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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Marcelo muda regime sem mudar Constituição

Por: António Costa 

Marcelo Rebelo de Sousa já não é o mesmo que, ao primeiro dia em funções em Belém, jurava fidelidade a António Costa e garantia a estabilidade política que o suporte parlamentar não lhe confere. Hoje, o Presidente não confia nas contas do Governo, dá sinais de distanciamento e assume ele próprio um papel central na vida política, ao ponto de arriscar uma mudança de regime, mesmo sem mudar a Constituição.

 

Quando António Costa chegou a São Bento depois de perder as eleições para Pedro Passos Coelho, graças a um acordo parlamentar à Esquerda, ficou claro que a leitura dos resultados das legislativas mudaram para sempre. Num ato eleitoral que, formalmente, elege deputados, mas na prática serve para escolher um primeiro-ministro, a jogada de Costa mudou o sistema. Não basta ganhar nos votos, é preciso ganhar no Parlamento. O sistema mudou? Nem tanto como se percebe que está a mudar com Marcelo na Presidência da República.

 

Quando se comemora os seis meses de governo, é em Belém que está a notícia. Marcelo tem uma legitimidade superior à do próprio primeiro-ministro, ganhou sem ‘espinhas’, sem acordos de bastidores, contra todos os adversários e até contra o líder do PSD, Passos Coelho. Isso não lhe chegava, como se vê agora, com cerca de quatro meses em funções. Haverá argumentos para Marcelo ter tido, e dar os sinais de que vai continuar a ter, o papel que teve, desde logo a sua natureza. Outro argumento, bondoso, é o de que sistema centrado no Parlamento é demasiado instável, sobretudo tendo em conta o perfil deste acordo à Esquerda anti-natural em tantas dimensões centrais para o exercício do poder executivo e legislativo. É necessário um estabilizador, mas é Marcelo esse estabilizador?

 

Quando o Presidente funciona como rede de segurança do governo, em primeiro lugar, e como primeiro-ministro ‘sombra’, depois, dificilmente encaixa em Marcelo o fato de estabilizador. Será outra coisa, outras coisas, estabilizador é que não se se olhar para lá do curto prazo. Marcelo quer moldar o regime, a partir da sua posição em Belém. E o quadro político que existe hoje não poderia ser mais propício a tal coisa.

 

O Presidente preferia uma maioria ao centro, mas sabe que tal será impossível com Passos Coelho na liderança do PSD. Não vale a pena, por isso, forçar a nota e fragilizar o primeiro-ministro. Primeiro, enquanto foi possível, foi um apoiante declarado, depois, quando os números e a realidade começaram a ceder, Marcelo iniciou um distanciamento estratégico.

 

O Presidente não dorme, já não dormia quando era professor universitário e comentador, agora dormirá menos ainda. Não para. Intervém, abraça, dá esperança, envolve-se, declara, sugere, aconselha, inaugura. E não só. Também governa. É este o maior risco para Marcelo, e para o sistema como o conhecemos.

 

Marcelo já percebeu que não pode deixar que o confundam com o Governo, mas quando faz saber que se envolve em operações como a crise acionista no BPI, a mediação da guerra do governo com os colégios privados e, agora, como ‘embaixador’ junto de Merkel para evitar possíveis sanções a Portugal, a tradicional linha de atuação presidencial já foi ultrapassada. Há, claro, o que é e o que parece, o que Marcelo diz e o seu efeito prático, mas no mundo das perceções, conta pouca. Sobretudo num contexto em que os resultados da política do Governo estão aí a mostrar o que não deveria ter sido feito.

 

Marcelo é o único que pode mudar o regime, sim, Costa já percebeu, mas para já pelo menos navega à vista. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa disfarçam mal o desconforto de quem vê Marcelo a mudar as regras do jogo. Provavelmente, por ironia, vão provar do mesmo veneno que, há seis meses, serviu para chegarem ao Governo.

 

As escolhas

É na educação que está a travar-se o maior confronto ideológico dos últimos anos. Ontem, foi uma manifestação dos colégios privados, como se pode ler pode ler aqui. Juntou cerca de 40 mil, de todo o país. Nas próximas semanas, será organizada outra, com o carimbo da Fenprof, uma espécie de contra-manifestação. O nosso futuro também passa por aqui.

 

Mas não só. Os estivadores ganharam (parcialmente) a guerra com os operadores, contra o país. Conseguiram, por exemplo, que não haja mais contratações, fecharam o mercado. Por isso, hoje, a ‘carga pronta e metida nos contentores’ vai voltar a ser movimentada. 40 dias depois, até à próxima greve. A ler, também aqui.

