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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Só existem sete histórias e seis emoções?

Por: Pedro Fonseca

 

A ficção foi reduzida à aritmética, mas isso não significa que tenha menor valor literário. Sobretudo quando se sabe que podem existir apenas sete modelos de narrativa de ficção e as emoções não ultrapassam as seis variantes. Da literatura ao cinema e à publicidade, os exemplos são muitos. Não acredita?

 

 

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Vemos filmes e lemos livros e, em muitos casos, dizemos: já vi ou li algo semelhante - mas não é possível estabelecer o porquê, em muitos desses casos. Mas "os avanços na capacidade de computação, processamento de linguagem natural e digitalização de texto tornam agora possível estudar a evolução de uma cultura através dos seus textos usando uma lente de 'big data'", ou análise de grandes quantidades de dados, explicam Andrew Reagan, Lewis Mitchell, Dilan Kiley, Christopher Danforth e Peter Dodds, no texto "The emotional arcs of stories are dominated by six basic shapes".

 

Os investigadores das universidades norte-americana de Vermont e da australiana de Adelaide referem que os "arcos emocionais" analisados a partir de 1.737 obras de ficção em inglês, disponibilizadas no repositório gratuito de livros Project Gutenberg, mostram um conjunto de "seis trajectórias nucleares que formam os blocos fundadores de narrativas complexas". Os investigadores detectaram que certos "arcos emocionais têm um maior sucesso, medido pelos 'downloads'". E alertam que tendemos "a preferir histórias que se encaixam em modelos que [nos] são familiares e a rejeitar narrativas que não se alinham com as nossas experiências".

 

Lembram a teoria da narrativa em três actos de Aristóteles (o conflito emerge no acto um, surgem pontos de viragem nos actos seguintes, para se encerrar com "a resolução final"), mas salientam que o lado emocional não segue esse modelo, embora "exista como parte dessa narrativa toda", através da identificação dos motivos na história. Os investigadores registam a existência de várias elaborações anteriores sobre "padrões básicos" das narrativas para terminar uma ficção. Em 1959, Foster-Harris defendeu a existência de apenas três, a partir de uma situação de conflito (final feliz, final infeliz e tragédia).

 

Há ainda o modelo das sete possíveis histórias/narrativas em que um indivíduo se confronta com ele próprio, com a natureza, com outro indivíduo, com o ambiente, com a tecnologia, com o sobrenatural ou com um poder mais elevado. Para Christopher Booker, no livro "The Seven Basic Plots: Why We Tell Stories" (2005), estas estruturas narrativas são igualmente sete (ganhar ao monstro, gozar com os ricos, a demanda/busca, a viagem, comédia, tragédia e o renascimento).  Na apresentação do seu livro, aponta-se que existe "apenas um pequeno número de 'narrativas básicas'", considerando exemplos desde os antigos mitos e histórias do folclore até às novelas da "grande literatura" ou filmes e telenovelas actuais.

 

Um outro autor, Ronald Tobias, considera que podem existir "20 Master Plots", incluindo a metamorfose, a ascensão ou a "descensão", e Georges Polti chega mesmo às 36, abordando variações como a rivalidade, o sacrifício por paixão ou os crimes de amor.

 

Porque é importante a emoção?

 

Numa análise a "Understanding The Seven Basic Plots", considera-se que este tipo de "aproximações reducionistas" apontam para uma "mensagem de que um escritor quase não terá esperança em criar um enredo original. Isso não é uma perspectiva particularmente útil para um escritor que está a tentar desenvolver uma nova e excitante ideia de história".

 

Contrapondo essa crítica à de "Dramatica: A Theory of Story", considera-se que esta última teoria "não limita as possibilidades" e podem mesmo existir mais de 32 mil variações de histórias. Mas este tipo de pensamento abre caminho para outros sectores o adaptarem à sua área de trabalho. Foi o caso da publicidade.

