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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Sim, e o contrário também

Por: Pedro Rolo Duarte

Ou muito me engano, ou Álvaro Cunhal deu algumas voltas na tumba no fim‑de‑semana passado. Coerente, firme, implacável, teimoso, julgo acertar se disser que não lhe passaria pela cabeça engolir a “geringonça”, obrigando-o - como obrigou Jerónimo de Sousa - a, num único discurso, dizer que sim e que não, isto e o seu contrário, estamos mas não estamos.

 

 

Cito: “As opções do PS e a sua assumida atitude de não romper com os constrangimentos externos são um grave bloqueio à resposta aos problemas do país. O futuro de Portugal exige a ruptura com as imposições e chantagens que visam perpetuar a submissão, a exploração, o endividamento e o empobrecimento”.

 

 

Mas, e ao contrário, nem por isso o PCP deixará de viabilizar um Orçamento para 2017, assim ele mantenha o “compromisso de reverter direitos e rendimentos”, garantindo que vai “inverter o curso para o desastre económico e social que vinha sendo imposto”.

 

 

Ou seja, desde que os mínimos olímpicos se mantenham, o PCP engole o sapo (maior do que o das famosas presidenciais com Mário Soares…).

 

 

De passagem, Jerónimo de Sousa insiste na tecla da saída do euro como parte da solução dos problemas nacionais, quer cunhar a moeda portuguesa, e sublinha a necessidade da nossa autonomia económica, financeira, cambial e fiscal, numa claríssima demarcação da União Europeia e de tudo o que o PS (…e o PSD, e até o CDS) manifestam como essencial e fundador.

 

 

Se eu fosse militante do partido e estivesse naquela tarde escaldante de domingo a ouvi-lo, acharia que estava a sofrer os efeitos de uma insolação. É possível estar contra a essência, a raiz, a “causa das coisas” de um governo e de uma política, e ao mesmo tempo votar e caucionar esse mesmo governo em nome de magras recuperações de direitos para os trabalhadores, em geral, e a função pública, em particular? Como se concilia o voto num orçamento com a firme defesa do abandono da moeda única? Como se fala da “política de direita e de submissão à União Europeia e ao Euro”, ao mesmo tempo que se aceita, na Assembleia da Republica, as traves mestras que a suportam?

 

 

A lista de perguntas é tão grande como o discurso de Jerónimo de Sousa. Mas, ao ouvir o líder do PCP, interroguei-me sobre o que será, política e eticamente, mais sério e correcto: deixar um país à deriva, como está a suceder em Espanha, porque não se cede ao que se julga essencial; ou ceder no essencial, mesmo que para isso o discurso contradiga a acção?

 

 

Não tenho uma resposta taxativa (há muito que me deixei disso…). Mas uma coisa sei: Jerónimo de Sousa e o PCP estão claramente a viajar na maionese. Neste caso, numa maionese talhada pelas contradições entre o que defendem e o que depois fazem. Estarão a ficar iguais aos “outros”?

 

 

Rentrée em três actos…

 

 

Enquanto por cá os canais de televisão apontam as suas armas pesadas para o horário nobre - novelas, séries, reality-shows… -, nos Estados Unidos da América as séries continuam no trono do rei, destronando filmes e concursos e programas de informação. Neste link, a lista da revista Time para as 12 séries imperdíveis da estação. Entre o cabo, os canais clássicos e o Netflix, mais tarde ou menos cá chegarão…

 

 

É seguramente a transferência do ano na imprensa portuguesa: Vasco Pulido Valente deixa o Público - e por esta via, o papel impresso - e entra no mundo digital, já em Outubro, com duas crónicas semanais (sábado e domingo) no jornal Observador. Antecipando a transferência, deu uma longa entrevista a Vítor Matos que, embora publicada no jornal em Junho, vale a pena reler agora, quando o seu regresso se aproxima…

 

 

Não houve jornal que não lhe dedicasse umas linhas, nem rede social onde não fosse referida a toda a hora: a síndrome pós-férias, quase classificada como mais uma doença na já longa lista das estranhas patologias psicológicas, mereceu do nosso vizinho digital El Español uma matéria que vale a pena ler. Por um lado desmascara uma invenção que nos dava imenso jeito, por outro explica o fenómeno pelo lado cientifico.

publicado às 11:49

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