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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

Se o conteúdo é rei o futebol é imperador

Por: Paulo Ferreira

Nestes dias finais do ano vai uma animação entre os principais clubes de futebol e os principais distribuidores de televisão com a sucessão de contratos sobre os direitos de transmissão dos jogos, cedências de canais de tv próprios, publicidade no estádio e outras ferramentas de comunicação.

Os contratos que estão a ser divulgados são relativamente semelhantes, embora com perímetros suficientemente variáveis para não permitirem a comparação directa entre os três clubes. Não se podem comprar montantes globais de cada acordo porque o que está dentro de cada “frasco” é diferente - nuns casos há patrocínio principal para aparecer nas camisolas, noutros não, por exemplo - e os prazos são também diferenciados. É preciso fazer muitas contas e ler as letras mais pequenas dos acordos para que se possa chegar a uma conclusão sobre ganhadores e perdedores.

 

O menos importante é mesmo essa lógica de “o meu é melhor do que o teu” em que as tribos do futebol são doutoradas, tudo discutido, obviamente, com a mesma objectividade e honestidade intelectual com que avaliam o penalti que se marcou ou o que ficou por marcar.

 

O interessante é olhar para o que estes acordos nos dizem sobre o sector dos media e da distribuição de conteúdos, sejam eles de informação, entretenimento, grandes espectáculos desportivos, ficção ou o que quer que seja.

 

Eles confirmam, se é que isso ainda é necessário, que o conteúdo é rei. As plataformas de distribuição são cada vez mais e tecnologicamente mais diversas mas a principal batalha está nos conteúdos. A questão não é tanto saber como se distribui mas sim o que se distribui. Porque já está tudo em todo o lado, graças à convergência tecnológica. Temos canais de televisão acessíveis através do computador, dos tablet ou smartphones que podemos ver em qualquer lado. E temos televisores com acesso à internet através dos quais podemos ver o Youtube, os vídeos do SAPO ou de qualquer outra plataforma web. Os adolescentes cá de casa são quem passa mais tempo em frente ao aparelho de televisão mas para fazer tudo menos aquilo a que se convencionou chamar televisão: canais formais, com uma grelha pré-estabelecida. Sabemos que é isto que se passa na generalidade das casas, em Portugal ou em qualquer outro país desenvolvido.

 

Se os conteúdos reinam, dentro destes o futebol é imperador. As audiências confirmam-no há muitos anos e não há razão para pensar que vai deixar de ser assim nos próximos anos. Podem aparecer entretanto outros formatos vencedores, como há década e meia apareceram os “reality shows” e depois se impuseram os concursos de talentos. Mas há espaço para todos, sem que uns anulem o impacto dos outros.

 

Outro sinal importante é a diferenciação das ofertas dos quatro operadores que nos levam televisão a casa: MEO, NOS, Vodafone e Cabovisão (além destes há a plataforma TDT para o serviço básico dos quatro canais chamados aereais e ARTV). É uma tendência relativamente recente mas que está a acentuar-se. No início, as ofertas de canais de televisão de cada operador eram relativamente semelhantes e a escolha entre um ou outro era feita sobretudo pelo preço - também ele muito alinhado -, pelo pacote de serviços ou pela percepção das funcionalidades tecnológicas: a net é fiável e veloz? conseguimos recuar quantos dias para ver os programas que não vimos quando foram transmitidos? quantos cartões de telemóvel e com que tarifários estão no pacote?

 

Depois começaram a aparecer alguns canais em exclusivo num ou noutro operador. Mas poucos conteúdos têm o poder do futebol para fazer, só por si, muitos clientes mudar de operador. Essa tendência vai agora acentuar-se. Os exclusivos pagam-se e no futebol os exclusivos pagam-se caros. E se se pagam caros, têm depois que ser rentabilizados pelos operadores, com pacotes tambem diferenciados e canais fechados com assinatura própria.

 

Nesta lógica, esta corrida aos direitos de transmissão do futebol não surpreende.

