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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

As mulheres não se interessam por ganhar. Apenas querem que lhes contem histórias.

 Por: Rute Sousa Vasco

 

[Este artigo começa com um longo e pausado suspiro. É uma espécie de reflexo pavloviano que ocorre quando persistências obtusas persistem.] Vamos lá então falar das mulheres.

 

Das mulheres em geral, das mulheres no mundo, das mulheres na política, nos negócios, nas artes … e nos olímpicos. Os Jogos do Rio têm batido alguns recordes de imbecilidade no que respeita à forma como as mulheres são referidas. Os comentadores da NBC, estação host do evento nos Estados Unidos, têm conquistado medalhas atrás de medalhas e o exemplo foi logo dado no dia do arranque da prova.

 

 

Um tal de John Miller, responsável pelo marketing da estação, explicou que a cerimónia de abertura dos Jogos não seria exibida em directo … por causa das mulheres. Porque os estudos de audiência mostravam, explicou, que há mais mulheres que homens a assistir aos Olímpicos e o sexo fraco é menos interessado nos resultados e mais interessado na narrativa. Ou seja, o que as mulheres querem mesmo é uma mistura de reality show com mini-série e a NBC preparou-se para servir esse menu. Claro que o facto de ter vendido 1,2 mil milhões de dólares de publicidade e de ser mais fácil colocar anúncios em olímpicos cortados às postas não teve nada a ver com essa opção – estes senhores são uns gentlemen, apenas querem agradar às senhoras.

 

 

Correu mal.

 

 

A NBC registou o pior resultado de audiência desde 1992. Com tantos estudos e uma preocupação tão esmerada com o público feminino, não se percebe. Mas também já se sabe, as mulheres são temperamentais. Se calhar, naquele dia, deu-lhes para ir às compras.

 

 

Depois deste arranque, houve já todo um desfile de comentários sobre várias atletas em várias modalidades.

 

 

A nadadora húngara Katinka Hosszu ganhou a medalha de ouro nos 400 metros individuais e bateu um recorde mundial. É chamada a dama de ferro. Mas nos ecrãs americanos o grande plano foi para o marido e treinador, Shane Tusup, o grande responsável pela sua vitória, segundo o comentador da NBC, Dan Hicks. Talvez algumas mulheres não se importem de ser troféu de maridos, namorados, treinadores e por aí fora – mas importam-se de pelo menos assumir que outras têm vida e mérito próprio?

 

 

Não fica por aqui.

 

 

Corey Cogdell-Unrein conquistou, nestes Jogos do Rio, a segunda medalha de bronze no tiro ao alvo. Dir-se-ia que dificilmente poderia ser chamada por outro nome que não o próprio. A não ser para o Chicago Tribune para quem o papel principal de Corey, mesmo quando se torna uma medalhada olímpica, é ser a mulher de um jogador dos Chicago Bears, cujo nome deliberadamente nem vou referir, não porque tenha culpa, mas porque simplesmente não é necessário.

 

 

A invisibilidade das mulheres ficou igualmente patente na entrevista que Andy Murray deu ao veterano John Inverdale depois de ter ganho, no domingo passado, a medalha de ouro no torneio de ténis. Inverdale que é um histórico dos eventos desportivos, um dos rostos da BBC, teve de ser lembrado pelo tenista britânico que não era dele o primeiro feito olímpico de conquistar duas medalhas de ouro – antes já as irmãs Venus e Serena Williams tinham conquistado quatro.

 

 

E, depois, claro, há Simone Biles. O prodígio destes jogos olímpicos. Uma gigante com menos de um metro e meio que só por ela já fez valer a pena ter havido um evento chamado Jogos do Rio. Um manifesto exagero, sim, mas porque qualquer tributo escrito que se faça ficará aquém do talento e das qualidades que esta miúda de 19 anos demonstrou.

 

 

Vamos dizer que a NBC também não deixou os seus créditos por mãos alheias no que respeita a Simone Biles. A começar pelo spot promocional dos olímpicos em que usava uma conversa dos pais da ginasta sobre o quanto ela gosta de ir às compras. Além de gostar de ir às compras, Simone também arranja as unhas – segue-se imagem com a atleta na manicure. É uma menina, percebem? Ou uma gaja, como passarão a dizer logo que deixe de ter um ar ainda infantil. O desporto, a performance, a incrível elegância e destreza demonstrada enquanto ginasta, isso vem depois – lembrem-se, às mulheres interessa menos os resultados e mais a narrativa.

 

 

Aliás, terá sido também a pensar na narrativa que a mesma NBC promoveu um encontro surpresa entre a equipa de ginastas americanas, em que se inclui Biles, e o actor Zac Efron, um ídolo da geração de Biles que cresceu a ver o High School Musical. Efron espetou com uma valente beijoca na bochecha de Simone, ela sorriu, a história foi para o Snapchat, escreveram-se linhas de coisa nenhuma em vários sites e redes. Arthur Nory Mariano, o atleta olímpico que Simone apelida carinhosamente de "namorado brasileiro", foi ao Instagram dizer que ela é a miúda dele, e isto deu matéria para muito comentário e partilha. Aposto que sobretudo feminino, claro.

