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Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Vem aí o Titanic II (e não é um filme)

Por: Pedro Fonseca

 

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No próximo ano, vai poder andar pelas imagens virtuais do Titanic e, em 2018, poderá viajar numa réplica do célebre navio. Isto numa altura em que o turismo em cargueiros carregados de contentores parece agradar a jovens e reformados.

 

Mais de um século depois do mais célebre navio ter embatido num icebergue, um novo Titanic II deverá ser lançado às águas em 2018. Um ano antes, no entanto, vai poder sobreviver num videojogo que retrata o interior (e o exterior) da embarcação. Mas antes do futuro, um pouco de história.

 

Lançado ao mar do estaleiro da cidade irlandesa de Belfast a 31 de Maio de 1911, o momento de celebração inicial do Titanic, da companhia White Star Line, foi presenciado por mais de 100 mil pessoas. O destino fatal para mais de 1.500 passageiros do navio ocorreu quase um ano depois, ao início da madrugada de 15 de Abril de 1912. O então maior navio a vapor foi do porto inglês de Southampton, a 10 de Abril de 1912, para Cherbourg, em França, passando depois pela cidade irlandesa de Queenstown, antes de se dirigir a Nova Iorque, nos EUA.

 

No final da noite de 14 de Abril, apesar dos avisos telegráficos lançados por outros navios sobre a existência de blocos de gelo na sua rota, o Titanic prosseguiu no Atlântico Norte até ser atingido por um icebergue e se afundar às 2h20m da madrugada de 15 de Abril. Com cerca de 2.240 passageiros e uma tripulação de quase 900 pessoas, um dos principais problemas ocorreu com os 20 botes salva-vidas a bordo. Tinham capacidade para levar um total de 1.178 pessoas, como explicou uma reportagem do canal televisivo História, salientando que, para os padrões de segurança da época, o número desses botes até excedia a regulação então imposta pelo British Board of Trade.

 

Os salva-vidas apenas conseguiram salvar 705 pessoas. Segundo a reportagem televisiva, foram realizadas cinco comissões de inquérito sobre o trágico acidente. Uma delas detectou que apesar de os botes poderem levar mais de mil pessoas, a confusão foi enorme, e daí resultou a salvação de tão poucas "almas". Todas as comissões revelaram que as situações de pânico não foram exageradas e alguns passageiros preferiram até ficar no abrigo quente do navio. A temperatura do mar (dois graus negativos) desincentivava qualquer acto de heroísmo.

 

Memória virtual e real

 

O pesado fardo da memória não demove, no entanto, quem pretende apostar na lembrança do desastre. Após a desenfreada recolha e exposição nos últimos anos dos artefactos afundados e recuperados a quase 3.800 metros, surge agora o lançamento de um videojogo com uma trama policial dentro do Titanic, que se antecipa decorrer naqueles dias até ao fatídico afundamento, ou a aposta na construção de uma réplica do navio, denominado naturalmente de Titanic II.

 

O jogo "Titanic: Honor and Glory" deve ser lançado em 2017 e para já revela um vídeo de 2h40m do naufrágio que permite ver por dentro e por fora o navio, ainda sem quaisquer personagens. Previsto para 2018, há um outro projecto mais ambicioso, com a empresa australiana Blue Star Line a lançar um verdadeiro Titanic II.

 

O projecto surgiu há quatro anos na mente do milionário australiano Clive Palmer, que o está a construir na China com um valor estimado de 435 milhões de dólares - 10 vezes mais do que o custo da embarcação original. Com dois anos de atraso relativamente ao previsto, o navio será uma quase réplica do Titanic, segundo os vídeos disponibilizados online, com quatro metros a mais dos 28 de largura e os botes salva-vidas a considerarem uma capacidade para 2.700 lugares.

