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SAPO24 Crónicas

Todos os dias um olhar mais atento a um tema que marca a actualidade. Artigos, análises e crónicas exclusivas no SAPO24.

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Um relatório que não serve para (quase) nada

Por: António Costa

O relatório da comissão de inquérito ao Banif, leia-se o projeto assinado pelo deputado socialista Eurico Brilhante Dias, faz um esforço de cronologia de uma falência anunciada e que deveria ter sido definida logo em 2012, de forma organizada, pelo anterior governo e pelo Banco de Portugal. Mas não servirá para nada, porque vai ser usado apenas como instrumento de guerra político-partidária.

 

 

A banca é, neste momento, a arena de confronto entre o Governo e a oposição, e, ironicamente, por responsabilidades partilhadas. Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque geriram, debaixo do tapete, os problemas dos balanços dos bancos, António Costa e Mário Centeno estão a comportar-se como elefantes numa loja de porcelana. Cada um dos lados, à sua maneira, está a contribuir para fragilizar uma realidade que já é difícil e as conclusões do Banif serão mais uma ‘oportunidade’ para passar responsabilidades.

 

 

O que sabemos, hoje, é que o Estado foi obrigado a ‘meter’ mais de três mil milhões de euros para vender o Banif ao Banco Santander, dinheiro público, dos contribuintes, para evitar um colapso ou, no mínimo, o recurso ao dinheiro dos depositantes. Foi esta a escolha de António Costa, o primeiro-ministro, em resposta à pressão do BCE. Entre os depositantes e os acionistas, escolheu os contribuintes e prometeu que seria a última vez. Já tínhamos ouvido esta promessa antes, de outras figuras, agora é certo num novo contexto de regras europeias.

 

 

A solução final, claro, não foi a melhor, foi a possível, e não foi determinada pela notícia da TVI24, como também fica claro. Nem na resolução, nem no tempo da resolução, nem sequer no valor associado à resolução. Sobra o que (não) foi feito antes, pela administração e acionistas do Banif até 2012, e pelo acionista Estado e pela gestão de Jorge Tomé daquela data até dezembro de 2015. E, neste tempo todo, pela própria supervisão, o Banco de Portugal, que já em 2015 corrigiu as contas do Banif com impacto material nos seus rácios e nas suas necessidades.

 

 

 

Como era previsível, o projeto de relatório não serve a ninguém quando se trata do apuramento das responsabilidades políticas. Faz um esforço de recomendações – 16 – ao legislador e aos supervisores, até aos europeus, mas na verdade são mais umas quantas, depois das que foram feitas nas comissões do BPN e do BES. O que fica?

 

 

 

Para já, fica a discussão política, sem responsabilização efetiva de ninguém. E as achas para a comissão que se segue, a da CGD, que, pelas mesmas razões, não dará em (quase) nada. Mas fica a fragilidade do nosso sistema financeiro, uma história do que não deveria ter sucedido e a convicção de que se o Governo anterior tivesse seguido a solução defendida pela comissão Europeia, que não acreditava no futuro do Banif. Desta vez, pelo menos, Bruxelas não pode ser o bode expiatório, vai ser encontrado outro.

 

 

 

As escolhas

A temperatura subiu, a política ainda mais, como se pode ler aqui. E Marcelo Rebelo de Sousa já percebeu que a estratégia dos afetos não chega. A relação com Passos Coelho não é a melhor – como se percebe pelo facto de não ter comparecido em Belém -, os dados económicos não ajudam e as sondagens começam a dar os sinais a António Costa de que as eleições antecipadas são mesmo uma probabilidade que ganha força.

publicado às 18:25

A nossa taça e as medalhas deles

Por: Pedro Rolo Duarte

 O Presidente da Republica condecorou ontem os cinco atletas medalhados no Campeonato Europeu de Atletismo que, azar dos azares, decorreu em simultâneo com a fase final do Europeu de Futebol - e por isso perdeu a batalha pelo mediatismo e a notoriedade que os tempos actuais promovem, mesmo quando querem ser imparciais. Houve logo quem se insurgisse contra a injustiça de que sofriam os atletas de Amesterdão face aos atletas de Paris - ignorando que a diferença não resulta do desmerecimento pelos feitos conquistados, mas “apenas” da capacidade que o futebol tem de juntar um tão gigantesco número de seguidores.

