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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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O Pokémon vai de férias para o Algarve. Vá com ele, por uma de quatro rotas alternativas

 

Por: Miguel Morgado

 

 

A realidade aumentada está na moda. Em agosto o país inclina a sul. Este ano o boneco virtual junta-se a todos aqueles que para aí rumam de férias. Ponto de partida? Imaginemos uma linha a sul de Lisboa que rasga horizontalmente o Alentejo e, em jeito de cascata, caça-Pokémons e automóveis percorrem as estradas nacionais. Sem portagens e com paragens sem preço, todas desaguam no mar, de Sagres a Vila Real de Santo António. Partamos, então, com mais de 30º à sombra.

 

Se é um leitor que tem sede de chegar ao seu destino de férias, no Algarve, e que se prepara para “voar” pela autoestrada, com uma breve paragem numa estação de serviço apinhada de gente com carros atolados de bagagem, bicicletas e alguns barcos de recreio, então as linhas que se seguem...são exatamente para si. Para si e para todos aqueles que decidiram, em agosto, rumar a sul, destino de eleição, há muito, de muitos de nós.

 

Este ano parece haver uma novidade: os Pókemon decidiram também ir de férias para o Algarve. No mundo da virtualidade imagine agora que são vários que se espalham todos para sul, à nossa frente. Por isso, siga-os e tente apanhar, pelo menos, aquele que vai de férias consigo. É este, o jogo que lhe propomos a seguir.

 

Para lá chegar podemos partir dos vários pontos cardeais do nosso rectângulo continental. Mas, para facilitar e porque não somos centralistas, a viagem aqui desenhada não se restringe a quem parte do Terreiro do Paço. Faz-se um pouco mais a sul de Lisboa, já do outro lado do rio Tejo. Sem ser a régua e esquadro, traçamos uma linha, mais ou menos horizontal e transversal, que rasga o Alentejo, partindo o país em dois.

Em jeito de cascata, o boneco virtual segue as rotas alternativas que o asfalto das estradas nacionais nos proporciona para chegar ao destino. De Sagres a Vila Real de Santo António, passando por Albufeira, no Barlavento ou Sotavento, na praia que escolheu estender a toalha ou numa qualquer vila na serra algarvia, se for esse o local eleito.

 

Por estas vias tudo será feito com tempo, aproveitando-o ao máximo. O imenso sol será nosso fiel companheiro, bem por cima das nossas cabeças ou do nosso lado direito. São também rotas para quem gosta e quer apreciar as várias e diversas paisagens que tem pela frente. Seja pelo litoral, interior ou a que segue o curso do rio Guadiana.

 

Há paragens obrigatórias. Canal Caveira a Alcoutim, praias no litoral alentejano, vilas alentejanas em que o tempo demora a passar, ou na estrada da serra do Caldeirão, onde cabines telefónicas da Portugal Telecom denunciam tempos de outrora. Pelo caminho, há nomes de terras de trazem à memória Minas de outros tempos que nos são familiares, umas encerradas outras recuperadas.

 

A paisagem é bucólica e diversificada. Há o amarelo torrado do Alentejo. O verde das serras e dos Parques Naturais. Observamos campos de milho, girassóis, olival, gado em pastagem e pás eólicas que com um toque de modernidade ajudam a pintar o quadro que nos espera. Há restaurantes de estrada e placas a anunciar fruta à venda. Há carros e camiões em movimento, estradas completamente vazias salpicadas por coelhos e gatos, sinais de limites de velocidade nas localidades que nos obrigam quase a parar no tempo e bicicletas com ciclistas que parecem terem perdido o pelotão da Volta a Portugal.

Nas vilas e aldeias, portas e janelas impedem o calor tórrido de entrar e as esplanadas de alguns cafés convidam viajantes e idosos locais a partilharem silêncios.

 

Comecemos então com a estrada nacional mais conhecida e frequentada. É um percurso que tem complementar no nome, mas que nesta altura tem estatuto de principal.

 

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IC1: Canal Caveira já tem minimercado

Em Alcácer do Sal, os ninhos que as cegonhas edificam servem de inspiração para a viagem que começou uns quilómetros mais atrás e nos guiará, em modo de voo plano pela planície, até ao Sotavento ou Barvalento algarvio.

