESTA SEMANA…

 

Já aqui falei do Newseum, um museu real sobre jornais e comunicação social, em Washington, mas cujo site é quase tão rico quanto o espaço fisico nos EUA. Agora, e por causa das extraordinárias primeiras páginas que se fizeram, pelo mundo fora, inspiradas na figura de David Bowie, vale a pena recomendar esta secção especifica do Museu, onde diariamente se actualizam perto de mil capas de jornais de todo o Mundo. A descobrir…

  

Quer estar a par do que é novo? Negócios, ideias, plataformas, apps? Há uma revista que discretamente apareceu no mercado há dois meses, a Start UP, mas cujo conteúdo e edição são bem melhores do que a timidez com que chegou às bancas. Tem edição online, e os dois primeiros números constituem uma promessa de futuro. Assim os seus editores saibam fazer da expressão Start UP algo mais do que uma inspiração…

  

O que começou por ser um blog feminista dinamizado por duas figuras populares da nossa televisão - Rita Ferro Rodrigues e Iva Domingues - tornou-se, um ano depois, uma associação sem fins lucrativos e uma plataforma feminista aberta a todos. Deixou de se chamar Maria Capaz, agora é abrangente: Capazes. Dizem elas: “O contributo português para esta causa global – o feminismo – afirmando a mulher portuguesa no mundo, dando-lhe poder, incentivando o debate , a reflexão e a discussão e ao mesmo tempo inaugurando uma enorme e luminosa sala de exposições do talento com o holofote apontado para as mulheres. Capazes de tudo. Capazes de muito mais”.

Vale a pena visitá-las.

 

 

publicado às 09:58

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