 

É um fenómeno de massas transversal, incontrolável, em muitos momentos até incompreensível - e que por isso mexe com milhões de pessoas, o que explica que mexa com milhões de euros. Deixo aos sociólogos explicações mais detalhadas para o impacto de uma bola a rolar por entre 22 homens… Mas é esse fenómeno, e esse impacto, que obriga os media a ir atrás dele, forçando a uma união nacional que acaba por colocar ao mesmo nível a imprensa desportiva, a generalista de referência, a popular, as redes sociais, as rádios, as televisões. Todos ficam estranhamente parecidos num momento como este - e todos procuram espelhar de forma verdadeira e próxima o sentimento dos portugueses.

 

Na verdade, Marcelo Rebelo de Sousa fez exactamente o mesmo que a maioria dos media: só quando acordou da bebedeira colectiva da Taça de Campeões Europeus em mãos portuguesas olhou à volta - e viu que havia mais mundo para lá de uma bola de futebol e de uma selecção vitoriosa. Nesse mundo por ver estavam outros heróis nacionais, como estavam noticias de tragédias, sanções e demais “ninharias”…

 

Tentou remediar os estragos com mais comendas. Não vai conseguir. Os estragos não foram feitos por ele. São a consequência de um tempo em que os factos se esmagam uns aos outros por força do envolvimento popular que têm, do dinheiro que envolvem, e da forma como emocionalmente afectam aqueles que os sentem como seus. E tudo isto é uma pescadinha de rabo na boca. Nunca acaba. É sempre bonito ouvir Fernando Santos ou Ronaldo dizerem que a Taça é de todos os portugueses, e confirmar nas manifestações populares esse sentimento de propriedade - mas todos sabemos que constitui uma enorme falácia. A Taça é daqueles jogadores, daquela equipa técnica, e de quem os patrocinou. Foram eles que jogaram, deram o litro, se magoaram, acertaram, erraram, e no fim ganharam. Também são eles que ganham vencimentos milionários, que são disputados por clubes de todo o mundo, e que vivem num universo exclusivo e muito particular. Nós, comuns espectadores, apenas caucionamos e justificamos todo aquele aparato.

 

Neste quadro, por maior que seja o talento dos atletas de Amesterdão (e quem diz os atletas pode dizer os arquitectos, os bailarinos, os cantores, os escritores…), não há comenda ou elogio que esbata o abismo entre o mundo dos milhões e o outro - o que vive daquilo de que realmente é feita a vida. E é por isso que dizemos que a Taça é nossa, ao mesmo tempo que sentimos que as medalhas do atletismo são da Sara Moreira, da Patrícia Mamona, da Dulce Félix, da Jéssica Augusto e do Tsanko Arnaudo.

 

Paixão, dedicação, entrega, orgulho. Somos todos iguais - mas é mesmo verdade que uns são mais iguais do que outros. Como se costuma dizer, “sem desmerecer”…

 

Coisas boas de uma semana histórica

Sendo embora parte interessada - os ingleses aspiravam ir à final deste Europeu… -, nem por isso a BBC deixou de resumir exemplarmente, em e minutos, o evoluir do campeonato do começo até à taça nas mãos de Ronaldo. Vale a pena ver o apuro, o bom gosto e a qualidade deste trabalho final da estação britânica.

 

No balanço do Euro 2016, uma das questões que fica em aberto: será melhor ou pior um campeonato com mais equipas, ou seja, com os 24 países que entraram na competição deste ano? O jornal francês Liberation encontrou argumentos contra e a favor e pô-los lado a lado. É ler e pensar…

 

Já tem alguns meses, mas é dos mais sarcásticos videos da equipa da “Porta dos Fundos” sobre o universo do futebol, das transferencias de jogadores, e até das formas como se encaram os diversos países e clubes, Benfica incluído… Riam com eles!

 

publicado às 10:36

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