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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Uma brincadeira séria

Por: Pedro Rolo Duarte

Subitamente, num Verão manchado pelo sangue e pelo terror, um jogo veio abanar as vidas de milhões de pessoas e, ainda que por minutos, deixá-las fora da loucura que nos rodeia e entrar numa bastante mais pacata aventura: apanhar, com um telemóvel, bicharocos que julgávamos desaparecidos.

 

 

Eu, pelo menos, julgava. Se me dissessem, há um mês, que os Pokemóns, que dominaram o universo infantil do meu filho no final dos anos 90, iriam voltar com mais força, mais vida, e agora iam arrebatar os mais novos e os mais velhos em simultâneo, não acreditaria. Mas, cada vez mais, o mundo é inacreditável - e no entanto, existe…

 

 

O jogo “Pokemon Go”, que está a dar a volta à cabeça de meio-mundo por todo o globo, batendo recordes de downloads de uma aplicação em escassos dias (mais de 75 milhões em apenas 20 dias, sendo certo que está disponível em apenas 32 países), é um caso de estudo - por todos os motivos, incluindo os mais inesperados, como a sucessão de notícias que motivou em todos os media. O sucesso do jogo, e a figura dos jogadores, na rua, de telemóvel em punho, junto com os faits-divers do costume (da igreja que atrai fieis com Pokemóns, à PSP empenhada em também os “caçar”…), criaram rapidamente uma onda de gozo e até de maledicência sobre o jogo. Nada de novo. Sempre que há um fenómeno viral, há logo um grupo de intelectuais desconfiados…

 

 

… Nada mais precipitado e sem sentido. Descarreguei o jogo para perceber o fenómeno - mas talvez convenha avisar previamente que nunca gostei de jogos de computador, consola ou telefone; e continuo a não gostar nem praticar. Que me lembre, o único a que achei alguma graça foi o “Guitar Hero”, da Playstation, porque me permitiu voltar a uma paixão de infância: a bateria! Dito isto, a “app” que fez renascer a Nintendo - em todos os sentidos, a começar no seu valor comercial… - constitui a primeira aproximação entre a virtualidade dos jogos e a realidade dos lugares por onde andamos. Nesse sentido, é muitíssimo bem conseguido, porque mistura o puro entretenimento - apanhar bonecos que não estão em lado nenhum, mas estão nos nossos telefones… - com conhecimento sobre a cidade onde nos encontramos. Descobri, por exemplo, o significado dos símbolos que estão incrustados na parede do edifício onde vivo, como descobri que há um castelo de brincar, para crianças, aqui no bairro…

 

 

Por outro lado, e numa reflexão mais séria, “Pokemon Go” faz os jogadores saírem do ninho, do seu reduto. Traz as pessoas para a rua - e ao misturar virtualidade com paisagem real, humaniza o jogo e quem o joga. Com isso, abre portas para toda uma nova filosofia no que aos dispositivos móveis diz respeito: não são mais objectos fechados onde mergulhamos em mundos muitas vezes inexistentes, tornam-se parte da realidade de cada um. E são estas evoluções, ou novidades, que ajudam a tornar tão popular - e instantâneo… - o que seria apenas mais um jogo para telemóveis.

 

 

 

Ignorar ou depreciar, apenas porque se tornou um sucesso e dá origem a situações ridículas - como a que se viveu há dias no Central Park de Nove York, com milhares de pessoas a procurar um Pokemon raro… - é passar ao lado do começo de mais uma revolução que a tecnologia desencadeia. Esta é, claramente, uma brincadeira muito séria. O começo de uma nova era.

 

 

Lido esta semana…

 

 

E mantendo-me no fenómeno Pokemon Go, eis como foi visto pelo CEO da Vaynermedia, Gary Vaynerchuk, um especialista no mundo digital e nos serviços que ele pode prestar à comunidade. Um olhar mais próximo do mercado, mais longe da brincadeira que anda a contaminar toda a gente…

 

 

Uma das leituras leves que recomendo sempre, a quem me pede um palpite, são os livros de Jeffrey Archer. Menosprezado pela critica, é um excelente contador de histórias, um conhecedor profundo do mundo anglo-saxónico, e as suas “sagas” são finas misturas de vidas reais - umas mais modestas, outras mais bem sucedidas, nos fundo todas muito semelhantes… -, com sentimentos comuns a todos nós, em histórias muito bem construídas e sempre empolgantes. A  mais recente, que em três volumes explora praticamente um século da vida de uma família, os Clinfton, já tem edição em português dos dois primeiros livros. O terceiro, “This Was a Man”, será lançada em Novembro nos Estados Unidos e no Reino Unido, e mais tarde traduzido para português. Mas acompanhar o site do escritor, e dentro dele o seu blog, é uma boa aproximação à leitura de “O Segredo Mais Bem Guardado”, a segunda parte deste gigantesco quadro, já editado entre nós.

 

 

No próximo sábado, dia 30, a Livraria Lello, uma clássica do Porto, vai viver um momento especial: o lançamento mundial do livro "Harry Potter and the Cursed Child - Parts I & II”, com a presença de dois dos actores que entraram na peça que deu origem a este regresso de Potter. Os actores que protagonizam Severo Snape e Rúbeo Hagrid vão estar, à meia-noite (a Lello abre de propósito para esta noite de festa…), a receber os primeiros compradores do novo livro, que é assinado não apenas por J. K. Rowling, mas também por Jack Thorne e John Tiffany, já que se trata da passagem a “escrito” da peça de teatro que anima os palcos londrinos. Sem querer revelar nada, deixo aqui o link para a crítica que esta semana saiu no britânico The Guardian. Não, não é sobre o livro - é ainda sobre a peça… Mas abre o apetite!

 

 

publicado às 10:24

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