 

Já foi a principal paragem, já perdeu o estatuto, esteve quase a sair do mapa e voltou nos anos mais recentes a ser (quase) aquilo que foi. Falamos de Canal Caveira, uma reta de cafés, restaurantes e do minimercado, que se alinham no sentido norte-sul, isto é, inclinado só para quem desce para o Algarve. Do lado inverso um imenso parque de estacionamento e uma ponte pedonal que parece servir de decoração, tantos são aqueles que arriscam a travessia mais direta ao café que está à mão de semear. Com estômago atestado, cumpre-se uma tradição. Mas, se quer acrescentar algo mais profundo da região, a seguir a Grândola, antes de Ermida do Sado, faça um desvio até as Minas de Lousal (minas de Pirites, já extinta) e revisite a história da vila no Museu Mineiro e no Centro de Ciência Viva do Lousal ou coma no restaurante Armazém Central.

 

Rode a chave da ignição de novo que é tempo de acelerar, porque as férias não esperam. Com mais ou menos tráfego, siga até Ourique, suba até Santana e São Marcos da Serra, e em São Bartolomeu de Messines ou desvia para Silves (N124) ou segue a linha do comboio até Tunes, Ferreiras, Albufeira. O mar está ali à vista. Passou rápido.

 

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Seguindo o curso do Guadiana pela N122  

Para o Pókemon que vem de Évora, passando pelas terras de vinho – Portel e Vidigueira –, em direção a Beja, não apanha o avião, antes calcorreia o asfalto e faz o desvio para Mértola e para o Parque Natural do Vale do Guadiana, pisando, mais à frente, a N122. Um desvio às Minas de São Domingos poderá fazer parte da sua rota. Com os semáforos e sinais a obrigarem à velocidade de 50 km/h no concelho de Mértola, em Vale do Açor de Cima, as cabines telefónicas com a insígnia Portugal Telecom levam-nos a quase parar como a recuar no tempo. E por falar em passado, a seta Pulo do Lobo aviva a memória política de tempos passados escritos na então jovem democracia.  

 

A seguir a Santa Marta é merecido o desvio, e pausa, em Alcoutim. Dai, pela estrada 122-1, quase que basta esticar o nosso braço esquerdo e tocamos no rio Guadiana e na vizinha localidade espanhola de Sanlucar de Guadiana. Serpenteie por essa estrada fora até Castro Marim (retomando aí o IC-127) ou siga pelo Azinhal e Junqueira até Vila Real de Santo António, onde desagua em algumas rotundas que ligam à famosa nacional 125. Chegamos, então, à ponta mais a leste do sotavento algarvio.

 

 

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Por entre Minas na N2 

Montemor-o-Novo marca outro ponto de partida deste jogo real que lhe apresentamos de chegar às praias algarvias por estradas sem portagens e com (obrigatórias) paragens que não têm preço.

 

Pela N2 siga até Santiago do Escoural. Na N2 contabilize Alcáçovas, Torrão, Odivelas, Ferreira do Alentejo – zona do imenso olival com o cunho Oliveira da Serra –, Ervidel, até aterrar num famoso eixo de Minas, das de Almina às de Neves Corvo: Aljustrel, Castro Verde e Almodôvar. Por aqui há algumas áreas de descanso que parecem elas mesmas estarem a viver esse estado de espírito de uma aparente imutabilidade eterna.

 

Nas imensas retas que antecedem a Serra do Caldeirão, alguns ciclistas vestidos a rigor parecem saídos da Volta a Portugal, mas não passa de pura ilusão. E talvez só com um truque de magia, perto de Barranco-o-Velho e Vale das Três Marias, uma antiga “Casa de Cantoneiros” da Junta Autónoma de Estradas, datada de 1936 arranjará comprador. Se andava à procura de uma, bom já deu por bem empregue a viagem. E por falar em oportunidades, em Besteiros encontra uma seta com as palavras “licor de medronho”. É parar, comprar e beber, só depois de já sentadinho e bem instalado, se faz favor. São Brás de Alportel marca um triângulo de soluções. Para Loulé com passagem por Querença pela N396, seguir em frente até Estói e Faro ou virar à esquerda (N270), para Tavira, fazendo parte da Algarviana. E por aqui ligue-se, por via transversal, quase até ao mar da costa Vicentina.

 

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Pelo parque natural do sudoeste alentejano e Costa Vicentina

 Aqui chegados, já fomos para o Algarve por três estradas nacionais. Mas há ainda um último itinerário. Recuemos até ao rio Sado. Em Setúbal, podemos apanhar o barco e navegar até à Comporta. Daí seguir pela N261-1 até Grândola ou, junto à costa, saltar até Melides (N201) e daí até Santiago do Cacém para apanhar a N120, vinda da “terra da fraternidade”.