 

 

As mulheres gostam de narrativas, lembrem-se disso.

 

 

E é no meio disto tudo que a miúda Simone dá uma entrevista e diz apenas: “Não sou o próximo Usain Bolt ou Michael Phelps. Sou a primeira Simone Biles”.

 

 

Por cá, andamos a discutir o conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos. Uma missão grandiosa para a qual o Governo convocou 19 administradores. O BCE chumbou 8. Sobram 11. Nenhum é uma mulher. Mas em 2018, a Caixa terá no mínimo três mulheres no Conselho de Administração. Não é uma, não são dez. Porquê? Porque o Banco Central Europeu exige. Não se vá pensar que, por absurdo, seria porque há tantas mulheres qualificadas para gerir um banco como um homem.

 

 

Tenham um bom fim-de-semana.

 

 

Outras sugestões

 

 

Aqui pela redacção do SAPO24 andamos fãs deste podcast. E o primeiro episódio é a perfeita sugestão para o tema da crónica de hoje. Chama-se “The Lady Vanishes” e pode ser ouvido em Revisionist History, o podcast de Malcolm Gladwell.

 

 

E hoje é Dia Mundial da Fotografia, pelo que propomos uma volta ao mundo da imagem, também pelo fio condutor da História. Pode ser lida aqui, num artigo que revisitamos.

publicado às 12:36

Podemos fechar os olhos? Obviamente, não. Podemos fechar as portas? Também não.

Por: Francisco Sena Santos

 

O que é que aconteceu na noite de fim de ano na grande praça diante da majestosa catedral e da estação central de comboios de Colónia? Foi uma noite de vergonha, com intoleráveis ataques a centenas de mulheres. O corpo e a intimidade da mulher – das mulheres -  foi o principal alvo. Os homens que em grupo meteram as mãos em cima das muitas mulheres que ali estavam para celebrar, na sua principal praça de festa, a entrada no novo ano, tinham como objetivo central o máximo que conseguissem de exploração sexual. De abuso e posse daquelas mulheres livres.

 

Os relatos das atacadas referem que eles as apalpavam de todos os modos, metiam-lhes as mãos entre as pernas, rasgavam-lhes blusas, apertavam-lhes o peito, mordiam-nas, tentavam, quase sempre em grupo, levar a violação ao extremo. Além de assaltarem a liberdade e a dignidade, também roubaram carteiras e telemóveis. Muita gente estava bebida. Os assaltantes machistas organizavam-se em rodas em volta de mulheres sozinhas ou em pequenos grupos para as poderem molestar, tocar, assaltar, despir e violar. Como é isto possível? Como é possível que num momento de máximos alertas na Europa a polícia não tenha intervindo? Como é possível que acontecimentos assim sinistros tenham sido silenciados pela imprensa durante uns quatro dias?

 

Sabe-se que pelo menos 516 mulheres apresentaram, entretanto, queixas por agressões naquela praça naquela noite. Os agressores são genericamente referidos como norte-africanos e árabes. As revelações sobre os acontecimentos animalescos e violentos nessa noite de 31 de dezembro em Colónia começaram a surgir na imprensa alemã somente a 4 de janeiro.  Negligência ou tentação dos jornalistas para, na ocasião ultra-sensível das controvérsias em volta do acolhimento a refugiados, evitar pôr os migrantes sob os focos? Terá havido um dilema entre a defesa das mulheres e a defesa dos migrantes? Como quer que seja, os jornalistas alemães já estarão a discutir o que os levou a falhar. Uma falha que até pode ter uma causa inócua: estava toda a gente em modo feriado. Mas não deixa de ser uma falha.

 

São corajosas as mulheres abusadas que, embora com lágrimas nos olhos mas de cabeça erguida, denunciam o ataque que sofreram que, de facto, é um ataque à nossa civilização que preza a cultura de liberdade e tolerância. Ao denunciarem, elas fazem suscitar a indispensável reflexão e discussão que desperta a consciência crítica sobre o que está em causa.

 

Em fundo, há duas questões prioritárias: a violência sobre as mulheres e a integração na vida europeia de jovens provenientes de culturas machistas onde a mulher é vista como uma propriedade do homem e onde a relação com a sexualidade ainda tem contornos medievais com o homem a julgar que dispõe hegemonicamente, a seu prazer, do corpo da mulher. É o caso de lugares do mundo árabe-muçulmano onde o fanatismo religioso pretende que as mulheres sejam escravas e submissas.