 

O que pode surpreender nestes negócios feitos entre o MEO e a NOS, por um lado, com o Benfica, Porto e Sporting, por outro, é o prazo de extensão dos contratos. Para os clubes, estes contratos a 10 e 12 anos dão uma garantia de estabilidade de receita num horizonte temporal longo, o que é bom para qualquer gestão.

 

Mas numa área em permanente evolução e onde a revolução é frequente, não sabemos se daqui a cinco anos aquilo que hoje parece ser um bom negócio não se tornará num fardo para uma das partes. No caso do FCPorto e do Sporting, os acordos de direitos televisivos estendem-se até 2028, o que é uma eternidade.

 

Basta recordar que há uma década e meia não havia Youtube nem Facebook e a Netflix não era sequer uma promessa. Que o iPhone só apareceu há oito anos e os tablet depois disso. Em cerca de uma década mudámos profundamente a forma como vemos televisão - é mais correcto dizer vídeo - e acedemos ao que queremos ver. Paralelamente, os modelos de negócio com os conteúdos também mudaram e a mudança não vai ficar por aqui. 

 

É fácil prever que em 2028 o futebol vai continuar a ser um espectáculo de massas mas poucos arriscarão apostar como é que vamos ver os jogos: em que aparelhos? e como vamos pagar por isso?

 

Era interessante conhecer com detalhe os contratos que estão a ser assinados, sobretudo que cláusulas de revisão contêm e em que condições, para perceber como uns e outros salvaguardam a necessária evolução.

 

 

OUTRAS LEITURAS 

  • A banca como poço sem fundo. Sabemos como começa o resgate de um banco mas nunca sabemos como acaba. São urgentes mudanças estruturais na gestão, a supervisão, na regulação e na própria actividade dos bancos. De que é que estamos à espera?

 

  • Temos um planeta lindo, que só melhora visto de longe. E a NASA não se cansa de nos provar isso mesmo. Espreitem aqui.

 

 

publicado às 11:12

Bruno de Carvalho acena com milhões para tapar desaires desportivos e judiciais

Por: José Amaro (jornalista)

 

Quando o céu parecia estar a desabar-lhe sobre a cabeça, eis que o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, dá à luz um negócio que, pelos números envolvidos, é o mais gigantesco de sempre envolvendo instituições desportivas portuguesas. São 515 milhões de euros distribuídos pela NOS ao longo de 12,6 anos e que servem para pagar as transmissões televisas dos jogos do clube e, também, a cedência dos direitos de exploração de publicidade. Os milhões da plataforma televisiva pagam ainda o direito de publicitar nos equipamentos dos “leões”. São milhões que parecem cair como água sobre o fogo que estava a alastrar por Alvalade, depois de uma catadupa de inêxitos desportivos, negociais e judiciais.

 

Horas antes de ser anunciado o acordo com a NOS o presidente do Sporting viu-se publicamente desmerecido por um grupo de associados contestatários, os quais mandaram colocar dois enormes placards nas imediações do estádio questionando a sua gestão, ao ponto de a apelidarem de mentirosa. Com os milhões entretanto anunciados (que são mais 100 do que os obtidos pelo Benfica, embora num acordo muito diferente, e mais 50 do que os conseguidos pelo FC Porto), Bruno de Carvalho parece ter conseguido desviar os holofotes para um cenário que, aparentemente e só aparentemente, lhe é mais favorável.

 

A vaga de contestação começou a engrossar após o jogo em Braga para a Taça de Portugal. A equipa até jogou bem e viu ser-lhe mal invalidado um golo. Na ressaca da derrota, Bruno de Carvalho saltou qual fera acossada e insinuou que o prejuizo resultante da arbitragem desse jogo fora consequência directa das queixas feitas, dias antes, por dirigentes do rival Benfica. Acusou sem provas e, pior, revelou falta de senso ao apelidar os rivais de “idiotas”. Não pensou que as suas palavras, para além de não agradarem aos rivais, também não colhem a simpatia de muitos associados do seu próprio clube, os quais já por diversas vezes afirmaram não se reverem no estilo popularucho e trauliteiro imposto e praticado pelo presidente. 

