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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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O amor é um lugar estranho. E esse lugar fica no Japão

Por: João e Ana

 

Quando no ano de 2003 os espetadores portugueses perceberam que o novo filme de Sofia Coppola se ia chamar "O amor é um lugar estranho" - para a tradução de "Lost in Translation" - ficaram confusos. Mais uma vez, que porcaria de tradução, diziam muitos! Ficaria assim tão mal "Perdidos na Tradução"?

 

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Traduções à parte, dificilmente haverá, pelo menos até agora, um título melhor para aquele filme do que "O amor é um lugar estranho". Primeiro porque a frase, por si só, faz todo o sentido. O amor é um lugar estranho por ser um conjunto de sentimentos positivos e negativos. Há o carinho e há o ciúme, há a dedicação e há os sacrifícios, e por aí adiante. Mas não vamos desviar-nos do verdadeiro assunto: O Japão.

 

Esta introdução foi necessária para perceber o que é o Japão, segundo a nossa perspetiva claro. O Japão é mesmo um lugar estranho, por termos amado muito mas também por ter existido algo que, no momento, nos fez recuar na nossa opinião. Estamos a falar da gastronomia.

 

Não partimos para o Japão com o objetivo de encontrar o melhor sushi do mundo, até porque sabíamos que aquele que se faz na Europa é mais ao nosso gosto, o chamado sushi de fusão. Mas sempre nos disseram que no Japão se come maravilhosamente bem. Podemos dizer que foi a nossa pior experiência gastronómica de todas as viagens. De todos os restaurantes de sushi onde entrámos, gostámos apenas de um. E estivemos lá 10 dias!

 

Não pensem que vão ao Japão para encontrar restaurantes de sushi em cada esquina porque vão enganados. Pensávamos que lá o sushi era o equivalente ao bacalhau em Portugal, mas não. O sushi está mais para o preguinho. Preparem-se para encontrar muito porco frito, pele de galinha frita, coração de galinha frito, dumplings de consistência estranha e Okonomiyakis (uma panqueca frita com rebentos de soja, molho de barbecue, maionese e outras coisas estranhas no meio). Pelo meio ainda fazem umas omeletas em cima do arroz para o deixar bem empapado, de gordura. Ah, quanto a doces, esqueçam...bolos só de massa é para meninos, quanto mais nata e creme tiverem por cima mais delicioso é (ou não) e, na maioria das vezes, ainda conseguem juntar-lhes uma compota de feijão, no mínimo intragável.

 

Atenção que isto foi simplesmente a nossa experiência. Conhecemos pessoas que lá foram e adoraram a comida. Dizem até que é a Meca da gastronomia. Não conseguimos perceber...

 

Mas o Japão é muito mais do que isto (e com uns bons hambúrgueres e bifes as coisas recompõem-se), conhecer o país do sol nascente é das experiências mais sensacionais que alguma vez vivemos. Já pensaram num país em que não têm de ficar preocupados com as bolsas e mochilas no metro? Onde se fazem filas indianas para entrar nos comboios de alta velocidade ou sermos atendidos em cafés? Onde não suportam ver um cliente insatisfeito? Onde as sanitas têm jactos de água com temperatura e intensidade reguláveis, brisas secantes e música ambiente? Além do mais, aliado a isto tudo, ainda somos brindados com comodidade, civismo e pontualidade de excelência.

 

Já que referimos, deixem-nos falar de civismo, que desde que fomos ao Japão essa palavra adquiriu o seu verdadeiro sentido. No Japão pedem-nos para colocar o nosso telemóvel em silêncio no metro ou para falarmos baixo, isto para não incomodarmos os outros passageiros. Imaginamos a surpresa de um japonês quando visita Portugal e se depara com a chincalharia das nossas carruagens... No Japão, as pessoas que trabalham para os serviços de transporte fazem todos os possíveis para que as nossas viagens sejam cómodas, com tudo impecavelmente explicado, mesmo que para eles seja muito difícil comunicar em inglês. Ou seja, é tudo aquilo que esperamos enquanto turistas num país onde a comunicação não é fácil.