Nesta estrada nacional, o Cercal é o próximo ponto de referência geográfica. Aí, de novo, duas hipóteses: ou seguimos pela serra do Cercal ou apanhamos o ar marítimo de Vila Nova de Mil Fontes (N390), para depois seguirmos para Odemira (pela N393) e retomar a nossa rota que nos levará a Odemira. A partir desta vila, entramos no Parque Natural do Sudeste Alentejano e Costa Vicentina. Carros com pranchas de surf empilhadas, para cima e para baixo, saltitando pelas imensas e belas praias da Zambujeira do Mar, Odeceixe e Aljezur. Uns quilómetros mais à frente, as curvas e contra curvas da Serra Espinhaço de Cão curvas levam-nos até Bensafrim e terminam em Lagos. Se tiver tendência para enjoar e porque a viagem já está quase no fim, opte antes pela estrada junto ao atlântico, pise as encostas da Bordeira e Carrapateira, aviste as pás eólicas que denunciam que estamos a chegar ao nosso destino, faça o desvio em Vila do Bispo (N268) e desagúe em Sagres. A ponta mais ocidental de Portugal continental e do Barlavento.

 

Chegamos. Apanhamos o último Pókemon. Como prémio nada melhor que um mergulho nas refrescantes águas desta ponta do Algarve. Ponto final destas linhas que nos levaram ao Algarve.

 

Rebobine, agora o filme. Regresse ao ponto de partida e pense antes de optar. Poderá ir pela via mais rápida, a 120 km/h, com os olhos fixos no carro da frente ou seguir os quatro caminhos que lhe apresentamos, por estradas nacionais e alguns troços regionais, traços bem vivos do passado e do presente e que nada têm de virtualidade.

 

Para o fim, um conselho: deixe o boneco da realidade aumentada em casa e desfrute de tudo o que o rodeia até chegar ao seu destino de férias. E aí chegado, desligue a chave da ignição e aproveite os dias para carregar baterias. As suas baterias.

 

Boas férias.

 

 

 

 

publicado às 09:45

As melhores cidades para quem não vai de férias sem internet

Por : Pedro Fonseca

 

Há um site que indexa diferentes localidades com mais potencial para quem gosta de viajar e trabalhar com uma boa ligação à Internet. Mas as propostas também passam por outros factores, como a temperatura ou a verba mensal necessária para viver nesses locais. As primeiras cidades portuguesas da lista são uma surpresa.

 

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Braga, Aveiro e Funchal são as melhores cidades em Portugal para os turistas que pretendem ter um bom acesso à Internet, um bom clima e não querem gastar muito. Só depois surgem Lisboa, Porto e Coimbra. Os dados constam da Nomad List, um índice actualizado regularmente e que analisa vários parâmetros para cada uma das 633 cidades registadas no final de Maio.

 

Na 24ª posição, Braga tem uma temperatura média de 17° centígrados, um acesso à Internet de 30 megabits por segundo (Mbps) e um orçamento mensal necessário de 1.077 euros. Em 31º, Aveiro tem a mesma velocidade de acesso à Internet, para uma necessidade orçamental de 1.811 euros por mês, enquanto o Funchal se fica pela 52º posição, também com um acesso a 30 Mbps mas um custo mais acessível de 1.416 euros.

 

Seis posições depois, surge Lisboa, com um custo mensal de 1.578 euros mas acesso à Internet a 40 Mbps, a mesma velocidade que oferece o Porto (classificado em 84º), com um valor mensal de 1.563 euros. Por fim, nas cidades portuguesas, surge Coimbra na 119ª posição, com um valor mensal de 1.818 euros e um débito de 30 Mbps.

 

No total, as cidades portuguesas nem sequer estão mal classificadas, comparadas com outras como Madrid (182ª posição), Bruxelas (341ª), Barcelona (376ª), Paris (389ª) ou Amesterdão, que surge no 437º lugar. No entanto, estas cidades acabam por ser penalizadas pelas necessidades financeiras mais elevadas do que as cidades de Portugal.

 

O mesmo sucede com Maputo, em Moçambique, que ocupa a 597ª posição, com um custo mensal de 2.478 euros e uma rede de acesso à Internet a apenas 2 Mbps, ou a capital angolana Luanda (608ª), com uma necessidade de orçamento mensal de 3.697 euros e um acesso a 5 Mbps.