 

Dias depois, e como agora relembram os cartazes espalhados na Segunda Circular, Bruno de Carvalho, sofreu aquele que será, até ao momento, o mais forte revés da sua presidência. O Tribunal Arbitral Desportivo condenou o Sporting a pagar mais de 17 milhões de euros à Doyen Sports, empresa que antes havia financiado o clube numa transacção mas que, no momento de recolher os proveitos previstos num contrato escrito, se viu arredada do que estava acordado. Como seria de prever o Sporting perdeu a acção e, conforme foi desde logo explicado, são quase nulas as possibilidades de haver volte-face na sentença. Mas Bruno de Carvalho, por desconhecimento ou apenas por conveniência, logo se aprestou a correr para a imprensa (a mesma que em duas ocasiões, e contrariando as regras do jornalismo isento, já fez outras tantas manchetes com artigos de opinião assinados pelo presidente sportinguista) dizendo que nada estava decidido e que o caso só então começara a ser derimido. Enfim…

 

E como um mal nunca vem só, eis que a equipa de futebol, tão sabiamente conduzida por Jorge de Jesus, encontrou novo escolho, perdendo na Madeira, perante a União local, e deixando desse modo o primeiro lugar da classificação geral ao alcance do FC Porto, que naturalmente agradeceu e rejubilou.

Os milhões da NOS podem (e supostamente vão fazê-lo) atenuar parte da contestação interna. Mas não a extinguem. Aos olhos dos adeptos em geral e dos sportinguistas em particular o modelo de Bruno de Carvalho não colhe simpatias. Aos inêxitos desportivos recentes (e esses são sempre os que ficam na retina e na memória), às condenações judiciais e ao não atendimento das reclamações e queixas apresentadas contra rivais, junta-se ainda uma inenarrável política de defesa do clube que consiste, à semelhança do que outros também fazem, em mandar para os programas desportivos televisivos comentadores cuja credibilidade ou é nula ou apenas anedótica. Enfiar na casa de milhões de telespectadores um indivíduo de semblante medieval e voz teatral, bramindo de pé uma espada de plástico e proferindo ameaças contra um comentador de um clube diferente, não pode nunca significar credibilidade. Humor é uma coisa. Palhaçada é outra completamente diferente. Ao enveredar pela segunda via, perde Bruno de Carvalho e perde, sobretudo, o Sporting.

 

publicado às 16:39

A culpa não é do relvado. Nem sua, caro adepto

Por: Pedro Fonseca

 

Barulho dos adeptos, relva, iluminação e árbitros podem influenciar o resultado de um jogo de futebol? 

 

 Sporting e Benfica vão encontrar-se para os 16 avos da Taça de Portugal, no Estádio de Alvalade, este sábado, 21 de Novembro. Para os fãs, tanto para os que os ovacionam em campo como para os que acham que jogar em casa é uma vantagem, é melhor desiludirem-se: nada disso está cientificamente comprovado que funcione. Os fãs aos gritos têm pouco impacto no resultado de um jogo, segundo um recente estudo da universidade norte-americana do Nebraska: "gritar insultos ou encorajamentos não tem benefícios ou impactos", sintetizava o Daily Mail

O estudo foi feito com fãs do hóquei norte-americano, analisando quatro jogos da equipa da University of Nebraska-Omaha no Century Link Centre de Omaha entre Novembro de 2014 e Março deste ano. Como o jogo é feito no interior de um espaço, é mais fácil captar o som. Essa análise sonora aos jogos demonstrou que mais ruído não estava relacionado com uma melhor performance de mais golos pela equipa apoiada. Segundo Brenna Boyd, investigadora responsável pelo estudo, "o jogo mais barulhento ocorreu a 12 de Dezembro e ganhámos por um golo, pelo que penso não haver dados suficientes para saber se o barulho está correlacionado com quantos golos eles conseguiram durante o jogo".

