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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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A Liga dos Aurélios?

Por: Miguel Morgado

 

Sabia que na época passada Maxi Pereira foi o rei da bola no pé (2639 toques), seguido do campeão europeu, João Mário? Já Gaitán com toque de Midas “deu” 14 golos. Jonas acertou sete vezes da marca de 11 metros e a cabeça de Slimani vale ouro em mais de 1/3 dos seus tentos. Que poderiam ser mais caso não tivesse falhado 20 golos certos. O Porto fez 570 remates e o Braga acertou 21 tiros no ferro. Dados que explicam o sucesso (e insucesso) passado e podem antecipar o que ai vem numa Liga onde moram, por enquanto, quatro “Aurélios”. Vamos às contas.

 

 

 

Aí está a Liga 2016-2017. No Seixal, em Alcochete ou no Olival, sabemos, por enquanto, que partiram Renato Sanches e Nico Gaitán, que os quatro “Aurélios” campeões europeus ainda moram, por enquanto, em Alvalade e que o Porto procura no “Somos Porto” a alma que perdeu no passado recente. Esses são os factos mais ou menos crus, mas que até ao fecho do mercado terão outros condimentos. Os números não mentem, diz-se, por isso olhemos para as estatísticas da época transacta para perceber a importância de jogadores e o sucesso (ou insucesso) das equipas. Números que, de certo, ajudam a perceber e antecipar a prova que está preste a arrancar. Um instrumento útil para treinadores e adeptos. E para presidentes dos clubes e empresários.

 

Ora bem. Peguemos então numa folha e apontemos. Sabemos de acordo com as estatísticas da 1ª Liga, que Jonas, avançado das águias, 16º jogador mais utilizado (33 jogos, 1 como suplente utilizado), contabilizou 2964 minutos e foi o melhor marcador com 32 golos. No outro lado da 2ª circular, morou, e mora ainda, Islam Slimani. Em 33 jogos acertou 27 vezes na baliza em 3013 minutos, o que fez do argelino o 15º jogador mais utilizado.

 

No duelo de pontas de lança, socorremo-nos de outras estatísticas. Esta disponibilizadas pelo “GoalPoint”, ficamos a saber que Jonas concretizou sete pontapés da marca de grande penalidade e foi quem rematou mais vezes (124 remates), o que fez do brasileiro o jogador com melhor taxa de concretização (25,80%). O clube que representa (15,90% taxa de concretização) liderou esses dados.

Já Slimani, com 65 remates enquadrados (entenda-se remates que poderiam ter resultado em golo) e o Sporting com 212 remates ficaram em 1ª lugar nessa estatística. A cabeça do avançado leonino vale ouro. Dos 27 golos marcados pelo argelino, 11 foram com a testa. Mas terá faltado algum discernimento, por vezes, na hora decisiva, desperdiçando 20 ocasiões flagrantes (de golo). Os leões forem quem também desperdiçou mais golos iminentes: 62 ocasiões no total. Números que poderiam ter alterado a história do campeonato e que explicam os menos 9 golos marcados que o velho rival.

 

De entre os “Aurélios” que jogam em Portugal, o muito cobiçado João Mário deu 2587 toques na bola ocupando a vice-liderança da estatística logo a seguir ao defesa direito portista Maxi Pereira (2639). Mas uma coisa é dar toques, a outra é ter um verdadeiro “toque de Midas” e colocar a bola no pé ou cabeça de um colega para que este finalize. E nesse campo, Gaitán foi o “rei” das assistências que levantaram os estádios: 14 que deram golo. Um número bem expressivo se olharmos que o clube que então representou, Sport Lisboa e Benfica, equipa que somou mais assistências (60) que resultaram nos 88 golos marcados. Com estes números, em especial os benfiquistas, podem começar a lamentar que o pé esquerdo do argentino vá, agora, entrar nas estatísticas da Liga Espanhola e do Atlético Madrid.  

 

Analisando ainda os dados disponibilizados pelo “GoalPoint”, o Futebol Clube do Porto foi a equipa que mais remates realizou, 570, sendo que desses, 66 provenientes de fora da área. Desses, 13 foram da responsabilidade do defesa Layún, que assim dividiu com Jonas as despesas do mais rematador antes dessa linha. Se Maxi Pereira foi aquele que mais vezes “levou a bola para casa”, o defesa da faixa contrária, Layún, tentou, de fora de área, fazer aquilo que os seus colegas não conseguiam: dar alegrias aos adeptos.

Mais motivos para sorrir poderia ter tido o Sporting Clube de Braga se algumas das 21 bolas enviadas ao ferro tivessem entrado. O avançado Hassan foi mesmo o mais “azarado” com cinco bolas a baterem onde não deviam.

 

Um Aurélio, dois Aurélios, três Aurélios...

 

O campeão em título, Benfica, parte para a nova época com o tetra como objetivo. Nas insígnias leva o título de equipa mais concretizadora com 88 golos (contra 22 golos sofridos o que a coloca como segunda melhor defesa da prova). A Liga atribui ainda às águias os prémios de Melhor treinador, Rui Vitória, revelação Renato Sanches e melhor jogador, a Jonas. Desses só o “bulo” da Musgueira já cá não mora. Até ver apostaram na contratação de diversos extremos (Carrilo) e na esperança de recuperação de outros (Sálvio).

 

No Futebol Clube do Porto, o homem que celebrizou a frase “Somos Porto” estará no banco dos dragões. A recuperação da mística está nas mãos de Espírito Santo que, para além dos milhões à disposição para investir, tem ainda muita massa crítica no Olival. Basta olhar para o umbigo do Dragão e perceber que aí mora não só o vencedor da 2ª Liga como também os campeões nacionais juniores. André Silva é um exemplo de recrutamento feito dentro de portas.    

