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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Lisboa que sobe e desce

Por:Pedro Rolo Duarte

 

 Anualmente, a prestigiada e atenta revista “Monocle” dedica parte de uma edição ao ranking das melhores cidades do mundo para viver. A lista é elaborada a partir de uma série de critérios, nem todos óbvios, mas todos ligados à vida quotidiana das cidades: desde a facilidade em jantar depois das dez da noite às horas anuais de sol, passando pelo nível de aceitação de animais domésticos nos espaços públicos, a revista considera itens como estes ao lado dos clássicos desemprego, população, integração religiosa, etc.

 

Lisboa faz parte das 25 cidades “top” há vários anos, tendo vindo a subir na tabela: em 2014 estava no 22º lugar, em 2015 subiu para o 18º, e este ano ficou no 16º. O comentário do jornalista encarregue de justificar a classificação sublinha a cada vez maior convivência entre o lado histórico da capital portuguesa e o seu crescente cosmopolitismo e modernidade. No fim, nas recomendações para melhorar a qualidade de vida, fala de dramas verdadeiramente assustadores para todos, como os números do desemprego jovem (34,4%), e do caos do trânsito na cidade, que faz a cabeça em água, a muitos de nós, diariamente.

 

Tenho um especial interesse por estes olhares que vêm de fora e surpreendem com pormenores que nos escapam, mas também se equivocam com aparências sem fundamento. Nesse sentido, a classificação de Lisboa no ranking da “Monocle” mostra uma verdade - uma metrópole em mudança -, mas passa ao lado de uma ameaça real para quem vive na capital: cada vez é mais fácil ser turista na cidade, na mesma proporção em que é cada vez mais difícil viver nela.

 

É indiscutível que os últimos anos trouxeram vida a Lisboa, espaços públicos de qualidade, oferta cultural, requalificação de bairros, comércio cosmopolita, e uma diversidade de eventos e iniciativas que chegam a deixar-nos perdidos, de tanta oferta. Mas, ao mesmo tempo, além de se deixarem morrer ícones que faziam parte da nossa História e do nosso Património (ainda esta semana fechou mais uma loja clássica, a bicentenária “Tavares”, da Rua dos Fanqueiros…), tornou-se de tal forma prioritária a oferta turística que se negligenciaram as necessidades de quem vive e trabalha aqui. Lisboa é hoje uma cidade difícil para os lisboetas. Difícil na deslocação em transportes públicos, caótica no trânsito, cara na economia do dia-a-dia, escassa na possibilidade de habitar o centro da cidade. Em vez de servir os lisboetas, o poder local parece querer mandá-los para longe…

 

Quanto mais nos abrimos ao exterior, mais esquecemos quem já cá estava. Nessa medida, a qualidade de vida de Lisboa deteriora-se ano a ano, ao contrário do que faz crer o olhar distante e simpático da “Monocle”. Estamos a subir no ranking de quem nos visita - mas vamos a pique no coração de quem acorda todos os dias naquela que já foi, e cada vez menos é, a nossa “menina e moça”…

 

PS - Se calhar seria de esperar que escrevesse sobre o tema do dia, a passagem de Portugal à final do Euro 2016. Um orgulho para todos, sem dúvida. Mas eu não sou um especialista em futebol, sou apenas um espectador entusiasmado. E se passo a vida a criticar os “achistas” que enxameiam Portugal palpitando sobre tudo e todos, não quero ser mais um treinador de bancada a dizer o que me vem à cabeça. Só espero que domingo haja festa!

  

 

Para ler sem falta esta semana…

 

Uma matéria muito prática e objectiva sobre alguns dos “luxos europeus” que os britânicos vão perder em breve. Saiu há dias no suplemento Mercados do jornal El Mundo.

 

Sofre de ansiedade? E se trocasse essa palavra por outra, que lhe retirasse a carga negativa que sempre lhe associamos? Um pequeno video - posso chamar-lhe reportagem… - da revista The Atlantic, explica como e porquê.

 

… E por falar em ansiedade, eis o site da revista mais zen que circula por aí. O preço de venda ao público não é muito zen - mas o site dá uma ajuda a tornar a nossa vida mais tranquila em torno do que é simples, natural, humano. Vale a pena descobrir a Kinfolk.

 

 

publicado às 09:38

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