 

Tenham uma boa semana

 

 

publicado às 10:48

Amanhã é dia de Taça e joga o Braga. Marcelo, o invasor de campo, é agora Marcelo, o presidente

Por: Miguel Morgado

 

Marcelo Rebelo de Sousa é um assumido adepto do Sporting de Braga e presenciou ao vivo todas as finais da Taça de Portugal em que o clube participou. Cinco até agora. Primeiro enquanto aluno, depois membro do governo, professor universitário, comentador político na televisão e, finalmente, estará no Jamor, no Estádio Nacional, na sexta final, pela primeira vez na pele de Presidente da República. Ele que já se transfigurou e foi um “invasor de campo” na sua estreia da prova “a doer”.

 

 

Pois é. Marcelo, o aluno, viu o Braga ganhar a única taça da sua história. Foi precisamente há 50 anos. Em 1966, então, com a idade de 17, ainda sem “pêra e bigode”, com “cachecol ao peito”, “frenético”, dando asas à inesperada alegria por causa do golo de Perrichon, saiu “disparado” das bancadas do Estádio Nacional e tentou, com uma “dinâmica” diferente dos dias de hoje, saltar para o campo para se juntar à festa bracarense. Mas a polícia não foi da mesma opinião e não deixou. Resultado? Levou “uma marretadazinha patriótica, suave e doce”, recorda Marcelo, comentador, em entrevista ao site da Federação Portuguesa de Futebol que recuperamos aqui nas vésperas da final do ano passado, com Sporting Clube de Portugal.

 

Domingo, o agora Chefe de Estado partilhará o palco com os artistas do tapete verde. Dita a tradição que o Hino Nacional seja escutado após o anúncio da sua presença. Dita igualmente o protocolo que Marcelo Rebelo de Sousa se sente na Tribuna presidencial e siga a tradição de, a partir do mais nobre lugar do Estádio, distribua medalhas por todos e entregue a Taça de Portugal só a uns, podendo nessa altura, finalmente, tocar no “caneco” que outrora lhe escapou ao toque aquando da tentativa de invasão.

 

Entre o protocolo e tradições, resta saber se tudo será “by the book” ou se, ao invés, Marcelo poderá surpreender, ou talvez não, e dar, antes do apito inicial, um mergulho à mata do Jamor, porque é ali que está a raiz e a razão da disputa da final da Taça de Portugal no Estádio Nacional, neste campo que é neutro e de todos. Se Marcelo dança em Moçambique ou assiste a inaugurações de “Padarias Portuguesas”, porque não vê-lo, em segurança, entre os seus e ao lado de todos os outros, vestindo a pele de presidente adepto, presidente dos Portugueses e adepto fanático do Braga, juntos na mesma pessoa fazendo pontes entre ambos.

 

Um especialista em finais e algumas histórias de várias delas

 

Os presidentes da República portuguesa assistem aos jogos e assumem, em regra, a despesa das entregas dos troféus e dos cumprimentos aos vencedores e vencidos. Há uns que não gostavam (Mário Soares), outros que sim (Jorge Sampaio) e outros a quem os jogadores não passaram cartão (em 2013 alguns dos craques do Benfica, de Jorge Jesus, não reconheceram e não cumprimentaram o presidente Cavaco Silva, na final perdida frente ao Vitória de Guimarães, de Rui Vitória). Já Marcelo diz-se especialista em finais.

 

Domingo a bola é redonda e são 11 contra 11. Sobre o estado de espírito do presidente da República terão a palavra o Futebol Clube do Porto e Sporting de Braga. Os dois clubes já por duas vezes se defrontaram numa final, uma no Estádio das Antas (1978) e outra no Jamor, dez anos depois. Seguiram-se outras finais bracarenses cujo resultado conheceu sempre o mesmo desfecho: a derrota. E na viagem pelo tempo há uma final que é sempre recordada. Na época 1981-1982, Quinito, treinador dos Arsenalistas, entra em campo vestido de fraque, mas o traje pouco ou nada adiantou, pois viria a ser o Sporting a fazer a festa. 

 

Falar da Taça de Portugal que hoje ganha o nome de Taça de Portugal Placard é falar, entre muitas outras, da final da contestação ao Estado Novo, em 1969, no Benfica-Académica, mas é também recordar a partida da consternação do “very light” e da morte de um adepto sportinguista no jogo com o eterno rival, em 1996. Ou do ano em que Manuela Ferreira Leite, assistiu à entrega da Taça a João Pinto, capitão do FC Porto, que venceu na finalíssima o Sporting, debaixo de uma chuva de garrafas de plástico. Houve finais em que a política falou mais alto: em junho de 1974, mês e meio depois do 25 de abril, antes do jogo, o hino nacional foi precedido do Grândola, Vila Morena.