Nos inquéritos dados aos jogadores após os jogos, estes também confirmaram que a assistência era barulhenta mas não os distraía do jogo. E o campo onde se joga, pode ser uma vantagem perante o apoio da audiência? Talvez. Num estudo sobre as equipas inglesas, nos anos 80, a equipa que jogava em casa ganhava, em média, 64% dos pontos. Análises posteriores apontavam que as duas "variáveis" com maior preponderância eram "a familiaridade com o estádio" e "o apoio da multidão". No primeiro caso, ajudava estar mais ajustado à relva ou à iluminação do estádio, se o jogo decorre à noite. Os apoiantes também podem "motivar os jogadores a darem o seu melhor e podem também influenciar as decisões do árbitro, levando a uma propensão para favorecer a equipa da casa". No entanto, este forte apoio pode igualmente pressionar demasiado a equipa da casa, além de que "multidões mal comportadas exercem uma influência negativa sobre o desempenho da equipa de casa", pelo menos segundo alguns estudos sobre o basquetebol - que, mais uma vez, é normalmente jogado no interior de uma sala.

Numa análise a equipas que jogam em campos neutros, o referido estudo da Football Perspectives detecta que "o apoio da multidão não é uma pré-condição necessária para a vantagem em casa", ao contrário do conhecimento do campo onde se joga. Há igualmente uma outra explicação, relacionada com o tempo de viagem da equipa visitante, mas os investigadores dizem ter um "pequeno efeito na vantagem" de jogar em casa. Na Alemanha, uma outra análise de 2008 assertava igualmente que os fãs e os estádios não são responsáveis pelas vitórias no futebol. Andreas Heuer e Oliver Rubner, da universidade alemã de Münster, analisaram 12 mil jogos da Bundesliga entre 1965 e 2007. A diferença de golos revelava uma vantagem nos jogos em casa mas era tão pequena por jogo que não se podia considerar relevante em termos estatísticos.

Mas pode esta pressão dos adeptos ter influência, por exemplo, nos árbitros? Aparentemente, isso pode acontecer. 40 árbitros assistiram a um jogo entre o Liverpool e o Leicester da época de 1998-99, com metade a vê-lo com todo o ambiente sonoro do estádio e a outra metade em silêncio. Os primeiros foram "menos propensos a marcar faltas contra a equipa da casa", relativamente aos que viram o jogo em silêncio. "Esta preferência para a equipa da casa coincidiu com as decisões reais do árbitro" no jogo desse dia, explicava o The Guardian. Segundo os investigadores, "os árbitros tendem a evitar marcar faltas contra a equipa da casa como forma de se protegerem dos níveis de stress adicionais que ocorrem com o antagonizar da multidão". Isto sucede não porque os árbitros queiram fazer o que a multidão pede mas para evitarem "o que iria dirigir a fúria da multidão directamente para eles". "Os psicólogos chamam a isso 'prevenção'" (ou "avoidance", no termo em inglês). Em resumo, no futebol - e perante o terreno, o barulho, os adeptos e os árbitros - ganha quem marca mais golos. De resto, é fácil arranjar desculpas de que o chão está torto quando não se sabe dançar...

publicado às 19:21

O Super Fundo, o Super Agente e o Génio numa Liga que se quer Super

O primeiro pontapé da bola da época 2015-2016 da Liga NOS será dado hoje, 14 de agosto. O Sporting Clube de Portugal apadrinha o Clube Desportivo de Tondela na sua estreia entre os maiores do futebol português. O Estádio Municipal de Aveiro, que deveria ser a casa de um clube que foi relegado para os Distritais devido a questões financeiras (Beira-Mar), é o palco, emprestado, de um clube que subiu a pulso à custa do rigor orçamental.