 

Num texto de Outubro de 2012, "7 Basic Types of Stories: Which One Is Your Brand Telling?", a revista do sector AdWeek questionava a originalidade dos criadores publicitários para afirmar que o "desafio" perante apenas sete formas de contar uma história passava por escolher a que melhor se ajustava à marca que estavam a vender.

 

Para cada um dos modelos narrativos de Booker, a revista escolheu vários exemplos:

1) ganhar ao monstro: Apple;

 

2) confronto com os ricos: Johnnie Walker;

 

3) demanda/busca: o filme "Senhor dos Anéis";

 

4) viagem e regresso: Corona;

 

5) comédia: Old Spice (apostou nesta estratégia há anos e lançou recentemente um novo vídeo);

 

6) renascimento: Gatorade;

 

7) tragédia: são casos difíceis e raramente a publicidade pode ser tentada a aproveitá-la, pelos resultados negativos que daí podem advir.

 

Para os investigadores que consideram existir seis "arcos emocionais", a sua existência "é importante para o sucesso" de uma narrativa mas também para o desenvolvimento de tecnologias emergentes e noutras abordagens geográficas. "Os arcos emocionais das histórias podem ser úteis para ajudar a desenvolver argumentos e a ensinar senso comum aos sistemas de inteligência artificial", dizem, para concluir que "de profundo interesse científico será o grau em que poderemos eventualmente perceber a paisagem completa das histórias humanas, e as aproximações geradas pelos dados terão um papel crucial".

 

Noutra direcção, e por analisarem apenas as obras em inglês, os investigadores abriram caminho a outros interessados para fazerem o mesmo nas suas línguas. "Será interessante ver como os arcos emocionais variam de acordo com a língua ou cultura, como têm variado ao longo do tempo e também como os livros factuais se comparam", sintetizava a revista Technology Review.

 

publicado às 10:10

Harper Lee, a camponesa que escreveu uma obra prima

Por : José Couto Nogueira

 

Num período que tem sido uma autêntica ceifa da morte para grandes ídolos – de David Bowie a Umberto Eco, só para citar os mediáticos mais opostos – quase passou despercebido o falecimento de Harper Lee. Mas a história desta rapariga do campo que se tornou uma autora de prestígio internacional vale a pena ser contada.

 

 

Nelle Harper Lee nasceu no Alabama, o “Sul profundo” dos Estados Unidos, ou seja, nas berças, onde o preconceito e o conservadorismo reinam de década para década. Em 1936, tinha ela dez anos, o pai defendeu em tribunal dois negros acusados de matar um branco. Ambos, pai e filho, foram enforcados, o que era previsível, apesar do Dr. Amasa Coleman Lee os defender com todo o empenho.

 

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Nelle viveu toda a infância e juventude naquele nenhures, tendo feito os estudos normais até frequentar Direito na Universidade de Tuscallosa, sem se formar. (Para os menos cientes e para os radicais anti-americanos, convém talvez lembrar que os Estados Unidos já tinham, no século XX, mais universidades que o resto do Mundo.) Era uma rapariga com dois amores: a literatura e o pai, ao colo de quem aprendeu a ler.

 

Em 1956, sem nunca ter saído do Alabama, meteu-se a escrever um livro autobiográfico, centrado na vida do pai. Enviou-o para vários editores e num deles, a casa J. B. Lippincott, a editora Tay Hohoff achou que aquilo teria pernas para andar. Nelle foi para Nova York a ver se se lançava nas letras, e durante dois anos as duas discutiram ferozmente o que mudar e não mudar no livro, o qual, segundo Tay disse anos depois, era uma série de histórias interessantes sem nexo entre elas.

 

 “Matar a cotovia” ficou 80 semanas na lista dos mais vendidos, foi traduzido para 40 línguas e já vai em 30 milhões de exemplares

 

Finalmente, em 1960 o livro saiu, com o estranho título de “To kill a mockinbird” – tão estranho que as traduções em português variam: “Matar a cotovia”, “Como matar a cotovia”, “A morte da cotovia”... Os brasileiros é que resolveram o problema; chamam-lhe “O Sol é para todos”.