Houve também jogos improváveis e cujo vencedor já não existe (Estrela da Amadora derrotou, em 1990, o Farense) ou cujo vencido também já desapareceu do mapa (Campomaiorense na final frente ao Beira Mar, numa final que teve a particulariedade de ser antecedida por uma oferta generosa do filho do Comendador Nabeiro – bifanas, imperiais, cafés Delta e música para todos os adeptos presentes no Jamor). Numa competição dominada pelos grandes, cinco equipas da 2ª divisão conseguiram chegar às finais: Setúbal, Estoril, Farense, Leixões (este da 2.ª B) e Desportivo de Chaves, mas nenhuma ganhou. Entre as curiosidades mais recentes destacamos a presença (2008), nas bancadas, de Jorge Jesus, assistindo a uma final leonina, talvez antecipando então que viria a caminhar com aquela gente.

 

O presidente adepto na festa do povo

 

A Taça de Portugal começa muito antes de se levantar o troféu, nas matas, epicentro de pic-nics, com couratos e bifanas, cervejas e vinho, sardinhas assadas e tudo o mais que sirva para fumegar. A Taça no Jamor é a festa de um povo que se espalha pelo imenso pulmão verde de Oeiras, com adeptos de barrigas mais ou menos proeminentes, a chutarem a bola mostrando, a quem passa, a razão de não estarem no palco principal, ou outros que preferem mesmo o desporto de levar o copo à boca. Ali, tudo se partilha, não há públicos nem privados. Comem todos do mesmo. É a essência do ser português. Por isso, não se admire de ver Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente adepto por lá. Antes de subir à Tribuna e cantar o Hino. Aguardaremos então pelo apito inicial e, já agora, depois pelo final para ver como e a quem fará a entrega da Taça de Portugal. 

publicado às 11:44

One Marcelo Show

Por: Pedro Rolo Duarte

 

Ontem foi o dia de um homem só. Acompanhado, rodeado, acarinhado. Mas só. Ontem foi o dia de Marcelo Rebelo de Sousa, o novo Presidente da República, sozinho, sem partidos nem “apoios”, sem cadernos de encargos nem deves e haveres de fretes e favores, exibir a Portugal como pode ser diferente a política, como se pode ser institucional sem ser tradicional, como se pode chegar ao topo da estrutura do estado sem os trâmites habituais.

 

Marcelo chegou sozinho, subverteu o protocolo, trocou o banquete pelo espectáculo de rua. Foi claro na mensagem: quer ser um Presidente para os portugueses, não apenas dos portugueses. E nesta pequena nuance, entre o “para” e o “dos”, há toda uma história - que de resto o seu discurso inaugural bem revela.

 

Enquanto a maioria dos políticos - incluindo o Presidente que saiu - fala dos portugueses como uma massa homogénea, especie de “coisa” que não se distingue do resto da paisagem, Marcelo falou “de pessoas de carne e osso”. E acrescentou: “Que têm direito a serem livres, mas que têm igual direito a uma sociedade em que não haja, de modo dramaticamente persistente, dois milhões de pobres, mais de meio milhão em risco de pobreza, e, ainda, chocantes diferenças entre grupos, regiões e classes sociais”.

 

Em todas as palavras do seu discurso há intenção, não há acaso nem improviso. Em todos os actos do dia de ontem houve avisos, sinais, declarações de intenções. Se o seu exemplo for visto por aqueles que persistem em fazer da política um território cercado de arame farpado, a política terá começado a mudar ontem. Talvez possa ser mais para as pessoas e menos para os números, mais para a mudança e menos para a estagnação.

 

Não sou, porém, muito optimista. Não há duas pessoas iguais - e acima de tudo, não aparece com frequência no nosso universo público gente com a fibra, a garra e o talento popular - que não populista - de Marcelo. Provavelmente, este será um caso isolado - que, paradoxalmente, por isso mesmo, vai marcar a História. Que seja inspirador, não peço muito mais.

 

E agora que a fasquia se elevou a um nível nunca antes visto, esperemos que o novo Presidente a mantenha nas alturas. Se não for um homem que quebra o protocolo, e se mostra diferente desde a primeira hora, a pôr de lado o cinzento que domina a política nacional há 40 anos, não há mais ninguém que o possa fazer.

 

Nesse sentido, Marcelo ontem foi um homem só - mas teve muita gente do seu lado. Que continue a dormir pouco e nunca se cansar…

 

Uma ideia forte para esta semana

 

O jornal espanhol El Pais iniciou um processo de renovação interna profundo, que passa por uma redacção renovada (até em termos físicos), nas hierarquias (com destaque para uma ascensão dos quadros ligados à imagem), e que tem um objectivo claro: preparar o jornal para o mundo digital - se preciso for, sem papel. Vale a pena ler aqui a carta do director do jornal aos seus trabalhadores. Assim vai a imprensa, diria, mais potente da Europa…

publicado às 11:53

Marcelo, o presidente monarca

Por: Paulo Ferreira

 

Marcelo terá um mandato difícil. A descompressão que promete e será certamente capaz de cumprir pode ser uma ajuda mas não resolve tudo. No fim do dia, a substância das suas decisões e a forma como exercer os seus poderes serão também essenciais

 

A prática de “tiro ao Cavaco” foi a modalidade em que muitos adeptos se especializaram nos últimos anos. É verdade que o Presidente que sai se colocou muitas vezes demasiado a jeito, a maior parte das vezes pelo que dizia e como dizia do que propriamente pelo que fazia.