 

O desprezo pela liberdade da mulher é uma doença transversal a diferentes culturas, países e religiões. E traduz-se em repetidos episódios de violência. Está também dentro de nós, na nossa Europa. Um estudo apresentado há dois anos pela Agência Europeia para os Direitos Fundamentais (FRA) revela que em cada três mulheres europeias com mais de 15 anos uma revela já ter sofrido violências físicas e/ou sexuais. As agredidas, na maior parte dos casos, conhecem os agressores: são pais, padrastos, irmãos, tios, amigos da família. Tudo isto está contido num estudo que tem por base entrevistas com 42.000 mulheres em 28 países europeus.

 

Mas este caso da noite de passagem de ano em Colónia – há relatos de outros em outras cidades alemãs, o que já levou as autoridades alemãs a falarem de ataque organizado – remete unanimemente para agressores da bacia sul do Mediterrâneo. Apareceu logo quem apontasse o dedo aos refugiados a quem Merkel abriu as portas no último verão.  Custa crer que os agressores possam ser os novos refugiados. Não parece provável que gente que acaba de arriscar a vida para chegar à terra ambicionada arrisque pôr a esperança em causa encurralando-se numa noite de loucura. Aliás, os indícios já disponíveis apontam para imigrantes de segunda ou terceira geração, jovens socialmente débeis que se consideram discriminados na Europa e que sentem que conquistam poder ao impor o medo.

 

Não sabemos ao certo o que estava na cabeça dos agressores. Nem sabemos exatamente quem são. Sabemos que a maioria deles tem origens no mundo árabe-muçulmano. Supõe-se que a maioria dos agressores vem do meio dos imigrantes, não do dos refugiados. Mas sabemos pouco sobre eles. Estamos, provavelmente, perante questões novas que resultam da brusca abertura do mundo islâmico ao modo de vida na civilização ocidental.  Acolher os que procuram refúgio é um nosso dever. Mas o acolhimento não pode ser apenas abrir-lhes os braços, ajudá-los a arranjar casa e trabalho e dar-lhes documentos. Requer de todos a aceitação de um contrato social com a modernidade da vida nas sociedades ocidentais. Talvez seja preciso pensar numa mediação. Há que tratar a questão dos valores incontornáveis a fazer compreender, partilhar e defender.

 

Não podemos fechar os olhos ao que aconteceu em Colónia e em outras cidades alemãs. Mas também não podemos fechar as portas aos que nos pedem refúgio. Há questões para discutir e tratar, designadamente as que cruzam migrantes e as questões de género. Com os direitos e a liberdade da mulher em igualdade com as questões da independência e da liberdade de expressão, religiosa e política. Uma interessante investigação publicada em Washington pelo Politico Magazine alerta para a tendência para, em resultado da migração proveniente do sul, com ampla maioria masculina, estar em alteração o equilíbrio de género na Europa. Predominância de homens.  Há que ponderar os efeitos a médio e longo prazo destas mutações.

 

Enfim, tanto para refletir e discutir. É seguramente um tema adequado para discussão na campanha presidencial portuguesa, que tão alheia tem estado das questões da Europa. O que aconteceu em todas as Colónias (Berlim, Bielefeld, Hamburgo, Stuttgart e outras cidades) não pode ser minimizado e também há que prevenir a instrumentalização xenófoba e racista que explora os medos frente ao outro e que já está a atacar. A tensão é inquietante. Obviamente, não são as mulheres europeias quem tem de mudar.

 

TAMBÉM A TER EM CONTA:

 

O terrorismo, outra vez. Agora em Sultanahmet, o terreno entre as duas grandes mesquitas na mais turística Istambul. Seguir aqui, aqui, ou aqui no SAPO.

 

O preço do petróleo baixou para 30,6 dólares por barril. Em Junho de 2008 passou os 145 dólares.

 

Primeiras páginas escolhidas hoje: esta, do Guardian. E estas, reproduzidas no SAPO JORNAIS: a do Libération, a do Daily Mail, a do Le Temps, a do Público e a do DN. Todas com o ovni pop Ziggy Stardust que fez vibrar o mundo e que descolou para os céus com uma canção a que chamou Lazarus.

 

Há que seguir logo à noite o legado histórico do presidente Obama sobre o estado da nação americana.

publicado às 10:10

O 'património' e o 'material' da Pirelli 2016

Por: Márcio Alves Candoso

 

'The day we stop looking, Charlie, is the day we die' (Al Pacino, 'Scent of a Woman')

 

 Fotografia de Barry Lategan para o calendário Pirelli de 1988.

 

Vai-se a ver, e se calhar Annie Leibovitz é que tem razão. Associar uma marca de pneus a imagens de mulheres longe da perfeição física que lhes foi ditada pela reprodução e invenção do tempo, é capaz de ser a ideia redonda que faltava aos cinquentenários calendários 'Pirelli'.

 

Que vemos nós, homens com olhos de homem e mulheres com os mesmos olhos, quando olhamos uma mulher despida? Vemos para além dos olhos, uma virtude esquecida no ético rodapé de uma outra, a que se cuida de ser vivida. Quem vê menos que uma vulva em 'A Origem da Vida', de Gustave Courbert, esquece talvez Joanna Hiffernam, a 'bela irlandesa' que deu voz aos pintores franceses da 'belle époque'.