O balanço é o que se sabe: ganhou o Pullitzer nesse mesmo ano (um prémio com nomeações muito mais acertadas que o Nobel), ficou 80 semanas na lista dos mais vendidos, foi traduzido para 40 línguas, continua a vender-se regularmente e, segundo o último cálculo, já vai em 30 milhões de exemplares.

Em 1962 foi passado para o cinema, com Gregory Peck a ganhar o Óscar pelo papel do herói advogado, Atticus Finch.

 

Nelle, que escolheu o nom de plume Harper Lee porque receava que lhe chamassem Nellie, confessou, nas pouquíssimas entrevistas que deu entre 1960 e o seu falecimento, que nunca esperou tal sucesso.

E porquê esse sucesso? A história é uma epopeia sobre a Justiça. Atticus Finch, o advogado, defende num tribunal de brancos racistas um preto acusado de violar uma branca. O que há de heróico nele é a crença de que a verdade é que interessa, e os direitos das pessoas é que têm de ser respeitados, e não nas jogadas e meandros escusos que um processo judicial normalmente substancia. Esta postura quixotesca, digamos, é um ideal muito entranhado na cultura americana – talvez mais entranhado quanto menos se prova viável.

Aliás, podemos dizer que é um ideal global, pois em todo o mundo as pessoas se identificam com a lhaneza de Atticus, que não olha a preconceitos nem a pressões para defender a verdade.

 

Lee escreveu alguns contos de menos repercussão e ficou amiga de Truman Capote, que ajudou durante as pesquisas para o seu famoso livro “A sangue frio”. Aliás, há um filme de Bennet Miller, de 2005, que relata essa viagem atribulada do escritor, representado por Philip Seymour Hoffman. Catherine Kenner faz de Harper Lee.

Em 1966 Nelle voltou para sua cidade natal, Monroeville, e só saía eventualmente, para receber os incontáveis prémios que entretanto lhe foram dados – o último por Barak Obama, em 2010. Entrevistas, o mínimo possível, mas o suficiente para dizer que não escreveu mais nada porque tudo o que queria dizer estava na “Cotovia” e que “é melhor ficar calada do que dizer disparates”.

 

Em 2015 a editora HarperCollins deu a bombástica notícia de que Lee afinal tinha escrito outro livro. Chamado “Go and set a watchman” – outro problema para os tradutores... – teve uma tiragem inicial de dois milhões de exemplares. Contudo chegou-se à conclusão de que foi escrito antes da “Cotovia”, embora se passe 20 anos depois, e há quem ache que se trata mais dum rascunho do primeiro do que de uma obra que valha por si. Lee autorizou a sua publicação, numa altura em que já estava quase cega e muito incapacitada – imagina-se a pressão da trupe que vivia à custa do seu sucesso, para desenterrar aquilo do baú da senhora.

 

Afinal, Harper Lee sempre teve razão, tudo o que queria dizer está naquele livro.

 

publicado às 17:50

Os meus ecos de Umberto

Por: Márcio Alves Candoso

 

 

Achei interessante ir ler, no Facebook, o que se diz de Umberto Eco. Soa-me como a vingança. O homem que abominava as redes sociais – 'deram o direito a falar a legiões de idiotas' – não escapou, na sua morte, ao escrutínio das mesmas. Mas presto-lhe vassalagem. Ele tinha razão quando disse – e se mais não dissesse, e muito disse, isso quase bastava para a imortalidade – que não há texto ou livro que escape, nem que se complete, sem a interacção do leitor. Na verdade, é de uma 'obra aberta' que falamos quando lemos as diversíssimas leituras que todos fazemos das mesmas coisas que o mesmo diz. O eco – sim, não escapo ao som e ao signo – das suas palavras é entendível de modo diverso conforme o receptor. E mais do que isso – cada um amplia a parte da sua imensa retórica que mais lhe interessa. Quem fala de tudo e de todos arrrisca-se a milhentas interpretações, ou era essa mesmo a sua intenção? Talvez só o próprio Umberto soubesse responder a isto.