 

No topo da Nomad List estão cidades da Tailândia, com velocidades de acesso entre os 15 e os 40 Mbps mas custos mais acessíveis. A lista é liderada por Banguecoque (1.268 euros mensais), seguindo-se Ko Samui (818 euros), Ko Lanta (730 euros) e a ilha de Phuket (899 euros).

 

Na quinta posição, surge Las Palmas, nas ilhas Canárias (Espanha), com um valor mensal de 1.385 euros, regressando-se depois à Tailândia com Chiang Mai, por um valor mensal de 851 euros e acesso à Internet a 20 Mbps. Curiosamente, quando a Nomad List foi lançada há dois anos, era a localidade líder, segundo a Slate France. Em sétimo lugar surge Budapeste, com um custo por mês de 1.316 euros e, depois, a primeira cidade norte-americana, Austin (no Texas), com um valor mensal necessário de 2.322 euros e acesso à Internet a 80 Mbps.

 

Esta velocidade no acesso só é ultrapassada por Timisoara, na Roménia, com 90 Mbps, Hong Kong (95 Mbps), Bucareste (100 Mbps), as sul-coreanas ilha de Jeju e a capital Seul (ambas com 100 Mbps), e as norte-americanas Chattanooga (110 Mbps), Kansas City (150 Mbps) e a líder Provo, com uma velocidade registada de 165 Mbps.

 

Parâmetros em análise

 

O site emite ainda algumas comparações com a cidade de onde se está a aceder. Por exemplo, é dito que Provo "é 2% pior do que Lisboa para viver e trabalhar para os nómadas digitais", embora não se justifique porquê. Para hierarquizar as cidades mais apetecíveis para os viajantes, a Nomad List não usa só aspectos como a velocidade de acesso à Internet, a temperatura local ou o valor mensal necessário para ali viver.

 

Há outros parâmetros como o divertimento, a vida nocturna, Wi-Fi gratuito, locais para trabalhar ("coworking"), ar condicionado ou aquecimento, qualidade de vida, segurança, relação com estrangeiros, mulheres ou gays, a fluência em inglês e a tolerância racial.

 

Noutra secção, é analisado o custo de vida, com valores locais para preços em apartamentos, quartos de hotel ou arrendamento por serviços online, preços de viagens, bem como de um refrigerante, cerveja ou café. O site compila ainda informação sobre a região onde está localizada a cidade, incluindo temperaturas ao longo do ano, domínio religioso, melhor operadora aérea ou de telecomunicações. Numa parte mais interactiva, é possível falar com pessoas que estão ou estiveram nos locais.

  

Um de 12 projectos em 12 meses

 

A Nomad List foi lançada há dois anos por Pieter Levels, um holandês que se considera ele próprio um nómada digital. A 24 de Junho de 2014, disponibilizou uma hiperligação na sua conta de Twitter para uma folha de cálculo onde tencionava agregar os dados, preenchida por outros viajantes.

 

Num fórum online, onde também a divulgou, explicou que pretendia saber os valores de uma "curta estadia num hostel, hotel ou apartamento no centro [da cidade], trabalhar num espaço de 'coworking' e ter uma refeição básica três vezes por dia. É o estilo de vida médio do nómada digital", considerando desde logo que os valores por uma estadia mais curta seriam mais caros do que para um residente.

 

Na altura, dizia igualmente querer rentabilizar o site vendendo "guias urbanos específicos para nómadas", explicando que o projecto fazia parte do seu objectivo de lançar 12 startups em 12 meses, anunciado antes, a 1 de Março de 2014.

 

A então NomadList era um "índice vivo das melhores cidades para viver e trabalhar remotamente", que venderia os referidos guias mas também "kits nómadas" com passes diários para trabalhar em "coworking", um cartão SIM para o telemóvel ou tablet e uma estadia em hotel. Mas tudo se passava ainda num relativo segredo.

 

O anúncio público ocorreu por engano. A 29 de Julho, como explica no seu site, estava a actualizar o servidor informático quando colocou o site online, sem querer, e começou a receber mensagens no Twitter. No mesmo dia, um artigo no TechInAsia divulgava a intenção das 12 startups num ano.

 

Sobre a NomadList, dizia então que, "com uma crescente comunidade de trabalhadores à distância, penso que é uma grande audiência para desenvolver algo".

publicado às 00:32

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