 

Quando, nos anos 60, a Pirelli acrescentou aos 'gadgets' de sempre – porta-chaves, estiletes monografados - a oferta de um calendário 'com imagens fascinantes, incluindo o nu artístico' (cito), estava a pisar o terreno escorregadio que nesse tempo começou a fazer sentido. O corpo mostrado, da mulher no presente caso, já não era aquela coisa proibida aos fotógrafos, artistas maiores da arte realista. Não ficava apenas bem aos pintores.

 

Eram mulheres mesmo, nuas ou a indiciar pele por vários lados, a proteger os homens de ficarem cegos na escura solidão do imaginário onanista. Já não um terreno típico de camionista ou de soldado deserdado da sorte de casa, tivesse-a tido antes ou apenas sonhada, cujas musas à cabeceira da cama eram as miúdas de cinta estreita, lábios rubros e faces rosadas emolduradas de cabelos 'curly', que se olhavam logo depois das pernas dobradas por debaixo delas, num papel com as pontas retorcidas e preso em paredes de caserna ou camas de cabine com pioneses de ponta plástica.

 

E, no entanto, era a candura que se esvaía. Depois da 'Playboy', da pornografia, havia agora um tempo presente – um calendário, que é em si mesmo o que conta o tempo e dele nos informa em cada dia – que associava mulheres ao mês que entretanto passava.

 

As pioneiras tende em muita estima. Em 1963, várias mulheres dos quatro cantos da raça apareciam associadas aos produtos 'Pirelli' que, em cada parte do globo, mais vendiam. Foi só no ano seguinte que o 'glamour' das fêmeas que se mostravam – ou apenas um bocadinho – começou a permitir aos ditosos consumidores da marca terem em casa algo de belo com que passar o tempo. Há algo de masculino em não ter em Maio o mesmo que se pode ver em Novembro. É um escape, pelo meio do fumo da civilização dos carros novos...

 

De Herb Ritts a Mario Testino, de Helmut Newman logo proibido mas depois mostrado, muitas foram as objectivas que subjectivaram os corpos em luz e sombra de mulheres famosas. Todas lá estiveram - e as que não estavam, queriam. De Kate Moss magra a Cindy Crawford curvilínia, até Julianne Moore lá esteve, em frente a Terry Richardson. A exclusividade dos calendários, associadas ao perfil de 'marketing' da marca, faz com que, em cada ano, não sejam impressos mais que uns escassos milhares. 'Priceless'!

 

 Vanessa Williams fotografada por Anne Leibovitz para o calendário Pirelli 2016.

 

Aprender a olhar, sem desviar os olhos do que é íntimo. Foi isso que, de par em ímpar, nos mostrou a Pirelli nestes mais de cinquenta anos. Com excepção da década em que a imagem não fazia sentido perante a realidade que já não estava escondida, a de 70 e tantos até 80 e poucos. Dizem que foi do petróleo, que fez travar os pneus italianos.

 

Eu digo que foi uma amostra do que apenas no Céu nos é absolutamente permitido. Mas isso sou eu, que cresci nesse tempo semi-desconhecido que complexizou a naturalidade ganha nos exactos tempos que o antecederam. 'The Times They Are a Changin', até que 'Shine on You Crazy Diamond'. Ou mesmo Antonioni, misturando as cores todas das relevantes ancas e peitos no deserto que é vermelho. Até ao tempo 'moderno' em que da 'Playboy' desapareceram as desnudas.

 

Um dia, não tinha eu mais de cinco anos, estava escondido numa esquina a ver os maiores de idade a trocarem cartas de mulheres nuas. Achei prevertido, antes de ter percebido o bem - e o mal - que lhe está associado. Depois senti-me livre no peito de uma mulher, muito mais tarde. Sinto-me ferido quando Leibovitz, do alto do seu 'amén' ao politicamente correcto, me quer convencer que mulher não é o material corpo que me passa pelos olhos, entre Março e Setembro. Na roda de um calendário 'Pirelli' pervertido, porque dele não emana desde logo o sonho, o património imaterial da Humanidade.

 

 

publicado às 16:37

Ela queria ser enfermeira mas foi obrigada a casar-se aos 15 anos

Casamentos forçados e gravidezes precoces anulam a esperança de evoluir nos estudos e mudar de vida para muitas meninas do Níger.

O sonho acabou. Ousseina, 15 anos, queria ser enfermeira. A frágil adolescente que vende ovos numa estrada perto da cidade de Maradi, no Níger, sabe que já não vai ter hipóteses de continuar os estudos e dar asas ao seu sonho. Tal como muitas meninas deste país da África Ocidental, Ousseina não tem outra opção senão casar-se muito cedo.