 

E o que dizer das cores do Japão? Passear pelas ruas modernas japonesas é entrar numa máquina arcade de videojogos, com direito às luzes néon e ao sair já estarmos de repente num quadro pintado com uma palete de vermelhos, amarelos, roxos e laranjas, como acontece nas zonas mais tradicionais como, por exemplo, Quioto. Do nada, alguém acendeu um vela de incenso e somos transportados para a serenidade japonesa nos seus belos jardins. E do nada, reaparecem os letreiros neón e já estamos outra vez na máquina arcade de videojogos.

 

Viver o Japão é ainda mais, é ser apanhado em contra-corrente na passadeira mais movimentada do mundo, beber um café calmamente sentado numa mesa com vistas para o exterior enquanto vemos os japoneses agitados lá fora. É poder fazer parte da história da II Guerra Mundial (Hiroshima) e visitar castelos do Período Edo. É sentir o orgulho dos pais quando queremos tirar uma fotografia com os filhos que estão vestidos de Gueixas ou Taikomochi. É ser bem recebido pelos japoneses e ter vontade de lá voltar apenas porque nos deram muitos sorrisos.

 

E ainda dizem que a hospitalidade e o civismo não servem como cartões de visita para os turistas? Conhecer o Japão é conhecer tudo aquilo que não iremos visitar nunca mais, em nenhum outro lugar estranho.

 

Além de um casal apaixonado um pelo outro, também somos apaixonados por partilhar as nossas experiências em viagem. É algo que nos faz redescobrir o prazer de gostar tanto da vida. Somos o João e Ana, quase casados, e decidimos criar o blogue Volto Já, feito para pessoas que pertencem a vários lugares. Lugares esses que gostamos de conhecer pela experiência de ser apenas mais um no meio de tantos, falando por exemplo das movimentadas ruas de Tóquio. Ou subir ao topo do Pão de Açúcar e ficar deslumbrados com o Rio de Janeiro. Sem esquecer as luzes estonteantes de Nova Iorque. Mas gostamos de declarar um amor incansável pela Europa. França e Itália estão no nosso topo de preferências. Países que nos oferecem tudo o que precisamos para ser felizes. O tempo avança e as responsabilidades aumentam, mas não vamos parar de viajar. Queremos dizer sempre “voltamos já”.

publicado às 08:09

Cinco filmes que nos fizeram viajar

Não sabemos se vos acontece o mesmo, mas, por vezes, somos influenciados pelos frames que nos ficam na retina dos cenários que suportam as histórias do cinema.

Por: João e Ana, do blog Volto Já

 

Acreditamos no poder do cinema e na facilidade com que nos transporta para outros locais, mesmo sentados no sofá ou numa sala de cinema. E é por isso que, muitas vezes, damos por nós a fazer as malas à boleia de filmes que nos fazem viajar. Eis a nossa lista dos filmes que já valeram milhas aéreas.

 

1- The Beach, de Danny Boyle (2000)

Há 15 anos víamos o jovem Leonardo Di Caprio a lutar por uma praia que equivalia ao paraíso para os seus habitantes. O momento em que, pela primeira vez, vimos a Maya Bay, nas Ilhas Phi Phi (Tailândia), foi de tirar o fôlego, questionando-nos se a praia existia mesmo ou se era um truque da produção ... Descansem, existe mesmo e é, sem dúvida, magnifica. Com a popularidade do filme, o turismo cresceu na ilha tailandesa e é impossível desfrutar deste pedaço caído do céu sozinho. Bem, impossível não é, pois há a possibilidade de lá acampar, ainda que tenha provavelmente que partilhar Maya Bay com outros campistas. Mesmo acompanhado, vale a pena.

Leonardo DiCaprio em The Beach

 

2- Lost in Translation, de Sofia Coppola (2003)

A filha do mestre Francis Ford Coppola conseguiu transmitir algo que parecia impossível: o reencontro do 'eu' na agitada cidade de Tóquio. Pelo menos, é o que Bill Murray e Scarlett Johansson foram fazer à capital japonesa. Cá entre nós, não nos parece a cidade ideal para tais introspecções, mesmo sendo o filme muito bom, assim como a cenografia. Mas Coppola conseguiu apimentar a curiosidade por Tóquio, transmitindo a amabilidade dos japoneses e as cores da cidade, misturando na perfeição a loucura das salas de jogo e o karaoke. Aliás, o New York Bar, no topo do Park Hyatt, bem pode agradecer ao filme os muitos turistas que por lá passam.

