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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Mudar, o verbo que não muda

 

Por: Pedro Rolo Duarte

 

Tudo indica que amanhã, em Lisboa, vai voltar a viver-se o caos que há uns meses paralisou literalmente a cidade: os taxistas voltam à rua com uma concentração às 8 horas e, a partir das 9, uma marcha lenta até à Assembleia da República, onde querem ser recebidos por António Costa. Florêncio de Almeida, presidente da Antral, já anda por aí nos noticiários…

 

 

A guerra é a mesma dos últimos tempos: a chegada da Uber a Portugal, a exigência de suspender os serviços da operadora, “porque há duas ordens de tribunal que os proíbem de operar”, e a reivindicação (do meu ponto de vista, a única legitima) de legislar no sentido de não haver situações de privilégio no sector.

 

Parece-me que a maioria dos taxistas quer mais do que isso, quer mesmo a Uber fora do mercado. Mas também me parece que a maioria dos consumidores quer apenas alterar a lei, de forma a que nem a Uber se aproveite dos buracos legais para fazer concorrência desleal ao serviço de táxis, nem os taxistas vivam num regalo de monopólio que dá para tudo, do serviço mais manhoso a uma espécie de cartel dominado por meia-dúzia. Há seguramente fórmulas de fazer conviver os dois serviços - tanto mais que o da Uber é elogiado pelos seus clientes e poderia elevar a qualidade geral do serviço de transporte urbano de passageiros (no Brasil, mesmo com protestos, a chegada da Uber levou taxistas a oferecer jornais, bebidas e doces aos clientes…).

 

Esta guerra é mais um dos muitos abanões que todos levamos a toda a hora, “sinais dos tempos” que mudam sem pedir licença. Se a minha classe profissional reagisse como os taxistas, bloqueava a Internet, que acabou com o modelo de negócio tradicional dos media, deixando à deriva (nalguns casos, falidos) jornais, revistas, televisões, numa oferta de informação brutal, gratuita, e onde todos podemos dizer de nossa justiça, sem filtro, sem regra, sem lei. Felizmente, os profissionais (e gestores) dos media não reagiram à bruta - e, aos poucos, às escuras, apalpando literalmente o terreno, tentam reenquadrar-se no universo da informação e perceber onde podem ir buscar a receita que lhes permita cobrir o custo e ganhar algum.

 

Podemos alargar este caos na gestão e optimização dos negócios, provocado pela tecnologia, ao comércio online, à banca, até às telecomunicações - que, em teoria, seriam as primeiras beneficiárias da revolução, não se dessem os “fenómenos” do tipo “whatsapp” ou “messenger”…

 

Neste quadro, a guerra dos taxistas ganha maior notoriedade porque paralisa as cidades, gera violência, dá directos emocionantes na TV - mas, se pensarmos um pouco, é apenas mais um conflito entre a velha e a nova economia. Vivemos um período - tão difícil e duro, quanto fascinante - de mudança radical de paradigma. O ser humano é resistente à mudança, e neste caso sofre na pele os efeitos da mudança. Mas há um facto incontornável: se nos adaptámos e aderimos de alma e coração à comunicação virtual, às redes sociais, à televisão dominada pelo nosso comando individual, às compras online em escassas horas… Bom, não podemos ignorar o reverso da medalha, o outro lado da moeda. Ele passa por formas diferentes de encarar o trabalho, de gerir os negócios. E de acordar diariamente. Tudo muda quando menos esperamos, ou mesmo quando acreditamos que talvez tudo fique na mesma. Não fica.

  

Coisas que me deixaram a pensar esta semana:

 

Extraordinária, para não dizer surpreendente, a ideia da revista “Monocle”, que por si só é um conjunto mensal de boas ideias, revelações e descobertas: um guia para fazer um país. Leu bem: construir uma nação. Infra-estruturas, legislação, sugestões nas áreas essenciais, da educação à justiça. Assim nasce um “guia” da revista, agora à venda online e em algumas livrarias internacionais, para quem queira meter-se nesses trabalhos: construir uma nação que funcione. Não é difícil pensar a quem nos apetecia oferecer a obra…

 

Qualquer comum consumidor urbano reparou certamente que a gigante McDonalds tem procurado, nos últimos anos, acertar o passo com o crescimento da tendência para a alimentação saudável, biológica, ou pelo menos mais equilibrada. Não querendo perder a sua fatia num negócio onde também começaram a operar “players” cuja imagem de marca é a fast-food saudável, a empresa desenvolveu produtos nessa área, das saladas aos wraps, da fruta fresca à sopa. Um artigo na revista “Money” surpreende com a mais básica das ideias: as saladas e essa súbita preocupação com a saúde não fazem parte do ADN da McDonalds. Talvez seja pouco inteligente tentar fazer hambúrgueres e batatas fritas passarem por peixe grelhado. E isso não é necessariamente mau, ou seja, talvez a McDonalds pudesse continuar como sempre foi. Os seus clientes parece que não se importam…

 

A rapidez com que tudo se vive chega a este ponto: o Facebook, que até ontem ou há dois dias era o rei das redes sociais, sente-se ameaçado pelos seus concorrentes Snapchat, Instagram e WhatsApp, e decide avançar para uma aplicação semelhante ao Snapchat (rede onde se podem colocar fotos e videos que duram apenas o tempo real em que são vistas, e depois desaparecem…), mas mais sofisticada. A quebra de 21% de tráfego no Facebook, em 2015, entre os seus 1.600 milhões de perfis, preocupa a empresa… 

publicado às 11:24

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