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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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A reflexão dos manifestos bancários

 

Por: António Costa

Vem aí mais um grupo que quer uma reconfiguração da banca portuguesa e até tem um site oficial, com personalidades que, elas próprias, já tiveram o poder de influenciar o desenho do sistema financeiro, e fizeram-no, não necessariamente da melhor forma, como se constata hoje. O que quer este novo grupo?

 

Em primeiro lugar, é um grupo de reflexão que foge, e bem, da lógica primária do manifesto anti-qualquer coisa, neste caso anti-Espanha, a pior forma de por o problema. Se há problemas, e há, temos de olhar para Lisboa em primeiro lugar e não para Madrid. Estas iniciativas podem até ter um fim bondoso, desde logo evitar que seja o BCE a decidir o que se passa em Lisboa do ponto de vista acionista dos bancos, mas parecem esquecer que o que determina a configuração de um sistema – bancário ou outro – é a disponibilidade de quem tem capital para nele participar. Quando são outros os interesses, regra geral dá maus resultados, porque não é sustentável. Mais ainda quando os destinatários destes pedidos são os governantes que decidem envolver-se com o dinheiro de terceiros, leia-se dos contribuintes.

 

O grupo de reflexão – promovido por João Salgueiro à cabeça e com nomes como Bagão Felix, Eduardo Catroga, Rui Rio ou Diogo Freitas do Amaral – apresenta-se com um documento de 14 pontos em que dá o exemplo (mau) do Banif. Que, seguramente, ninguém quer repetir. O verdadeiro alcance, esse, é outro, é o destino do Novo Banco, primeiro, e do Millennium bcp, depois. E poderia incluir-se aqui a Caixa Geral de Depósitos, que o governo de António Costa quer manter 100% pública a todo o custo, falta saber qual, e com que objetivos.

 

É público que este grupo nasceu numa lógica anti-espanholização da banca portuguesa, mas esta é a sua primeira e maior dificuldade. Só Espanha tem interesse em meter dinheiro nos bancos portugueses e pouco de preferência. Com o apoio do BCE, sim, que prefere tratar Portugal como uma nova província espanhola. Mas não há capital privado em Portugal, Angola já não tem a disponibilidade financeira de outros tempos e os chineses desapareceram. Sobram, em última análise, os mesmos de sempre, os contribuintes, para participarem à força num qualquer movimento de nacionalização, provavelmente do Novo Banco.

 

Nas próximas semanas, vamos todos perceber que este grupo de reflexão tem, em última análise, esta proposta a fazer. Porquê? Porque a venda do Novo Banco será um calvário, e salvaguardadas as devidas distâncias, vai aproximar-se do que foi o processo do Banif. Ainda chegaremos ao momento em que estaremos a discutir as consequências do futuro do Novo Banco, para os contribuintes e para os outros bancos do sistema.

 

Quais serão os efeitos práticos previsíveis deste novo grupo de reflexão? Além da promoção de umas reuniões com Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, além da discussão pública, desejável, muito poucos. Seria muito desejável que os bancos portugueses tivessem capital português e de várias outras origens para garantir concorrência na afectação do financiamento, mas isso (já) não está nas mãos do Governo, deste ou de outro.

 

O que os governos podem fazer – e devem – é criar as condições para a atração de investimento estrangeiro de várias nacionalidades, para a banca e para outros setores, e para a formação de riqueza no país que permita ter empresas capitalizadas que não dependam dos bancos para o seu futuro. Se fizerem isto bem, já não é pouco.

 

 

As escolhas:

António Costa vai perceber que não basta garantir a sobrevivência da ‘geringonça’. O líder da CGTP, seguramente coordenado com o PCP, vai promover uma semana de luta entre os dias 16 e 20 de Maio. E promete tudo, isto é, greves, manifestações e concentrações. Com um objetivo em mente, como se pode ler em www.economico.pt. É preciso acabar com a caducidade dos contratos e renovar a contratação coletiva, ou seja, é preciso proteger o que resta do poder da CGTP nas empresas.

 

Finalmente, descubra a Semana do Empreendedorismo de Lisboa, que começa hoje e prolonga-se até ao próximo dia 8. Parece uma brincadeira do destino, depois de uma semana em que a Uber foi alvo de todas as ameaças, em que os organismos públicos, incluindo as câmaras de Lisboa e Porto, dão os sinais errados de apoio a uma corporação contra o novo tempo, chega a semana dos empreendedores que sonham ser um novo Uber. Uma semana cheia, que pode consultar aqui www.lisboastartupcity.pt.

 

Tenha uma boa semana.

publicado às 12:09

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