 

Por: Miguel Morgado

 

futebol

 

A Liga, com novo inquilino, o ex-melhor árbitro do mundo, Pedro Proença, quer estar entre as melhores das melhores. No topo do futebol europeu. Esse é, para já, um desejo. A competitividade é outro. E nesse campo, o palco da história da competição tem sido objectivamente dividido entre dois clubes, embora o terceiro nunca se possa descartar. Para os três crónicos candidatos – Benfica, Porto e Sporting – a próxima época será um tanto ou quanto diferente das anteriores. A obrigatoriedade de ganhar títulos é inerente ao ADN das equipas. Até aqui nada de diferente, mas, este ano, em particular, não será uma questão de vida ou morte, mas andará lá muito perto. Não no sentido literal, descansem, mas os três presidentes das três instituições desportivas estarão debaixo de escrutínio mais apertado por parte de sócios e adeptos. Porquê? Passemos a explicar.

 

O Futebol Clube do Porto e Jorge Nuno Pinto da Costa confundem-se numa história repleta de títulos. Perder, ou antes, não ganhar, é como aquelas letras minúsculas de alguns contratos. Estão lá mas ninguém repara. Só olhamos para o que compramos. Para o bolo, que no caso está bem recheado de faixas, títulos e taças. Agora, quando os outros ganham, significa que o Porto não venceu....É pois, se dois anos sem festejar nada junto à Câmara Municipal, podem provocar muita azia em estômagos habituados a francesinhas, se somarmos mais um ano de jejum, avizinha-se algum contorcionismo lá para os lado da Foz. Porque só os diamantes são eternos e porque Pinto da Costa quererá, quando assim entender, sair de cena com mais uma medalha ao peito, a aposta é grande. E de risco. Tal como no passado recente, e com muito sucesso, o “casamento” com o Super Fundo, Doyen Sports, serve para fazer aterrar na Invicta estrelas de outros campeonatos, estrelas essas que, mais tarde, ou mais cedo, farão as malas rumo a outras super Ligas. Algo a que este “casal” está habituado. E até se dá bem.

 

Reconhecidamente um dos clubes que está sempre um passo à frente no que toca ao futebol, e porque, por enquanto, a proibição dos TPO (Third Party Onwership), ou seja, a participação de terceiros (fundos de investimento, por exemplo) nos direitos económicos dos jogadores, foi decretada pela FIFA (artigo 18 ter do Regulamento do Estatuto e Transferências dos Jogadores), o Porto fez uma finta, e continua a garantir o concurso de craques, que de outra forma não conseguiria. Como? Seja via TPI (Third Party Investment). Ou seja, o Fundo empresta o dinheiro para a aquisição dos direitos federativos, funcionando assim como uma entidade bancária, seja utilizando os serviços de intermediação, ou até recorrendo a uma “barriga de aluguer”, isto é, um clube, no caso concreto uruguaio (Sud América), que comprou o avançado Pablo Osvaldo, registou os seus direitos, e que, de seguida, emprestou o ítalo-argentino aos Dragões. Definitivamente um golaço fora de campo. A ver vamos se dá frutos no relvado.

 

Aquele que tira as pérolas do Seixal com uma mão.... 

 

O Sport Lisboa e Benfica parte para os próximos meses depois da embriaguez de títulos dos últimos dois. E se recuarmos até ao dia em que Jorge Jesus entrou pelas portas adentro do Seixal, encontramos muitas razões que fizeram sorrir (campeonatos e Taças) e também chorar (finais da Liga Europa) sócios e adeptos do clube da águia. Com JJ, Benfica jogou, voou e sonhou bem alto. E festejou.

Bi-campeonato conquistado e eis que o mundo encarnado parece desabar. Embora Luis Filipe Vieira recupere uma frase que se costuma ouvir mais a norte de “a estrutura...”, aquele a que podemos chamar o Dono Daquilo Tudo, leia-se dos títulos, troféus e finais, Jorge Jesus, foi-se. E não para longe, mas para bem perto. E ter um “fantasma” a viver ao nosso lado, não é nada agradável. E dói.