 

“O meu casamento já tem data marcada. Vai ser depois das colheitas, no fim de novembro”, conta a menina que queria ser enfermeira. O sonho foi anulado sete meses antes de Ousseina obter um certificado escolar que lhe iria permitir seguir os estudos.

 

Além de ser um dos países mais pobres do mundo, o Níger é também um dos países onde as mulheres têm piores condições de vida devido à tradição implacável de casamentos precoces e à imposição de grandes famílias, com muitos filhos. Tradições apoiadas pela maioria muçulmana.

 

Os esforços das Nações Unidas e de outros grupos que lutam pelos direitos humanos têm sido travados por uma resistência fervorosa. Muitos líderes religiosos condenam publicamente as campanhas de contraceção. Mesmo entre a população as razões para a exigência de uma idade mínima para casar (18 anos) são ignoradas.

 

Contra a vontade

 

Ir à escola é encarado como uma desculpa para fugir ao casamento. Apenas 4 em 10 meninas no Níger frequentam a escola primária, número reduzido para metade (2 em 10) nas que conseguem seguir para o ensino básico. Apenas 3 em 100 raparigas chegam ao ensino secundário.

“As raparigas casam-se com 15 anos, ou até mais jovens, com homens muito mais velhos e contra a vontade delas”, lamenta uma parteira de uma aldeia a sul de Maradi. Mais uma vez as estatísticas da ONU sobre os casamentos forçados comprovam esta dura realidade: 30 por cento das meninas casam-se antes dos 15 anos e 75 por cento antes dos 18.

 

O casamento é visto por muitas famílias como uma solução económica. Num país em que 60 por cento da população vive abaixo da linha da pobreza, quanto mais cedo uma filha casar, menos uma boca para alimentar.

 

Uma luta sem resultados

 

O casamento precoce traz consigo problemas de saúde que podem comprometer para sempre a vida de uma mulher. O corpo de uma menina ainda não está preparado para uma gravidez, o que provoca várias complicações, como fístulas e lesões em órgãos. Quando nestas condições, muitas mulheres são abandonadas pelo marido e ficam à mercê de cuidados de saúde quase inexistentes nas zonas mais pobres.

 

Apesar de ter uma das taxas de natalidade mais altas do mundo - 7,6 filhos por mulher, impulsionada pelos casamentos precoces - o Níger tem também uma das taxas mais elevadas de mortalidade materna.

 

As Nações Unidas, através da Unicef, tentam lutar contra as estatísticas e melhorar a vida das meninas do Níger. Mas, após uma década de trabalho no terreno, os resultados são mínimos. Fatima Kako, responsável de uma organização não governamental que luta pelos direitos das mulheres, reconhece que “falta vontade política” no país para que algo mude. Mas culpa também as imposições culturais e religiosas que continuam a travar o livre arbítrio das mulheres.

 

“Hoje em dia uma mulher que apareça na televisão é considerada ordinária e irresponsável”, denuncia a ativista. “Mas vamos continuar a nossa luta pela liberdade das mulheres, não vamos desistir”, afirma Fatima Kako, esperando que nos próximos anos as meninas do Níger possam decidir por elas sobre o seu futuro.

 

com AFP

publicado às 12:40

Quando chegares a casa, o jantar está pronto

Por: Márcio Alves Candoso

 

"Quando chegares a casa, o jantar está pronto", mas isto dito em tom estalo, de cabeça levantada, no meio da multidão que a observa. Como quem atira um 'digo que te sirvo mas não sou serva, sirvo-te mas porque eu quero, porque fizeste o que eu te mandava havia tempo, e só assim ficas comigo'. 

 Mary Kate Danaher, a personagem de Maureen O'Hara no filme "O Homem Tranquilo", de John Ford, 1952

 

Um fado irlandês, que desata em passo largo, rasgando a turba de basbaques quietos e mirones, com as saias irlandesas pelos tornozelos, atacando as relvas irlandesas que são os pastos onde levava as ovelhas no primeiro dia em que se olharam; e só pára – presume a gente, e constata vendo a cena que se segue a esta – diante do fogão de lenha da casa em que está casada.

Chamava-se Maureen O'Hara e essa interessa-me menos, apenas para que se perceba porque era parecida com quem lhe calhava nos filmes. É a personagem de Mary Kate Danaher, aquela que não morreu na semana passada, nem nunca andou de cadeira de rodas. Quando muito perdeu-se, mas isso foi há que tempos, e é toda uma outra história, a da mulher de 'Duke', o Homem Tranquilo que dizem que foi o primeiro que conseguiu domar a 'fera'. Não domou nada, digo eu, que vi o filme todo, para além mesmo da longa-metragem.

 

A vida de Maureen FitzSimmons, nascida na Irlanda logo depois da I Guerra, são os filmes que sonhava quando era criança, mais todos aqueles que fez a partir da idade em que uma mulher se entrega ao facto de ter crescido. E esses são duros, faíscam-lhe nos olhos e no cabelo, e criaram o mito da preciosidade que se tem em casa mas só se se souber mantê-la. Uma coisa antiga, que já não se usa...

