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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Passos Coelho mudou pouco... e bem

 

Por: António Costa

 

Pedro Passos Coelho não é um líder isolado, não era antes deste congresso do PSD, tem o partido consigo, já tinha, mas tem sobretudo o partido atrás de si, da sua capacidade para devolver-lhe o poder. O presidente do PSD mudou alguma coisa, pelo menos mudou de sítio, assumiu finalmente o seu lugar como líder da oposição, mas mudou pouco. E ainda bem.

 

 

A confusão em que está metido o PSD – política e ideológica – tem um responsável, e esse é o próprio líder do partido. Não percebeu o que tinha acontecido com a construção da ‘geringonça’, e o que isso trazia de novo à política. Não aceitou a consequência de uma vitória eleitoral que não chegou para continuar em São Bento e, sobretudo, sentiu-se injustiçado porque, em cima disso, fez o que lhe era pedido e exigido, isto é, tirar o país da situação de intervenção externa.

 

Pedro Passos Coelho cometeu, por isso, dois erros que agora, no congresso, finalmente corrigiu. Em primeiro lugar, resistiu o que pode à ideia de que já não era primeiro-ministro e insistiu na tese da ilegitimidade política de António Costa e do novo Governo. Depois, convencido de que a viragem à Esquerda do PS abriu o espaço necessário para o PSD reafirmar a social-democracia, Passos Coelho entrou numa discussão ideológica que só serviu para confundir os que o apoiam. O congresso fez-lhe bem.

 

Em primeiro lugar, Pedro Passos Coelho afirmou-se líder da Oposição, e isso muda tudo. Afirmou a sua rejeição às políticas do Governo, mas isso não pode significar o que significou, e mal, na discussão do orçamento do Estado para este ano. Pelos vistos, Passos também reconhece que é preciso mudar, apresentar propostas alternativas, é isso que se pede à oposição. Também porque, mal ou bem, Costa tem ultrapassado sucessivas barreiras, leia-se momentos previsíveis de rutura da coligação de Esquerda.

 

Há outro ponto novo à Direita, de resto. O CDS tem uma nova líder, Assunção Cristas, com nova ambição, ironicamente por causa da estratégia de Costa que permitiu mudar esta ideia de que quem ganha eleições chega a São Bento. Agora, todos os votos contam.

 

Em segundo lugar, Passos Coelho centrou o PSD onde ele deve estar. Um partido reformista, que abra a economia, que liberalize e promova a concorrência e que, por essa via, diminua as desigualdades sociais. Tem, também por causa da estratégia económica e financeira do Governo, dos equilíbrios políticos internos, uma oportunidade única para mostrar uma diferença. O caminho do governo é reverter o – pouco – que foi feito do ponto de vista estrutural, e manter o sistema como está, favorecer as corporações, garantir votos. E o país, parece, já percebeu que não é possível viver com o que não se tem, por isso, há espaço para mudanças, que o PSD pode protagonizar.

 

Pedro Passos Coelho não mudou muito, mas mudou alguma coisa. No resto, a teimosia de quem, como dizia Santana Lopes, é como é. Só isso explica a escolha de Maria Luís Albuquerque para a primeira linha do partido. É um nome novo na direção do partido, mas é um nome velho da anterior legislatura, com tudo o que de bom que foi feito, e foi feito muito, tanto que até permitiu e ‘viabilizou’ o governo de Costa.

 

Do congresso, não saiu um ‘novo’ Pedro Passos Coelho, nem poderia. Um congresso com pouca história, um partido à espera da força do líder, atrás dele. Passos Coelho anunciou que não tem pressa, será talvez a mais importante das afirmações. Porquê? Porque isso permitirá que o líder do PSD faça o que faz melhor, como fez quando derrotou José Sócrates. Chegará para recuperar os 600 mil votos perdidos nas últimas eleições, essenciais para ter a maioria absoluta? Ninguém sabe, até porque o contexto europeu, absolutamente incerto, vai também determinar o que se vai passar em Portugal, sabe-se, ainda assim, que se Passos mudar muito é que não vai chegar lá de certeza.

 

 

As escolhas

 

Domingo, às 19 horas, o mundo conheceu as primeiras informações do ‘Panamá Papers, o submundo dos off-shores. No mundo dos off-shores, o legal, já se colocam dúvidas e reservas, os incentivos ao não pagamento de impostos, a concorrência entre países, os que têm e os que não têm. Aqui, estamos a descobrir o submundo, o do crime, o daqueles que usam as off-shores para esconder o que ganharam, muitas vezes ilegalmente. Há ainda muito para saber – a TVI e o Expresso são os órgãos de comunicação social em Portugal parceiros do consórcio internacional de jornalismo que investiga este caso há cerca de um ano – desde logo se há portugueses envolvidos.

Mas já se sabe que lá estão Putin, o presidente da Argentina, o rei saudita, mas também Messi e Platini. Há um ponto crítico, no momento em que o sistema capitalista está em crise, e está, sem dar a resposta que os cidadãos esperam, o ‘Panama Papers’ é um furacão de consequências políticas imprevisíveis. E é também por isso, uma oportunidade para os líderes políticos internacionais.