 

Rui Patrício, Adrien, William Carvalho e João Mário, são os quatro “Aurélios” campeões europeus de futebol. Se o melhor guarda-redes da Liga (e do Europeu, diga-se), 4º jogador mais utilizado do campeonato português, com 3137 minutos e o tridente do meio-campo se mantiverem por Alvalade, apesar do forte assédio, em especial a João Mário, apelidado de “calminhas” pelo Mestre Aurélio Pereira, a equipa leonina ganha “reforços” de peso na luta pelo título nacional.

 

Caberá a Bruno de Carvalho e a Jorge Jesus avaliarem se podem, ou não, abdicar de um ou mais “Aurélios”, colocando no cesto, de um lado, o encaixe financeiro e, do outro, os pontos que esses jogadores podem valer no final da época. É por isso, no fiel da balança entre a cobiça e a cedência à tentação da venda dos “produtos” de Aurélio Pereira que poderá ditar o nome da Liga que agora inicia, podendo ser a Liga dos “Aurélios” caso estes campeões europeus nascidos em Alcochete não sigam as pisadas dos seus outros seis homónimos que andam por outras Ligas.

 

 

 

 

 

publicado às 09:16

O que procuram os turistas numa cidade? A resposta pode estar escrita nas paredes

O que procura um turista quando visita uma cidade? Vida cultural pulsante, gentes genuínas, monumentos, centros históricos ou uma boa gastronomia. A pergunta pode ter uma centena de respostas, mas há uma delas que está escrita nas paredes: a arte urbana.

Por: Alice Barcellos

 

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Mural sobre o fado, em Lisboa. Foto: AFP

 

Apesar de ainda existir em algumas cabeças a ideia de que a arte urbana é vandalismo ou uma expressão artística de menor valor, a verdade é que a maioria das pessoas já se deixa tocar e impressionar por este género de arte, conseguindo distingui-la bem do puro (e mau) vandalismo.

 

Quem nunca observou com cuidado um grande mural pintado num edifício ou guardou uma frase escrita naquela esquina a caminho do trabalho? Esse é um dos trunfos da arte urbana: passar mensagens e fazer-nos pensar. Quer seja em obras de maiores dimensões ou em pequenos stencils espalhados pela cidade.

 

De Inglaterra para o mundo, Banksy conseguiu pôr a arte urbana ao mesmo nível das obras mais conceituadas, presentes nas galerias, museus e leilões. Vários dos seus trabalhos foram vendidos por quase meio milhão de dólares. Com os seus desenhos provocativos e inteligentes, Banksy marca uma viragem na percepção que temos da arte urbana. Ao mesmo tempo, o artista continua a manter o anonimato, o que ajuda a adensar o mistério e a curiosidade sobre a sua identidade e, por conseguinte, as suas obras.

 

Por cá, os artistas que fazem das paredes e muros as suas telas têm cada vez mais visibilidade e cidades como Lisboa e Porto têm apostado numa crescente política “amiga” da arte urbana. A identidade de uma cidade também se desenha nas suas paredes. E as histórias que lá vão sendo contadas chamam a atenção de locais e turistas.

 

Em Lisboa, a arte urbana ganhou um novo impulso no início desta década com o programa Crono. Com o objetivo de dar uma nova a cara a zonas da cidade que estavam degradadas, artistas de renome, nacionais e internacionais, intervieram em vários edifícios. Algumas das obras deste projeto, pintadas na Avenida Fontes Pereira de Melo pelos artistas brasileiros Os Gémeos e pelo italiano Blu, ganharam visibilidade mundial através de fotos partilhadas na internet e entraram para o top 10 do The Guardian, entre os melhores trabalhos de street art do mundo.

 

Desde então, a arte urbana vem conquistando os lisboetas e não só. Prova disso, é o surgimento de empresas e serviços que organizam visitas guiadas às várias obras da capital. Aí, é possível ver trabalhos pintados em zonas menos turísticas e também conhecer um pouco da história do artista e da própria obra.

 

300 quilómetros mais acima, o Porto vive um período fértil neste campo. Após anos mais complicados, em que a câmara tanto apagava trabalhos de artistas de renome, como rabiscos sem valor, a cidade decidiu, agora, abraçar esta manifestação artística e facilitar o processo para quem queira expressar-se numa parede. O primeiro mural legal de arte urbana, junto à estação de metro da Trindade, pintado no ano passado pelos artistas Hazul e MrDheo, marca esta nova fase.

 

Depois disso, outras ações têm acontecido. Desde o primeiro festival de arte urbana e ilustração da cidade, o Push Porto, até ao mais recente projeto Locomotiva, que apoiou várias intervenções de arte urbana, entre elas o maior painel comunitário de azulejos da cidade – ideia do artista Miguel Januário, criador do maismenos.

 

São 3.300 azulejos, pintados por portuenses e turistas, de várias idades e quadrantes sociais, que foram afixados num edifício na Rua da Madeira, junto à estação de São Bento. O projeto foi o culminar de um trabalho de meses e tenta responder à pergunta “Quem és, Porto?”. E se os turistas interessam-se cada vez mais pelas histórias que contam as nossas paredes, também nós podemos encontrar respostas sobre a nossa identidade urbana nestas mesmas paredes. Basta olhar com cuidado e parar para pensar.

 

Alice Barcellos é jornalista de profissão e poeta de coração. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1986, mas trocou a cidade Maravilhosa pela cidade Invicta há 15 anos. Adora contar estórias, quer seja em texto, fotografia ou vídeo. Quando não está a trabalhar no SAPO (e em outros projetos que vai participando), gosta de ter a cabeça voltada para o mar e para os livros, para os seus gatos e cadela ou deitar conversa fora com amigos.

publicado às 10:17

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