 

Quando Charles Laughton descobriu Maureen, disse-lhe logo que o nome FitzSimmons era um desatino. Ela bateu o pé, e Laughton apreciou, condescendeu - até que ela tinha razão. Ficou 'O'Hara e não se falou mais nisso. Maureen preparou a ceia, mas só depois de ficar escrito que era como ela queria. Mesmo que fosse o contrário!

 

Em Dublin foi criada, com mais cinco irmãos, dois dos quais também agarraram na vida o papel que o cinema lhes deu. Com a ajuda dela. Só a mais velha é que não se meteu em artes, foi para freira. Era irlandesa, não era? Já ela, Maureen, tinha a mania de ser forte, com sentimentos à mistura. Como é que fazia as cenas perigosas? Não usava duplos e rezava antes. É fácil, para uma irlandesa! Pendurada no topo de Nôtre Dame, sem rede por baixo? Reza-se! Uns bons músculos que lhe sobraram da infância estouvada também ajudaram.

 

Tinha a melodia do descanso do guerreiro e o fogo bastante para o fazer ir atrás dela, e pô-la de rastos, e levar dela um estalo. E o amor tardou um tempo que um americano não percebia, mas que fazia parte da afirmação. Maureen, uma metonímia para a mulher que demora, conquista-se todos os dias e não se perde nunca. Porque ela não deixa, não quer. É preciso ver o filme, na parte em que faz rir e na parte em que se chora.

 

'It started with Eve'. Outra metáfora para o que se pode fazer com uma mulher, mas a léguas de Maureen O'Hara. Charles Laughton, sempre ele, sabia que Deena Durbin, a sua 'Danny Boy', o enganara, mas ele queria-a mesmo assim no filme. Depois descobriu 'the red' Maureen. Porque resolvi dizer isto? É que trata-se de um aperfeiçoamento masculino. Da primeira vez que te vi estavas mesmo à minha frente. Depois olhei tantas vezes e estavas sempre atrás de mim. Da última vez que te olhei, estavas onde?, - ao meu lado. E quase chegado aqui estavas já antes de mim.

 

Sempre entrou bem em personagens de mulheres fortes. No écrã, foi o génio – disse-o ela – Alfred Hitchock que lhe topou a façanha, depois de Laughton lhe ter visto os olhos, o cabelo e a boca tão dura para o berro como boa para beijos. Mas não fazia gala do corpo, e muito menos do 'glamour' da boca de cena. Não se metia com os actores, mas sabia o que é um homem. 'É John Wayne', disse ela. Mas nunca lhe partilhou a cama fora dos filmes irlandeses. E mesmo nesses, era peciso fazer o que ela mandava. Estão a ver o John Wayne?... Só ela!

 

 

Nunca ganhou um Óscar. 'Andei perdida no meio de gigantes, nunca chegava a minha vez', disse um dia, muito depois de ter deixado o écrã para se dedicar à família e aos amigos, que reunia todo o santo dia nos sítios vários onde morava. Apesar da nostalgia, sentia-se 'muito confortável' consigo mesma. A Academia fez mea-culpa quase em cima do dia em que morreu. E deu-lhe um Óscar pela carreira. Pela maneira de ser. Por ser quem era. Na sala onde reunia os netos com quem saía à noite a beber um copo, esse foi o 'homem' que faltava. 'My Oscar', dizia enamorada e trémula, enquanto ainda sorria com a alma toda.

 

Maureen O'Hara morreu na semana passada, com 95 anos. Com estilo, e um bom bocado de paixão para o resto da vida, mas tirada a ferros e a costumes que faz sentido seguir para depois os mandar às malvas. O resto é a lente de John Ford, a anca meio torta de John Wayne e os cabelos de fogo que lhe emolduravam os olhos.

Quem era ela? Não estou especialmente interessado. Quando a conheci era Mary Kate Danaher. Primeiro ela passa, depois leva limões à praça, e no fim caso com ela.

publicado às 14:35

Segurança Nacional

Por: Rute Sousa Vasco

 

Os russos bombardeiam a Síria, os americanos dizem que, por engano, os mísseis de Putin atingiram o Irão, a ONU quer um governo de união na Líbia e eu já tenho coisas combinadas.

 

Há poucas semanas, em pleno Verão, almocei em Lisboa com um amigo português que há muitos anos vive em França. No decorrer da conversa, falámos de refugiados. Por causa de refugiados falámos da guerra na Síria. Por causa da guerra na Síria, falámos da Turquia. Acabámos com ele a perguntar-me se eu teria mais duas horas para que me pudesse começar a explicar o que se está a passar.

 

Facto: os acontecimentos no Médio Oriente são complexos, nada binários e não se explicam entre dois cafés.