 

 

publicado às 10:54

Cartas na mesa

Por: Pedro Rolo Duarte

 

 Nós cumprimos o nosso papel (falo por mim, claro, e pelos que foram até às câmaras eleitorais): votámos no dia 4 de Outubro. Depois, coube àqueles senhores entenderem-se sobre a melhor forma de continuar a delapidar o país e a dar-nos cabo da paciência… Pelos vistos, não chegam a qualquer acordo, ainda que a esquerda esteja toda na cozinha, a temperar os sapos que se prepara para engolir, e a pensar no que vai poder dizer que explique como se conciliam as Europas do PS, do Bloco e do PC, as moedas de cada um (para não falar da Nato, da Banca, das privatizações)…

 

…Na verdade, a partir de certa altura torna-se penoso ouvir os noticiários e aquele ping-pong de acusações, birras, fitas, falsas boas intenções, facadinhas aqui e ali. Incomoda. Magoa. Deprime. Ninguém quer assistir a uma putativa luta de galos praticada por frangos em capoeira a céu aberto. Por mim, dispenso. Também dispensava o triste espectáculo de ver o PS, o BE e a CDU virarem, sem apelo nem agravo, as costas aos seus eleitores - mas isso teremos tempo para aferir nos próximos dias…

 

Procuro, de alguma maneira, qualquer coisa de positivo no desenrolar dos factos. Curiosamente, encontro: eles escrevem-se! Pedro Passos Coelho e António Costa escreveram cartas um ao outro. Já ninguém o faz! Parecem namorados em dia de arrufo…

 

Por instantes, consigo achar o momento politico vagamente didáctico: eles dão o exemplo à geração dos mails, das sms, dos chats, dos “likes”, e dedicam-se à arte nobre da escrita. Como se tratarão? Meu Caro Pedro? Querido António? Estimado Paulo? Ou mais secamente “Caro derrotado”? Ou “Vencedor sem maioria”?

 

A imprensa não nos revela o essencial deste momento epistolar: as cartas foram escritas à mão ou no computador? Entregues pessoalmente, enviadas por correio azul ou correio normal? Terão “k” em vez de “que” e “ctg ñ kero nda” em vez de “contigo nem morto me alio”?

 

Seria importante, se foram entregues em mão, saber quem as levou - pois, como a História nos ensina, em geral o mensageiro acaba morto (e a CMTV quer dar em directo, claro). Os pormenores sobre o tipo de papel usado e os envelopes também ganham relevância neste raciocínio - afinal, é bem diferente uma carta escrita à mão, caneta de tinta permanente, num sólido papel “conqueror”, ou uma folheca de 75 gramas impressa numa clássica jacto de tinta.

 

Confesso: além de deprimido, sinto-me desinformado. Por um lado, sei que os senhores trocaram cartas, facto que me apraz registar e elogiar, pelo que tem de pedagógico e respeitador de tradições que me são caras. Por outro, como não sei de que cartas falamos - do formato ao estilo -, receio que, uma vez mais, estejamos a ser enganados. E aquilo a que chamam cartas sejam afinal SMS com smiles ou os mais banais mails (cheios de “cc” para que nada escape aos jornais e ao Sr. Presidente).

 

Ou seja: ainda antes de governarem, uns ou outros, todos desdizendo o que antes disseram, cheira-me que já nos estão a enganar. Ou se calhar nunca deixaram de estar. Por escrito ou oralmente.

 

Coisas que me deixaram a pensar esta semana

 

A Majora pertence à minha infância, ao meu imaginário, e à ideia de tempos livres bem passados entre amigos e familia. Por isso, gostei de saber que Catarina Jervell é a nova diretora geral da empresa, que os jogos de tabuleiro não vão desaparecer do mercado e que, se tudo correr bem, a Majora daqui a um ano pode facturar um milhão de euros.

  

Costumo dizer que o segundo café matinal de cada dia, depois do verdadeiro, é a crónica diária do meu amigo Miguel Esteves Cardoso no Público. Como todas as crónicas diárias (e ele escreve sem interrupção de domingo a domingo…), não pode ser sempre genial - mas o Miguel consegue que seja sempre interessante, pela revelação, pelo conselho, ou pelo pensamento. Esta, da semana que passou, ficou-me atravessada e é daquelas que só mesmo o Miguel, que há tantos anos conheço e amo, podia escrever. Termina assim: “Pensar só uma vez pode ser a solução parcial do sofrimento que sentimos. O melhor é sentir e seguir em frente.” Mas vale a pena lê-la toda…

  

A linguagem muda todos os dias. Nascem palavras, expressões, rótulos, e é cada vez mais difícil acompanhar esta voragem que leva a que a moda de hoje seja nostalgia amanhã. Uma das boas maneiras é seguir este dicionário desinteressado da linguagem urbana. Cuidado, às vezes o palavrão ferve… Mas aprendemos!

 

 

publicado às 09:47

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