 

É a velha questão do “estilo”, a pose de professor de Finanças, a rigidez e distanciamento no trato, o hiper formalismo, um certo conservadorismo de costumes para lá do prazo de validade, o moralismo imaculado auto-atribuido, a incapacidade para admitir erros ou falhas.

 

Por mais sustentadas que sejam as críticas e algum azedume em relação a Cavaco Silva - que sai de cena com baixíssimos níveis de popularidade - elas são manifestamente exageradas enquanto balanço da carreira política do homem que mais tempo deteve o poder nas quatro décadas de democracia. É demasiado cedo para fazer uma análise serena e distanciada do papel de Cavaco no Portugal contemporâneo mas uma coisa é certa: reduzir a um equívoco o contributo de quem governou o país durante dez anos - com duas maiorias absolutas - e presidiu durante outros dez não só é manifestamente anedótico como é um atestado de desprezo pelas escolhas populares.

 

Se o problema é, em grande parte, o “estilo” aí temos agora a antítese: Marcelo Rebelo de Sousa chegou há pouco (escrevo nesta manhã de quarta-feira) a pé ao Parlamento para a cerimónia da sua tomade de posse, quebrando todo o protocolo, vindo de casa dos pais. Foi o trajecto que tantas vezes fez quando ia para a escola, justificou.

 

Arrisco prever que Marcelo será o mais próximo de um monarca que teremos na República, com uma vantagem sem preço: foi eleito pelo povo.

 

A proximidade e a descontração, os afectos e as “pontes”, já tantas vezes sublinhados, são bem vindos, nestes anos que vão continuar a ser de chumbo.

 

A crispação política e partidária que se ergueu nos últimos anos, as barricadas ideológicas reais ou postiças, o extremar de posições contra alguma coisa e muitas vezes a favor de alternativa nenhuma, são dispensáveis e não devem confundir-se com as opções políticas diferenciadas que sempre se devem colocar numa democracia.

 

Marcelo terá um mandato difícil. A descompressão que promete e será certamente capaz de cumprir no relacionamento dos principais actores político e na reconciliação do país consigo próprio pode ser uma ajuda mas não resolve tudo. No fim do dia, a substância das suas decisões e a forma como exercer os seus poderes - os constitucionais e os informais - serão também essenciais.

 

Os desafios económicos e sociais são hoje menos violentos do que eram há cinco anos, quando Cavaco Silva inaugurou o seu segundo mandato, mas nem por isso são menos importantes. A emergência da bancarrota foi ultrapassada mas é notório que nada está consolidado. Um sopro mais forte e as contas públicas voltam a descarrilar, o financiamento da República e dos bancos podem voltar a ficar em causa. Estas são as fronteiras intransponíveis das opções políticas, as linhas vermelhas que não podemos de forma alguma pisar, sob pena de arriscarmos o quarto resgate financeiro da democracia.

 

A tentação de desafiar esses limites pode ser grande, como forma de afirmar alternativas políticas que são legitimas mas que os recursos que não temos não paga.

 

O equilíbrio entre o que o que gostávamos e o que podemos, entre as opções nacionais e os compromissos europeus, entre a coesão social e a falta de dinheiro, entre as visões alternativas e os necessários consensos são os desafios com que continuamos confrontados e que estarão sempre na agenda do Presidente da República.

 

Marcelo Rebelo de Sousa chega num momento em que o país experimenta uma solução executiva nova, um governo do PS sustentado pelo apoio parlamentar do BE e do PCP, de incerta longevidade como sempre acontece com soluções minoritárias. Fazer a governabilidade bater certo com a responsabilidade é responsabilidade diária.

 

Para lá dos discursos que sabe fazer, da sua generosidade e simpatia pessoais, como acaba de demonstrar na tomade de posse, serão estes os testes fundamentais que o novo presidente vai enfrentar. Já a partir de amanhã.

 

Outras leituras

 

Há precisamente um século, Portugal entrava na Primeira Grande Guerra. Como, porquê e com que consequências? Manuel Carvalho, do Público, continua a desbravar-nos a História. Imperdível.

