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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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As marcas de 90 dias de governo

Por: António Costa

 

O ministro Augusto Santos Silva anunciou-nos que o Governo está empenhado em ganhar um novo mandato em 2019, coisa que, na verdade, não precisava de ter feito, porque se há coisa que fica clara deste Orçamento do Estado para 2016 e dos três meses de governação é isso mesmo. Se não há primeiro-ministro que se lixe para as eleições, e não há, há primeiros-ministros que só pensam nas eleições.

 

Ao fim dos primeiros 90 dias de governo – mais acelerados do que costumam ser, por responsabilidade alheia e, sobretudo, culpa própria – já é possível definir as marcas que estão para ficar. António Costa bem se esforça por dizer que a principal caraterística é a que cumpre o prometido, o que é quase verdade. Prometeu beneficiar a função pública, e cumpriu, prometeu descer a sobretaxa de IRS (os mais pobres já não pagam IRS, diga-se) e cumpriu parcialmente, prometeu beneficiar os donos dos restaurantes e vai cumprir, prometeu descer a TSU dos trabalhadores com salários até 600 euros e... não cumpriu. Mas como as promessas não podem ser um fim em si mesmo, especialmente quando Costa foi além das suas próprias promessas eleitorais, sobram outras marcas destes 90 dias.

 

A primeira é mesmo a que Santos Silva nos anunciava. António Costa está a governar para as eleições, só não está a governar para 2019, mas para este ano ou, no máximo, o próximo. Como sucede em qualquer campanha eleitoral, só existe o líder, tudo é feito e centrado no nome e na capacidade política de quem manda. Para já, pelo menos, é uma vantagem. O Governo não tem estrelas, tem valores seguros como Santos Silva e Vieira da Silva, tem surpresas – para quem não os conhece – como Pedro Marques ou Adalberto Campos Fernandes, e as estrelas académicas que se apresentavam, Mário Centeno, Manuel Caldeira Cabral e Tiago Brandão Rodrigues, são na verdade as desilusões.

 

António Costa, é preciso reconhecer, conseguiu dar vida à geringonça, passou os testes sucessivos a custo, sobretudo o externo e as negociações com Bruxelas. Foi obrigado a mudar a lógica do orçamento – e foi isso que a Moody’s elogiou, já agora – e mesmo assim conseguiu ter os votos do BE e do PCP. O primeiro, como já se percebeu, quer o poder e vai atuar em conformidade, como se prova pela reação às reações a um cartaz tão estúpido como errado. O segundo será mais difícil de contentar, como se percebe pelos sinais públicos e notórios, até pelas posições da CGTP. Mas Costa conseguiu.

 

O ritmo da vida política portuguesa não vai abrandar, pelo contrário. Os efeitos de uma estratégia orçamental e económica contraditória, misturados com um contexto internacional de crise e estagnação generalizado, só podem dar maus resultados em Portugal. Não só ao nível das contas públicas, como do crescimento e emprego e das contas externas. E é por isso que o Plano B de Mário Centeno será mesmo para executar e em simultâneo o Governo tem de apresentar o PEC até 2019.

 

Até lá, vamos continuar a ter política, e muita, não necessariamente da boa.

 

As escolhas

 

O jornalismo foi premiado nos óscares, numa noite de surpresas a abrir e a fechar. O Óscar para o filme “O caso Spotlight” – uma investigação jornalística nos EUA aos abusos sexuais de crianças por parte de padres em Boston – é uma distinção a um certo cinema e a um certo jornalismo, ambos em crise. Leia aqui em www.sapo24.pt todas as histórias, e claro, os melhores vestidos do ‘red carpet’.

 

Tenha uma boa semana

publicado às 09:39

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