 

A viagem também será diferente, segundo foi anunciado em Fevereiro passado: a partida ocorrerá do porto chinês de Jiangsu, onde o navio está a ser construído, em direcção ao Dubai. Segundo declarações de James McDonald, director de marketing da Blue Star Line, ao Belfast Telegraph, "o novo Titanic terá obviamente procedimentos modernos de retirada [de passageiros], controlo por satélite, navegação digital e sistemas de radar e todas as coisas que se esperam num navio do século XXI". McDonald afirma que a Blue Star detém os direitos de nome e de marca registada do Titanic II.

 

Com 270 metros de comprimento, 53 metros de altura e um peso de 40 mil toneladas (a versão original pesava 46 mil toneladas), terá nove andares com 840 cabinas para 2.400 passageiros e 900 tripulantes. No entanto, manterá a estrutura de bilheteira do navio original, com ofertas para primeira, segunda e terceira classes.

 

As novas viagens marítimas

 

Pode impressionar que perante um desastre como o Titanic, as viagens marítimas - algumas até bastante perigosas - continuem a captar a atenção das pessoas. Com 100 anos de diferença, e sem o mesmo impacto mortal, houve quem fizesse comparações entre o Titanic com um desastre mais recente, o do Costa Concordia perto da ilha mediterrânica de Giglio, que se afundou três horas após um embate numa rocha a 13 de Janeiro de 2012. Tinha a bordo 4.200 pessoas, embora o número de mortes tenha sido muito inferior ao do Titanic.

 

Os cruzeiros banalizaram-se e agora as rotas perigosas (ou pouco exploradas, consoante a opinião) são uma tentação. O navio de cruzeiro Crystal Serenity com mais de 1.600 pessoas registadas para ir a bordo (dos quais mil são passageiros) pretende navegar do Alaska até Nova Iorque, atravessando a complicada passagem do noroeste (Northwest Passage, ao norte do Canadá) e o estreito de Bering, numa viagem de 32 dias entre Agosto e término em Setembro. Apenas 17 navios fizeram esta travessia no ano passado e o Crystal Serenity é o maior desde que a abertura da rota ocorreu em 2007.

 

Há ainda um outro fenómeno, que são os turistas que aproveitam as viagens dos cargueiros para irem até longínquos destinos. No ano passado, a Bloomberg descrevia como apesar das companhias de viagens turísticas apostarem em inúmeras atracções, de spas e enormes piscinas a bares de sushi, havia quem optasse por navegar em cargueiros cheios de contentores.

 

Pode pensar que é uma solução para jovens ou pessoas com pouco dinehiro, mas o reformado agricultor australiano John McGuffick afirmava "estar meses seguidos no mar em cargueiros". Tinha, na altura, 72 anos. A sua maior viagem foi entre a cidade francesa de Dunquerque e Singapura, numa rota de 110 dias. O preço é uma mais-valia relativamente aos cruzeiros: estes passageiros pagam menos por uma cama e três refeições diárias, no que é também um bom negócio para as empresas de transporte marítimo, já que o preço do frete dos contentores tem vindo a decrescer.

 

Estas empresas não conseguem assegurar mais de uma dúzia de alojamentos por barco mas, segundo Julie Richards, que trata de 200 a 300 viagens por ano na australiana Freighter Expeditions, os interessados (principalmente jovens e reformados) têm de reservar com muita antecedência. Por exemplo, para a popular rota da China para a Europa ela recebe "10 a 20 emails por dia", diz, com o interesse da maioria a não poder ser satisfeito.

 

Para quem quiser antecipar este tipo de viagem, um artigo do The Guardian relata a viagem a bordo do navio chinês Hansa Rendsburg, no que denominava de "cruzeiro de cargueiro", por alguém que tentava fazer uma volta ao mundo sem voar. Sem adiantar muitos detalhes, pode-se sintetizar que a experiência entre um navio de cruzeiro e um cargueiro "é como comparar um camião a uma limusine", diz o autor.

 

Por tudo isto, não admira que exista um genuíno interesse pelas variadas formas de navegar em alto mar. Sinal disso é que, apesar das críticas de familiares dos falecidos na viagem inaugural do Titanic, a Blue Star diz ter sido "inundada" com pedidos de informação de potenciais passageiros para a primeira viagem do Titanic II.

publicado às 09:11

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