 

O acesso à internet como bem essencial, comparável à electricidade e à água. Nos Estados Unidos.

publicado às 11:19

A propósito de eleições

Por: Pedro Rolo Duarte

Sempre que há eleições, lembro-me de um episódio caricato que vivi há duas ou três vidas - e que me ajuda a relativizar a vida, as pessoas, a política. Ao ver a reportagem da SIC, com Marcelo Rebelo de Sousa, na passada segunda-feira, primeiro dia do candidato eleito, essa historieta voltou a sentar-se à minha frente. E é irresistível contá-la. Não tem qualquer relevância, mas revela o carácter de uma pessoa. Ou a falta dele.

 

Passou-se algures a meio dos anos 90. Eu era - ainda sou - amigo pessoal de uma então candidata a uma autarquia local relevante no país. Tão relevante que a SIC Notícias a tinha escolhido para ser uma das pessoas que protagonizaria um frente-a-frente com o candidato que se lhe opunha. Era um tempo em que ainda se respeitavam as decisões editoriais, e o canal escolheu meia-duzia de autarquias cujo peso mediático merecia atenção redobrada.

 

Nada habituada a debates deste tipo, menos ainda na TV, pediu ajuda aos seus amigos, desafiando-os para algumas noitadas de perguntas e repostas que podiam surgir no programa. Do meu lado, pediu-me que levasse mais um jornalista. Do seu lado, levou dois camaradas seus. Um deles era José Sócrates, então jovem deputado do PS - e foi assim que conheci a figura.

 

Não apenas me pareceu simpático como criou empatia comigo - e conseguiu. De tal forma que, na semana seguinte, na segunda noitada de perguntas e respostas à candidata, jantámos os dois, umas horas antes, um belo peixe ao sal num restaurante de Algés.

 

A amizade não passou para lá dessas duas ou três noites. Mas Sócrates fez questão de me tratar por “tu”, de que o tratasse por tu, e não evitou a conversa informal entre duas pessoas com uma amiga comum, idades próximas, ideias não muito divergentes.

 

A verdade é que a nossa “candidata” ganhou; uns dias depois (ou antes, já não sei precisar…) António Guterres era nomeado primeiro-ministro, depois de vencer quase em simultâneo eleições gerais - e, no meio de todo este alvoroço socialista, a minha amiga, entretanto alcandorada a presidente de câmara, comemorava, como habitualmente, o seu aniversário, com uma festa em casa. O (futuro) governo de Guterres marcou presença em força. Ainda não havia tomado posse, mas era como se já fosse: segurança reforçada, policia à porta de casa, aparato qb. Senti-me mais numa festa política do que, como em anos anteriores, num aniversário de uma amiga.

 

Passado o crivo da segurança, lá entrei na festa. A animação reinava, até porque parte daquelas pessoas já sabia que ia pertencer ao novo Governo, o que dava algum suplemento de vitalidade ao evento.

 

Todas as pessoas me trataram da mesma forma como antes me haviam tratado: havia quem me cumprimentasse com um “você” próximo e simpático, como Guterres e Ferro Rodrigues, havia quem mantivesse a frieza e distância anteriores, como Armando Vara, havia quem não me conhecesse e nem sequer olhasse. Havia de tudo, até pessoas que só me conheciam por ser “o filho do Rolo Duarte e da Maria João”, como o Duarte Brás.

 

Só notei uma diferença. Ao ver-me, José Sócrates -. o mesmo Zé que duas semanas antes me tratava por tu, e falava de peixe ao sal, futebol e política durante um jantar descontraído - olhou-me lá de cima dele próprio, numa repentina e nova pose, entre a superioridade e a distância, e perguntou:

 

- Você, também por aqui?

 

Nesse momento, percebi quem ele era e a que espécie de gente pertencia. E não me enganei.

 

Nem que fosse apenas por este traço de carácter, Marcelo Rebelo de Sousa merece a eleição que ganhou. Pode ter um sem número de defeitos - mas acredito que a sua atitude para com aqueles com quem se cruza será a mesma de sempre. Antes e depois do lugar para que foi eleito. Faz toda a diferença.

 

COISAS QUE ME DEIXARAM A PENSAR ESTA SEMANA

 

A rádio já foi dada como morta várias vezes. Tem resistido, e bem, e terá sido o primeiro meio de comunicação a explorar integralmente as potencialidades da Internet. Agora que a imprensa em papel estremece, vale tudo para manter as marcas no ar. E adaptar matérias escritas para serem lidas no telefone ou ouvidas no formato podcast é um desses caminhos. Vou seguindo o excelente trabalho da revista Time na sua newsletter diária, que pode ser lida ou ouvida digitalmente. A revista lá vai sobrevivendo em papel…

 

O escritor, guionista, poeta, Nuno Costa Santos chegou com o seu “Marginal Ameno” à RTP3. As suas pequenas crónicas de quotidiano, protagonizadas pelo próprio (sempre acompanhado pelo clássico saco de plástico…) são pérolas de humor, de ironia, de saber olhar. Sugiro que o sigam aqui, no blog, ou o apanhem no novo canal da RTP.