 

Há, nos computadores e na Internet, tal como Eco soube antes de todos, uma perversão do tempo, no que ao passado e à História diz respeito. Vejamos o 'word' em que agora escrevo. Se não o sinalizar com uma data, basta um dia mudar-lhe vírgulas para que ele assuma o tempo novo e revisto; e perde-se para sempre o dia em que escrevi primeiro. Por velhice ou sabedoria – ou as duas coisas entrelaçadas –, Umberto Eco ficou-se pelos livros, quer os ensaios que enunciou abundantemente enquanto académico, quer os romances que, segundo ele, começou a escrever quando já tinha feito quase tudo – ou seja, aos 48 anos. Ou ainda, e sempre numa versão do próprio, porque quando não se pode teorizar deve narrar-se.

 

O que é um pouco a vida que lhe fui apercebendo. Um homem que dizia que a mentira tem muito mais interesse do que a verdade – 'o que torna os signos interessantes não é servirem para dizer a verdade, mas poderem ser usados para mentir ou falar de coisas que nunca vimos' –, tinha por força de ir além da criação de uma ciência. Para quem, como eu, ainda hoje ser semiótico e não semiológico faz quase tanto sentido como a frase de Bond 'shaked not stirred', é evidente que se pode ler Eco no esoterismo ou na sua recriação quase cómica. E no entanto – lembram-se? - foi por causa do riso que morreram frades.

 

Aliás, numa das suas últimas entrevistas – já se pode dizer últimas, e não 'mais recentes', porque a morte dá-nos o direito a só ter passado -, o professor de Bolonha e autor de 'O Nome da Rosa' anunciava que não tinha ainda iniciado a sua próxima obra, que era um ensaio sobre a comédia. Não teve tempo. Alguém aí para o fazer? Não se importará Eco, de certeza, com isso. Não um homem que dizia que a literatura universal era sempre repetição, e que já Homero repetia a tradição oral, milenar, anterior a ele. 'Se os textos são máquinas preguiçosas que precisam da colaboração do leitor, então este, quando passa a escritor, reescreve essa mesma obra que o influenciou'. E 'quando lemos um livro devemos perguntar a nós próprios não o que diz, mas o que significa'. Foi ele que disse, e já não pode voltar com a palavra atrás.

 

Lembro-me bem do dia em que Umberto Eco me foi apresentado. Lembro? Não, minto. Sei porque dato os livros que vou comprando, e a minha memória é tão só isso e o efeito que me ficou de os ler. É um daqueles ensaios curtos, sessentistas, sem data por mim descoberta mas exalando data no que escreve, que o autor publicou por volta da 'Obra Aberta' e dos 'Apcalípticos e Integrados'. Era sobre vestuário, uma paixão minha antiga, que Eco titulou de forma banal 'O Hábito faz o Monge'. Nos livros, como ele dizia, por vezes procura-se uma forma de nos justificarmos; e eu fiquei contente, naquele Fevereiro de 79 em que li o texto, quando ele me disse que, no que vestimos, está uma forma de nos exprimirmos, que é algo mais do que comunicarmos e diferente de exibirmo-nos. Daí partia para a arte da sedução pelo gesto/signo, os trajes do teatro como denotações, ou a mini-saia, que naquele tempo, dizia ele, na Catânia [Itália profunda] transmitiria a ideia de uma rapariga leviana, em Milão a de uma rapariga moderna, em Paris a de uma rapariga, tão só, e em Hamburgo, no 'red district' da Rieperbahn, poderia muito bem ser um rapaz...

