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Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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A nova primeira-dama do Brasil

Por: José Couto Nogueira

 

Chama-se Marcela e é uma menina bem comportada de uma cidadezinha do interior de São Paulo. Até ao longínquo ano de 2011, nunca ninguém a tinha visto ou ouvido falar dela. Na primeira tomada de posse da Presidenta Dilma, apareceu ao lado do marido, o vice-Presidente Michel Temer. Uma senhora jovem, discreta, vestida com classe e sorriso contido. Qual era o espanto? Marcela tinha então 27 anos e Michel 70.

 

Temer.Marcela.jpg

 

A diferença de idades provocou imediatamente as insinuações e piadolas de mau gosto do costume. Mas as estatísticas desta breve exposição nacional são impressionantes: Segundo o Twend.it, Marcela ficou 32 horas entre os dez termos mais comentados no mundo dos microblogs. E, segundo o Trendistic, o pico aconteceu às 14 horas de domingo, quando os tweets com o nome da vice-primeira-dama chegaram a 0,09% das mensagens em todo o mundo, momento em que Justin Bieber andava nos 0,24% dos tweets mundiais. Dados do Topsy.com confirmam que ela teve 55 mil citações na primeira semana depois da aparição.

Mas Marcela não voltou a mostrar-se em público em Brasília, ou em qualquer outro sítio, apesar da extrema visibilidade do vice, que também é Presidente Nacional do PMDB e há décadas um político muito activo.

 

Graças às voltas e reviravoltas da política, Marcela Tedeschi Araújo Temer, a partir de ontem tem como lar o maravilhoso Palácio da Alvorada, plantado no meio do urbanismo mítico de Brasília.

Assim que se revelou inevitável que Temer ia ser o novo Presidente da República – mesmo que por seis meses, ou menos – toda a gente se voltou a lembrar de Marcela. Há duas semanas a revista “Veja”, fortemente conotada com a oposição ao PT, deu-lhe um artigo de destaque em que, entre outros encómios, chamava-lhe “bela, recatada e do lar”. Estes atributos são tão ridículos, na era de Michelle Obama, que até houve quem pensasse que a revista estava a fazer troça, fingindo que elogiava. Bela, a senhora será, sem dúvida; mas “recatada” é um elogio que remete ao evangelismo mais radical – que ela não segue – e “do lar” quer apenas dizer que não sai de casa senão para o shopping, o que também não abona a quem se espera que, no mínimo, tenha alguma conversa informada e saiba receber convidados de todas as cores, origens e destinos.

 

As redes sociais encheram-se imediatamente com interrogações, afirmações e elucubrações. Marcela é determinada, aventa-se. Marcela sabe o seu lugar, ridiculariza-se. Marcela tem uma tatuagem no pescoço. Ops! Uma tatuagem no pescoço? É verdade, mas a tatuagem é como uma anilha – o nome do marido, a preto, em letras floreadas.

O vetusto “O Estado de São Paulo”, um jornal que não perde tempo com frivolidades, mandou uma equipa de reportagem à cidadezinha natal da menina, Paulínia, para lhe dedicar um longo artigo com tudo o que se pode querer saber sobre a mulher que segreda ao ouvido do homem mais importante do país. Artigo, note-se, publicado na secção de Política e não no suplemento de modas e bordados.

É um currículo apagado e que não mostra grandes horizontes; foi Miss Paulínia, ficou em segundo lugar no Miss São Paulo, trabalhou como recepcionista... Discreta, poucas amigas, nenhum amigo especial.

 

Em 2002, quando Temer era deputado federal, foi a Paulínia apoiar um correligionário. Marcela tinha ido ao comício só para acompanhar o tio, metido na politica local, que os apresentou.

Um homem na casa dos setenta e que já foi casado duas vezes não tem muito tempo a perder; num ápice Marcela estava casada, a morar em São Paulo e a estudar direito. Formada em 2003, não chegou a fazer o exame da Ordem, porque estava grávida. Nascido Michelzinho, nunca mais voltou a trabalhar.

 

Como será a Alvorada com Marcela? Todos sugerem, mas ninguém sabe. A classe média, a tal que o PT diz que o odeia, ficará muito feliz por ter uma mulher protocolar ao lado do Presidente. O oposto das guerrilheiras que entravam e saiam no palácio a sacudir bandeiras vermelhas, para não falar em Dilma ou Marisa (a mulher de Lula) sempre apertadas naqueles vestidos rebuscados. Se Marcela quer, ou se Michel quer que Marcela queira, poderá cumprir lindamente as funções que se atribuem às esposas dos presidentes.

Uma coisa é certa: o Brasil vai mudar, e muito. De cima para baixo.

 

publicado às 12:05

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