 

A edição online internacional do diário britânico The Guardian é seguramente das melhores da imprensa europeia. Com a vantagem de ser aberta e livre. Aconselho-a. No caso, e de link em link, podem divertir-se (ou talvez não…) com essa incrível história do traficante Joaquín "El Chapo" Guzmán e da sua captura, depois de uma fuga sofisticada, de uma entrevista à Rolling Stone, e do envolvimento da putativa namorada Kate del Castillo, que terá ligado o traficante ao actor Sean Penn. Um folhetim que tem de tudo: sexo, ambição, vaidade, crime, e Hollywood…

 

 

 

publicado às 10:49

Marcelo Rebelo de Sousa ganhou, António Costa também não

Por: António Costa

 

Marcelo Rebelo de Sousa é o novo Presidente da República, ganhou à primeira volta, ele, sem apoios partidários, sozinho, suportado numa reputação, construída anos a fio no comentário político televisivo, numa carreira académica e na capacidade, única, de falar ao Centro-Esquerda sendo de Direita. António Costa pode estar descansado? Nem por isso.

 

A vitória de Marcelo não é uma revanche de Direita em relação à forma como o PS chegou ao Governo, porque Marcelo não quis, porque foi candidato da Direita apesar de Passos Coelho. O líder do PSD preferia outro nome, Rui Rio à cabeça, mas foi obrigado a apoiar o professor/comentador. Por isso, e por Marcelo ser mesmo um espírito livre, a vitória foi dele, e não dos partidos. O anti-Cavaco, o novo Presidente, fez tudo para ser o candidato de todos os portugueses, prometeu estabilidade política e a defesa da manutenção do Governo de António Costa. Até anunciou a desdramatização da vida política. Mas também a necessidade de garantir a sustentabilidade das contas públicas e da recuperação da economia. Por isso, e porque Costa fugiu destas eleições, parece que o primeiro-ministro e líder do PS é quase um dos vencedores da noite. Não é, é um dos derrotados, por causa do que aconteceu antes, e por causa do que pode acontecer depois.

 

Em primeiro lugar, António Costa ‘inventou’ Nóvoa e criou as condições para que o antigo reitor da Universidade de Lisboa aparecesse como candidato presidencial. Quase tinha o apoio do PS, não fosse a desconfiança que, entretanto, gerou em Costa e o facto de o líder do PS ter outras prioridades, nomeadamente a mais importante de todas, chegar a primeiro-ministro. A iniciativa de Maria de Belém fez o resto.

 

Ainda assim, Costa fez um apelo direto ao voto em Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. A posição oficiosa era clara, o voto deveria ser em Nóvoa, mas a direção dos socialistas tinha de conceder, e por isso surgiu a ideia de ‘primárias de Esquerda’. Ora, no conjunto, os dois apoiados pelo PS tiveram cerca de 26% dos votos, contra 52% de Marcelo, e caíram à primeira volta. É mesmo uma vitória?

 

Além disso, António Costa é também acusado pelos partidos à Esquerda, o BE e o PCP, de ter contribuído para a vitória de Marcelo à primeira volta. E com resultados bem diferentes: Marisa Matias superou as expetativas e consolidou a força do Bloco, Edgar Silva afundou-se e pressiona o PCP a refletir sobre o seu futuro, desde logo no quadro do acordo conjunto que suporta o Governo. A coligação de Esquerda está hoje mais frágil do que estava na sexta-feira.

 

Depois, se é verdade que Marcelo defendeu a estabilidade – em campanha eleitoral, diga-se -, também não é menos verdade que o Governo vai ter um exercício orçamental difícil, para não dizer outra coisa. O esboço de orçamento, pouco prudente, segundo o Conselho de Finanças Públicas, tem objetivos que parecem impossíveis de compatibilizar, a execução vai ser difícil, senão mesmo impossível. Veremos se Marcelo, nessa altura, continuará a ser tão favorável à união e aos consensos.

 

António Costa sabe isso melhor do que ninguém, apesar da amizade pessoal. Por isso, numa iniciativa que revela a sua habilidade política, falou na qualidade de primeiro-ministro e não como líder do PS. Anunciou a disponibilidade para a cooperação institucional e a máxima lealdade institucional. Mas a porta-voz do PS, Ana Catarina Mendes, disse o resto: o Governo espera que Marcelo cumpra o que prometeu em relação à estabilidade política no país.

 

António Costa também perdeu, menos do que outros – uma derrota suavizada pela estratégia eleitoral do novo Presidente, que tudo fez para alargar influência para além do seu espaço político natural. O número absoluto de votos – cerca de 2,4 milhões – ganhos por Marcelo é claramente inferior ao de Cavaco, por exemplo, e idêntico ao da coligação em 2011, o que nos indica que não terá alargado assim tanto, mas foi suficiente para vencer à primeira. E para ter o papel que quiser ter nos próximos cinco anos a partir de Belém.