 

Sobre o islamismo e a sua invasão da Europa, assume a sua faceta de 'pop-star' que é um pouco parte da sua segunda metade da vida

Falava de religião mas não esquecia o diabo. Era tão incoerente como qualquer um que muito pensa, muito escreve e muito diz. Na revisitação que lhe faço, à hora da sua morte, encontro o que sempre dele tive – umas coisas sim, outras coisas não. Umberto Eco é, para além de um precursor, um 'self-service' de citações. Não esqueceu que a religião tanto pode ser, como dizia Marx num dia aziago, o 'ópio do povo', como a sua cocaína, porque para muitos funciona como um despertar e acelerar a revolta, tida como redenção.

 

Sobre o islamismo e a sua invasão da Europa, assume a sua faceta de 'pop-star' que é um pouco parte da sua segunda metade da vida. Tão depressa lemos textos em que fala de 'nazismo islâmico' – mas pior que o primeiro, porque este está no meio de nós, não para lá de uma fronteira de guerra que dele nos separa, e que nos permitiu combatê-lo eficazmente, segundo Eco – como em seguida se mostra entre o justificativo e o complacente para com as migrações actuais. Umberto Eco era um europeísta convicto. Em dez minutos, no mesmo texto, assume o terror pelo futuro dos netos, numa sociedade islamizada e numa Europa que 'vai mudar de cor', na qual vai 'correr muito sangue', logo antes de afirmar que, quem não encarar a mudança - que prevê inelutável – 'mais vale suicidar-se'. Acredita que, um dia, se encontrará um novo equilíbrio, como depois das invasões bárbaras no Império Romano, mas que antes acontecerá 'algo de terrível'.

 

Mas culpa a França, por ter querido impor a ética da República aos migrantes – ele não põe 'i' antes da palavra – sem nunca ter conseguido integrá-los, afastando-os para guetos nos subúrbios. 'Se os muçulmanos morassem em redor de Nôtre-Dame seriam diferentes', sustentou já depois dos atentados ao 'Charlie Hebdo'. 'Um muçulmano em França torna-se fundamentalista porque a sua integração não foi completa nem podia ser, a longo prazo pode haver integração, mas no curto não; e a não integração produz uma reacção que só pode ser o ódio', afirma. Parece óbvio, que para o historiador/filósofo, o 'longo prazo' tem uma largura imensa.

 

Um homem que, de si próprio, dizia que o fim da vida lhe tinha dado para odiar a Humanidade, continuava a ser um optimista a quem, aparentemente, tinham roubado o húmus de que alimentava essa esperança, roteada na guerra erm Itália e nas esquinas onde se escondia, diz ele, 'porque numa esquina há sempre dois lados para onde fugir'. Da Universidade onde passou grande parte da vida – principalmente em Bolonha, mas convidado em Columbia, Toronto, Harvard, Collège de France e mais meia dúzia – dizia agora que era boa ideia tê-la aberto a tanta e tanta gente. Mas logo depois aduzia que o facilitismo recente encerra uma perversão inelutável. 'Nos três primeiros anos [das faculdades] os alunos não lêem livros com mais de cem páginas; no meu tempo tive que ler milhares e milhares de páginas e não morri por causa disso', desabafava.

 

Termino com uma nota pessoal. Umberto Eco, a certa altura, 'meteu-se' com o Super-Homem. Não um ensaio sobre Nietzsche, mas sim sobre o personagem da BD americana. Sob o seu olhar semiótico – que não é, cedo uma vez mais à anedota, ver só com um olho -, o leitor das aventuras do 'homem de aço' inventado por Jerry Siegel é subjugado à condição de fantoche dominado pela propaganda do poderio norte-americano, ilustrada na força do super-herói que tudo resolve em três tempos. Uma imagem que faz ascender o cidadão comum, personificado pelo seu alter-ego Clark Kent, ao seu desejo de perfeição, ao rechaçar da sua impotência para vencer as frustrações. Baseado no que lhe impelem as aspirações de status, de nível social, inconscientemente integrado, o sujeito esquece-se e perde a sua identidade.

 

Mas eu sempre quis ser Clark Kent. Já não vou poder perguntar a Eco se tenho alguma coisa de errado.

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado às 20:08

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