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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Um circo romano nos EUA

Por: Pedro Rolo Duarte

Às vezes pergunto-me: que mais pode a candidatura de Donald Trump fazer, a começar no próprio candidato, para demonstrar que não quer governar um país, mas quer montar um circo romano em Washington? A esta pergunta, espanto dos espantos, responde o “povo” com apoios, aplausos, uma Convenção rendida ao populismo tragicamente funcional, e uma sequência de dias em que raramente passam 24 horas sem que haja mais um escândalo, mais uma surpresa, mais qualquer coisa que nos deixa boquiabertos ou incrédulos.

 

 

Sou sincero: incrédulo, já não. Tudo é possível naquele mundo onde, depois de um discurso da barbie Melania Trump cheio de frases “roubadas” a Michelle Obama, vem uma colaboradora do marido, Meredith McIver, pedir desculpa pelo erro cometido. Terá sido ela a escrever o discurso, a partir de “pensamentos” da mulher do candidato - e como não confirmou a origem das frases, tomou-as como originais… É extraordinária a forma como tudo isto passa incólume e Trump, sem hesitações, não aceita a demissão da “autora” e afirma que “as pessoas cometem erros inocentes”…

 

 

É isto que os americanos estão a aprender a aceitar como possível e normal, para não dizer desejável. A mentira, a xenofobia, o racismo, o populismo, o plágio, todo este conjunto ideológico e ético, que na Europa crescemos aprendendo a rejeitar e a combater, é agora arma de propaganda barata para que o cidadão americano comum, seguramente na mais profunda ignorância sobre as consequências de tal opção, se deixe levar e acredite que resolve os problemas do seu país.

 

 

Os Estados Unidos da América conseguem, neste começo de século XXI, juntar o melhor e o pior sem distinção nem razão. O país das oportunidades e da meritocracia, o país onde todos têm oportunidade, o país que descobre-inventa-fabrica-vende, o país onde errar faz parte do caminho e não é argumento de exclusão, o país multicultural que nasceu e cresceu justamente por causa dessa miscigenação - esse mesmo, é o país onde a erva daninha de um Donald Trump tem terra fecunda para crescer sem que pareça haver quem lhe faça frente. Dizem que é o preço a pagar pela democracia - eu acho que são apenas juros de agiotas…

 

 

A Casa Branca tem tido inquilinos perigosos e pouco confiáveis - o apelido Bush seria suficiente… -, mas nunca esteve tão perto do abismo como em 2016, com este homem que começou por ser um “fait-divers” e é hoje um caso sério. Muito sério.

 

 

Se a História das ultimas décadas nos tem provado que a globalização não é apenas uma palavra para encher a boca dos economistas e gestores, a caminhada de Donald Trump até à Presidência dos EUA não é um problema apenas “deles”. É de todos nós. No período negro que temos vivido, entre crises profundas e terrorismo extremo, um homem destes a mandar na América não é ameaça menos grave. Sérgio Godinho bem disse que “Isto anda tudo ligado”. Há forma de desligar? Parece tarde demais.

 

 

Leituras na rede a não perder (porque a morte dos blogues foi noticia claramente exagerada…)

 

Luís Naves é um credenciado jornalista do Diário de Notícias, além de escritor com romances publicados. Ligado ao blog Delito de Opinião, tem escrito, sob a “tag” “cadernos contemporâneos”, alguns posts tão enxutos quanto valiosos. Assinalando os 80 anos da Guerra Civil Espanhola, aqui vos deixo um exemplo desse minucioso, delicado e excelente trabalho de jornalismo e memória. Que tanta falta nos faz…

 

 

“Eu escrevia. Sempre escrevi. E tinha medo. Também sempre tive medo. Escrevia para ser lida e tinha tanto medo de ser lida: e se não prestasse para nada?”. Presta. O que escreve Eugénia de Vasconcellos (e pode ser lido em livro, por exemplo em “Camas Politicamente Incorrectas da Sexualidade Contemporânea”) é um dos valores acrescentados do blog Escrever é Triste, onde se junta um generoso numero de excelentes autores, de Manuel S. Fonseca a Pedro Bidarra, de Henrique Monteiro a Diogo Leote. Recomendo todos, mas sublinho o meu gosto especial pela escrita de Eugénia.

 

 

Já há um livro que carimba o blog e lhe prolonga o nome: “Por Falar Noutra Coisa”, de Guilherme Duarte, é um dos fenómenos de sucesso que marca os tempos actuais no mundo dos blogues. Entre o humor e o sarcasmo, entre a critica e o gozo puro, Guilherme vai a todas, da política à vida comum, das tendências às suas manias pessoais. No começo pode provocar alguma comichão, mas depois percebe-se o autor e a coisa passa…

publicado às 11:16

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