 

Para piorar, a pré-época das águias foi ao nível da pré-campanha do Partido Socialista. As figuras de cartazes não devem passar de figurantes no plantel. Ao ponto de Rui Vitória, no jogo da Super Taça, ter que se socorrer de caras do Seixal (deixando os rostos da Junta de Freguesia de Arroios para outros campeonatos). Depois da derrota num simples jogo, Vieira terá que explicar muito bem explicadinho a aposta feita. Ao contrário do PS não há, até à data, demissões de “diretores de campanha” nem “mea culpa” na escolha das opções feitas. Antes, Vieira, que já o tinha feito e continuará a fazer, irá desdobar-se em cada Casa do Benfica por esse país fora. Até dia 31 de agosto, aquele que com uma mão coloca pérolas do Seixal pelo preço mínimo garantido de 15 milhões em Espanha, França e outras paragens, ajudará, com a outra. Falamos de Jorge Mendes, o Super Agente, que tal como no passado, nos últimos dias de fecho do mercado, com pós de perlimpimpim, pezinhos de lá e mãos cheias de euros, “mete” cá os seus representados. Uma estratégia que tem dado lucros, desportivos e financeiros.

 

O Génio que mudou de lâmpada

 

Por último, o Sporting de Jorge Jesus e de Bruno de Carvalho. Eterno corredor por fora destas contas, este ano assume a luta por dentro. Para tal, o jovem presidente que já tinha no currículo o fato de ter tido olho para ir buscar, em dois anos, dois dos grandes treinadores portugueses (Leonardo Jardim e Marco Silva), conseguiu, ao terceiro ano, tão só, ir buscar o maior entre os maiores. Numa jogada de mestre conseguiu ter o génio da bola ao seu lado no banco onde gosta de estar. E continuará a estar.

Roubando o “cérebro” ao eterno rival, ao mesmo tempo que esventra o coração alheio, enche a alma leonina. E se enche. Jorge Jesus, fala como um homem, veste-se como um homem (o tratamento e as madeixas capilares é de homem moderno, diga-se), por isso, toda a nação sportinguista diz ser o homem certo.

 

BdC, envolvido em batalhas internas e externas, sabe que a mais saborosa de todas será o título de campeão nacional. Ou mais taças, para juntar às que conquistou. Jogou, por isso, em vésperas de eleições, uma cartada bem forte. Enquanto as atenções benfiquistas estão centradas na Portela, nas Chegadas, os vizinhos da segunda circular, não querem ver nem ouvir a palavra Partidas. Rodando a bússola a Norte, até ao lavar dos cestos é vindimas, por isso é provável um entra-e-sai. Para já, um teve guia de marcha. Adrian Lopez, do Super Agente Mendes. 

 

No fim fazem-se as contas. Antecipamos, desde já, que para quem não vencer a Liga será um “ai Jesus”. Ao vencedor os seus fiéis adeptos responderão com um Amém, enquanto aos outros resta pregar fé pelas suas freguesias. Jesus, Bruno de Carvalho, Vieira, Rui Vitória, Pinto da Costa ou Lopetegui. Um deles, ou a dupla, será apelidado de Super-Herói (s) da Liga 2015-2016. Só esperamos que não vistam o tradicional kit de capa e collants. Porque ver qualquer um deles assim, não seria uma imagem compatível com uma Liga que se quer Super.

 

Miguel Morgado é jornalista, tendo trabalhado no Jornal de Negócios, Euronoticias, Revista Política e Revista “Ganhar” (Jornal de Negócios). Foi editor de Desporto de dois jornais regionais  (Jornal de Oeiras e Jornal de Cascais) e do site www.desportnalinha.com . Atualmente, é assessor de Impensa na Cunha Vaz e Associados. Esteve inserido nas estruturas de comunicação do Sporting Clube de Portugal, Federação Portuguesa de Rugby, CTT e RTP, entre outros clientes. Licenciado em Relações Internacionais e Pós Graduado em Jornalismo e Comunicação, pelo ISCTE está a terminar uma tese sobre “Fundos de Investimento no Futebol – Third Party Onwnership” no âmbito da Pós –Graduação de Finanças e Direito do Desporto, na Faculdade de Direito de Lisboa. Casado e pai de 4 filhos. Gosta e pratica futebol, surf e rugby.

 

publicado às 15:00

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