 

AS ESCOLHAS

 

E porque estamos em dia de ressaca eleitoral, pode ver aqui, em 24.sapo.pt, duas abordagens diferentes às presidenciais. Por um lado, as fotografias da noite eleitoral que, na verdade, acabou cedo e sem surpresas. Depois, um perfil do novo Presidente indigitado feito pela Rádio Renascença. Resumir o currículo de Marcelo ao comentário político televisivo, qual espetáculo de reality show, não é justo com o próprio e empobrece as presidenciais. Marcelo é, e foi, muito mais do que isso, foi aluno brilhante, professor catedrático em Direito e também político em exercício, quando assumiu a liderança do PSD.

 

Boas leituras e até para a semana.

publicado às 11:00

Marcelo, a TV e o voto

Por: Pedro Rolo Duarte

 

Tornou-se um dos temas mais debatidos nesta campanha morna: Marcelo Rebelo de Sousa levaria vantagem porque foi, ao longo dos últimos anos, comentador politico na TV e na rádio. Ou seja, tornou-se popular. Que eu saiba, não há estudos que comprovem essa relação directa - e a minha intuição diz-me que a popularidade que a presença nos media deu a Marcelo pode, no limite, prejudicá-lo, em vez de o eleger. Não tenho a certeza de que o eleitor comum queira ver na Presidência da República um homem que comentou na TV, que nos divertiu, que soube levar a política até ao lado mais lúdico que pode ter. Como ele, muitos outros fizeram o mesmo - de Marques Mendes a Jorge Coelho - e nunca essa circunstância os tornou presidenciáveis.

 

Sendo um homem académico, culto, com carreira, com perfil - razões que me levam a não esconder que votarei nele -, Marcelo é também o “malandrão” deste universo, o homem com sentido de humor (que falta à maioria dos eleitores, e faltou ao PR em exercício…), e acima de tudo uma figura que não gosta, como Cavaco gostou, de ser paizinho da Nação. Bem sabemos como este país ama quem tome conta dele, mas Marcelo não assumirá esse papel. Ele será, acredito, efectivamente Presidente da Republica, com a marca de uma personalidade que cativa e convoca aqueles de nós que não levam a vida demasiado a sério, cinzenta, sem graça…

 

Assim sendo, a vitória não são favas contadas, e a ideia de que ganha à partida só o prejudica. A popularidade é uma faca de dois gumes: foi ela que levou Carlos Cruz à prisão, como foi ela que levou Lourdes Pintasilgo a tentar (e falhar) ser Presidente; foi a popularidade que fez de Cristina Ferreira um fenómeno - mas terá sido também essa mesma popularidade que acabou, politicamente, com Manuel Maria Carrilho. Dar como adquirido esse conhecimento público é um pouco como aceitar que os ataques terroristas nos tolhem os movimentos. Nuns casos, pode ser verdade. Noutros, terão o efeito contrário.

 

Nesse sentido, as eleições de domingo constituem uma incógnita. Não tenho qualquer palpite para este dia 24 de Janeiro. Só gostava, sinceramente, que os eleitores não dessem razão ao Rodrigo Moita de Deus, que num programa de TV recente, onde participo, me deixou a pensar nesta ideia, porventura certa, mas obviamente triste: os portugueses estão tão desiludidos, e sentem-se tão enganados que, se pudessem, evitavam esta “coisa” do voto, porque lhes é indiferente a ideia de democracia. Temo que o Rodrigo tenha razão. E tenho medo. Talvez a TV, afinal, possa ajudar…

 

 

COISAS QUE ME DEIXARAM A PENSAR ESTA SEMANA

 

Há ironias que nos deixam de boca à banda: Fernando Ávila, o realizador de TV que nos deixou, aos 61 anos, no sábado passado, é um dos dois ou três responsáveis por termos, hoje, nos diversos canais de TV, programas de ficção, espectáculos, humor, magazines, talk-shows, ao nível do que se produz em qualquer país do mundo. Nem que fosse pela qualidade do seu trabalho, pelo que trouxe de novo e de bom ao mundo do audiovisual, pelo empenho que colocou em cada trabalho (e ele realizou espectáculos de bailado com a mesma dedicação e paixão com que fez “enlatados” e humor…), merecia do seu meio uma homenagem, um reconhecimento e uma palavra mais afectiva e justa do que os escassos minutos que lhe foram dedicados.

Não teve. O DN talvez tenha sido quem tenha tratado menos mal o seu desaparecimento.

  

“Eu não escrevo para as crianças, escrevo antes com um ideal de brevidade, de clareza e de proximidade ao concreto” - assim se definia Michel Tournier, que também nos deixou esta semana, já com provecta idade. Estas ocasiões são boas para reencontrar estes pensadores. A entrevista que o jornal Liberation “republicou” é imperdível. Fica o link.