 

Facto: a maior parte de nós, ocidentais, europeus, portugueses, não tem disponibilidade para perceber o que se passa no seu próprio país, quanto mais lá longe.

 

Facto: as duas premissas anteriores podem conduzir-nos a tempos muito negros e isto não é uma afirmação produzida por causa do novo episódio de Segurança Nacional que ontem estreou em Portugal.

 

Todos os dias caem bombas, todos os dias morrem pessoas, todos os dias pessoas cujos nomes não memorizamos trocam acusações. Impressionam-nos famílias com velhos e bebés a jogarem a sua sorte em barcos sofríveis ou em percursos acidentados. Impressiona-nos o bebé Aylan. Impressiona-nos Noujain Mustaffa, a adolescente do sorriso doce. Enfurece-nos o proto-ditador húngaro, mesmo que não saibamos o nome. Enfurece-nos a lentidão da Europa. Enfurece-nos o vizinho do lado que vê perigosos radicais onde vemos simplesmente pessoas.

 

Mas, ainda assim, continuamos sem tempo para perceber o que se passa e provavelmente devíamos, há muito tempo, ter começado por aí.

 

Ontem à noite, em Londres, Meryl Streep falou no evento “Mulheres no Mundo” que foi organizado este ano pela primeira vez. O The Guardian faz-nos chegar as vozes de várias mulheres presentes neste encontro. Streep, a actriz que dará voz a Emmeline Pankhurst no filme “Suffragette”, lembrou que, apesar do direito do voto estar consagrado no Ocidente, ainda há muito para fazer. Ursula von der Leyen, a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra da Defesa na Alemanha, também falou. Foi ela, mãe de sete filhos, que introduziu a licença parental partilhada na Alemanha (quando era ministra do Trabalho) e foi ela que recordou a grande tempestade que isso causou entre alguns homens de meia idade instalados na política e a enorme ajuda que teve de outros homens instalados na política.

 

Depois falou a rainha Rania, da Jordânia e não podia não falar de refugiados. Na Alemanha entram por dia, actualmente, 10 mil refugiados. A Jordânia, país ‘encravado’ entre a Síria, o Iraque e Israel, tem no seu território 1,4 milhões de refugiados sírios. São 20% da população e têm uma fatia de 25% do orçamento do país alocada.

 

“É como se o mundo árabe tivesse sofrido uma série de tremores de terra e todos os dias sentíssemos as ondas de choque”, disse Rania. Ela, nascida numa família palestiniana, pediu, uma vez mais, que o Ocidente não se deixe contagiar pela propaganda extremista. “É muito perigoso pensar no ISIS como islâmico porque de islâmico não tem nada …”.

 

A noite fechou com o testemunho de Vian Dakheel Saeed, uma representante Yazidi (comunidade étnico-religiosa curda) no parlamento do Iraque. Lembrou as 5800 mulheres e crianças raptadas pelo ISIS. Lembrou que muitas são vendidas como escravas sexuais. Lembrou que mil crianças entre os 3 e os 10 anos são mandadas pelo ISIS para campos de treino para se tornarem a próxima geração de terroristas. A irmã também falou. Delan Dakeel Saeed, médica no hospital universitário Rezgary, falou das violações de mulheres e de meninas e do horror que presenciam.

 

Ontem estreou em Portugal a nova temporada de Segurança Nacional. Numa das cenas iniciais, um dos protagonistas, Quinn, agente da CIA, é chamado a contar aquilo a que assistiu em dois anos na Síria. O discurso é contido, factual, desprovido de qualquer sinal de emoção.

 

Quinn é pressionado por outro elemento da CIA, sediado em Langley, na Virgínia, para que diga se a estratégia seguida pelos americanos é correcta ou não. O discurso azeda e termina com duas possibilidades de estratégia: ou se enviam não apenas tropas, mas também batalhões de médicos e professores para as zonas de guerra ou se transforma toda aquela zona num parque de estacionamento.

 

Para os cínicos: antes de responderem, oiçam os relatos de pessoas como as irmãs Dakheel Saeed e depois voltem a pensar no assunto.

 

Tenham um bom fim-de-semana!

 

Leituras sugeridas

 

Já que estamos em maré de nos interessarmos pelo mundo dos outros, fica a sugestão para lermos Svetlana Aleksievitch, a jornalista e escritora russa que ganhou o Nobel da Literatura. Já agora, Aleksievitch é autora de uma série de cinco volumes intitulada "Vozes da Utopia” que foi iniciada com "A Guerra Não tem o Rosto de uma Mulher" baseado em entrevistas a centenas de mulheres que participaram na II Guerra Mundial.

 

Porque a música nos ajuda a levar a vida para a frente, levamos John Williams para o fim de semana. Autor de bandas sonoras inesquecíveis como as de Star Wars, Tubarão, Indiana Jones, Harry Potter e Jurassic Park , foi o escolhido pela American Film Institute (AFI) para receber o prémio carreira deste ano. O melhor tributo é escutar a sua música.