Lost in Translation

 

3- A good year, de Ridley Scott (2006)

Quem viu o filme sabe o quão difícil foi segurar a vontade de entrar no próximo avião e rumar à Provença quando entraram os créditos. Russell Crowe é um empresário muito ocupado que parte para o sul de França depois de herdar um 'château' de um tio querido que acabou de falecer. Lá encontra a tranquilidade, e também Marion Cotillard. Não é preciso ser um bom filme para nos fazer viajar. Este filme é a prova disso. As paisagens, as cores, o calor e o restaurante de Fanny (Marion Cotillard) são razões suficientes para querermos amar num lugar diferente, de preferência na Provença.

A Good Year

 

4- To Rome with Love, de Woody Allen (2012)

Bem, o filme é muito fraco, até os fãs do realizador concordam connosco. Mas Roma é sempre bela, mesmo com um mau guião. As ruas estreitas, as cores, as fontes, os monumentos e a comida estão no filme e, por isso, perdoamos Woody Allen. Achamos até que a decisão de fazer este filme foi uma desculpa do realizador para poder tirar umas férias na capital italiana. Alguém o pode censurar? A Piazza Venezia, o Vittorio Emmanuele II, a Fontana de Trevi, o Caffè della Pace e a belíssima Via Margutta estão todas lá e isso salva o filme. Allen continua mestre em fazer dos seus filmes verdadeiros documentários das cidades.

To Rome With Love

 

5 - Sex and the City, Darren Star (1998-2004)

Vamos fazer batota e terminar esta lista com uma série. Isto porque colocar os filmes não seria a mesma coisa para os fãs de Carrie e companhia. Os restaurantes e bares mais trendy, os rooftops mais vistosos estão lá e fazem qualquer mulher pegar nas amigas e viajar para a badalada cidade norte-americana. Para o sexo masculino, e caso viaje com a namorada ou amigas, não vale a pena ficar preocupado com a histeria feminina ao tirar fotografias na Magnolia Bakery ou em frente à casa da Carrie. Afinal, para elas são verdadeiros monumentos.

Sex and the city

 

Menção honrosa

Já fizemos batota no ponto 5 e não queríamos voltar a fazê-lo, por isso criámos esta menção honrosa... não deu para aguentar. Em 2012, o famoso fotógrafo Mario Testino rodou o anúncio publicitário para a Dolce and Gabbana na Sicília. Os poucos segundos do comercial foram suficientes para nos levar até esta bela ilha italiana. E sabem que mais? É muito melhor do que vimos nas imagens. O anúncio foi filmado na Riserva Naturale Dello Zingaro. Entrem no avião e visitem a Sicília. Já.

Riserva Naturale dello ZIngaro

Christof Halbe, domínio público

 

João e Ana: Além de um casal apaixonado um pelo outro, também somos apaixonados por partilhar as nossas experiências em viagem. É algo que nos faz redescobrir o prazer de gostar tanto da vida. Somos o João e Ana, quase casados, e decidimos criar o blogue Volto Já, feito para pessoas que pertencem a vários lugares. Lugares esses que gostamos de conhecer pela experiência de ser apenas mais um no meio de tantos, falando por exemplo das movimentadas ruas de Tóquio. Ou subir ao topo do Pão de Açúcar e ficar deslumbrados com o Rio de Janeiro. Sem esquecer as luzes estonteantes de Nova Iorque. Mas gostamos de declarar um amor incansável pela Europa. França e Itália estão no nosso topo de preferências. Países que nos oferecem tudo o que precisamos para ser felizes. O tempo avança e as responsabilidades aumentam, mas não vamos parar de viajar. Queremos dizer sempre “voltamos já”.

publicado às 09:00

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