 

A Wikipédia, “a enciclopédia livre composta por 906 196 artigos que todos podem editar” (e estes 900 mil são apenas os que estão em língua portuguesa) está a festejar os seus 15 anos. Foi - e é -, apesar dos erros e omissões, uma das mais democráticas e livres formas de acesso ao conhecimento. Todos os seus defeitos não superam as inúmeras vantagens. Merece o nosso aplauso, e que participemos na sua festa - tão simples quanto isto: ir a este link dizer o que pensamos dela e quão importante é para nós. Até na comemoração do seu aniversário, a Wikipédia é humilde e aberta a todos.

 

 

 

 

publicado às 08:02

Marcelo contra Marcelo

Por: Paulo Ferreira

 

Desta vez ninguém poderá queixar-se de falta de debate ou de défice de esclarecimento. São 14-debates-14 os que as televisões estão a fazer entre os candidatos à presidência da República. Todos contra todos, como num campeonato de futebol.

 

Não sabemos se o voto vai ser mais esclarecido ou mesmo se alguém mudará de ideias em função de um debate.

 

O que a maratona tem feito é dar aos “outsiders” os cinco minutos de fama a que aspiraram quando legitimamente se candidataram e confirmar os posicionamentos que conhecíamos a cada candidato. Ou, no caso de Marcelo Rebelo de Sousa, os vários posicionamentos que lhe vamos conhecendo sobre o mesmo tema.

 

Há meses, quando Marcelo apresentou a candidatura e apareceu favoritíssimo nas sondagens, alguém disse ou escreveu - e esse alguém que me perdoe a falta de memória que me impede de atribuir o devido crédito - que para o candidato o melhor era que as eleições se realizassem logo ali, bem depressa, porque a partir daí estaria sempre a perder até ao dia do voto. E que quanto mais falasse, mais perderia. E quanto mais longa fosse a campanha mais desceria nas intenções de voto. Faz todo o sentido que assim seja.

 

A posição de professor, de conselheiro e de explicador, que tanto comentava a crise no Médio Oriente como o último jogo do Braga, tudo de forma naturalmente inconsequente para além de irritar os que criticava e deixar satisfeitos aqueles que elogiava, era uma posição cómoda e popular.

 

Mas isso acabou no dia do anúncio da candidatura. Daí fica a imensa popularidade e notoriedade, fica o à vontade com que se movimenta em todos os ambientes, dos que apreciam “foie gras” aos que preferem iscas de fígado.

 

Mas fica também outra coisa: um imenso registo documental em que o professor aparece a comentar tudo e mais alguma coisa, a tomar posição, a distribuir elogios e a sublinhar críticas sobre qualquer assunto que tenha marcado a vida do país na última década e meia. Dos importantes aos irrelevantes.

 

Não admira que com tantas horas de vídeo público que está por aí, Marcelo comece agora a ser confrontado com o que disse no passado, que pode não bater certo com o que defende agora.

 

É que o comentador que tinha opinião sobre tudo transformou-se entretanto no candidato que, tacticamente, prefere não ter posição sobre nada. Marcelo não quer comprometer-se. Nem com a direita nem com a esquerda. Com os capitalistas ou com os proletários. Não tem opinião sobre a austeridade nem sobre o despesismo.

 

Repare-se no que disse esta terça-feira: “Não sou o candidato da direita”, e apresentou-se como um candidato “heterodoxo e independente”; e sobre a possibilidade de o Novo Banco se tornar num banco do Estado: sim, se as condições de venda não forem positivas.

 

Haverá maior descomprometimento do que isto?

 

A polémica com Marisa Matias acerca da crítica ao chumbo do Tribunal Constitucional aos cortes nos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos e pensionistas previstos no Orçamento do Estado de 2012 é um exemplo disso mesmo. E é lapidar a reacção do candidato: não quer polémicas. Obviamente. Uma campanha eleitoral lá é momento para levantar polémicas?

 

Este desencontro entre o passado e o presente vai certamente repetir-se nas próximas semanas. E se vier a ocupar o Palácio de Belém, como provavelmente acontecerá à primeira volta, Marcelo-presidente terá como principal adversário político uma outra figura de peso e das poucas que apresentam uma popularidade à sua altura: Marcelo-comentador. Neste momento, este é já o seu principal opositor. Porque a mediatização é sempre um pau de dois bicos.

 

OUTRAS LEITURAS 

 

Nada como um governo de esquerda para poder praticar sem polémicas políticas que geralmente associamos à direita. Universidades vão manter contenção orçamental e terão que encontrar receitas privadas

 

Enquanto isso, felizmente há uma nova geração para quem todas estas polémicas são estranhas. Há startups portuguesas que são referência mundial.

publicado às 01:36

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