 

A fechar, uma notícia curiosa e quem sabe animadora. Talvez a imortalidade seja uma … anémona. Os cientistas descobriram que este animal, que já se julgou ser uma planta e que partilha ancestrais comuns com os humanos, pode encerrar o segredo da imortalidade.

publicado às 09:54

Ai, Monica, Monica, estás tão interessante para uma mulher da tua idade

Por: Ana Godinho

 

Pela primeira vez na história do espião ao serviço de Sua Majestade, 007, há uma Bond Girl com 50 anos. O choque! Monica Bellucci, uma espécie de marca registada: a provocar suspiros desde 1964.

monica 2 

É uma verdade quase universal que a bela Monica é uma mulher que causa emoções fortes. Em conversa de rua, é ‘boa todos os dias’. Os homens dizem-no com ar sonhador, lascivo vá, as mulheres reconhecem-no com admiração. Todos se lembram de algum filme com a ‘bella Bellucci’. Homem que é homem viu o Malèna e nunca se esqueceu. Ainda hoje se baba. E se uns percorreriam um lodaçal repleto de sanguessugas só para poder respirar o mesmo ar da belíssima Bellucci, outros relembram as embalagens de Kleenex gastas na sua juventude.

 

Inveja? Nem sequer dá para ter inveja.

 

A Monica pertence àquele mundo de mulheres irreais que por mais que os anos passem, continuam sempre fantásticas, sedutoras, interessantes e apetecíveis. Como a Sharon Stone que, recentemente, e do alto dos seus 57 anos, posou nua para a Harper’s Bazaar. Ou a Elle MacPherson que, em 2013, também foi capa na mesma revista. Despida, só uns collants transparentes e com 49 anos em cima.

 

Serão estas mulheres tão diferentes das reais, de nós comuns mortais? Uma coisa é certa. Para além de bons genes, têm dinheiro, spas e tratamentos de toda a espécie para o cabelo, rosto, pescoço, colo, abdominais, ancas, coxas, pernas e pés. E unhas. E contorno dos olhos. E extensões de pestanas.

 

As mulheres reais conseguem ir ao cabeleireiro uma ou duas vezes por mês, e é quando a coisa está de feição. As unhas partem-se, as gordurinhas instalam-se naquela meia hora na tasca mais próxima do emprego, enquanto atendem o telefone entre duas dentadas na bifana. Ora poupem-nos! Tivéssemos nós – as reais – duas horas com uma equipa para nos alindar antes de nos pormos no trânsito e todas soltariam um pouco de Bellucci por essas ruas fora.

 

Injustiça? Bem, um bocadinho. Mas se fôssemos todas assim fantásticas, isto também era um grande enjoo. A beleza está na simetria, mas o interesse está nas pequenas imperfeições, gestos peculiares, um sorrisinho um pouco idiota, o enrubescer em situações complicadas ou nas gargalhadas sonoras que chegam às lágrimas.

 

A verdadeira injustiça é esta: aos homens, os cabelos brancos dão charme. Às mulheres, só dão despesa. Em idas mensais ao cabeleireiro. Um homem de meia-idade é charmoso, interessante e outras coisas que tal. São todos uns George Clooney. Uma mulher de meia-idade recebe, de vez em quando, o ‘elogio’: estás ótima para a tua idade!,ou, numa versão mais gueto, és uma cota enxuta! (Pausa para bolçar).

 

Um homem de meia-idade compra um descapotável ou uma moto e troca a mulher de 40 por várias de 20. Uma mulher de meia-idade luta pelo seu lugar na empresa sem nunca ser levada a sério, vai a correr para casa para fazer o jantar e dar banho aos miúdos.

 

Depois de todas estas injustiças, há esperança para uma quarentona real? Poderá ambicionar ser uma cinquentinha apetecível?

 

Todas nós, que andamos normalmente pela rua, sem entourage, equipa de maquilhagem ou uma ventoinha para nos fazer esvoaçar o cabelo, sabemos que sim! E somos estranhamente ‘interessantes’ a começar pelos de 20, que têm idade para ser nossos filhos, até àqueles que têm idade para serem avôs. Nossos avôs.

 

Ainda há esperança. O paradigma mudou. As mulheres interessantes são aquelas entre os 30 e 50 anos. Ou entre os 40 e logo se vê. Até da Monica dizem o mesmo. Apesar de ser ‘boa todos os dias’, há uns melhores que outros. E esses dias foram entre os 35 e os 45 anos.*

 

Monica, as mulheres reais só têm de te agradecer pela tua existência. Conseguiste mostrar que as ‘cotas enxutas’ ainda têm muito para dar. E receber. És a prova viva da revolução no conceito de ‘uma mulher de uma certa idade’.

 

 

* (sondagem realizada com a maior acuidade dentre um universo de 20 homens heterossexuais dos 30 aos 70 anos)

publicado às 09:49

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